Soja

Seca ainda não indica quebra severa nas lavouras no Sul

11/02/2014

Região depende de chuvas regulares para enchimento dos grãos de soja e rendimento do milho, que teve recuo de 10,8% na área de cultivo

Na fase final do ciclo, o clima é a principal ameaça à produtividade das lavouras de soja e milho dos três estados Sul, que passam por chuvas escassas e com volumes abaixo da média para a época. Para avaliar o impacto das estiagem sobre as lavouras, há duas semanas a Expedição Safra percorre a região e apurou que ainda não há quebra severa em nenhuma região produtora de grãos por falta de água.

Pelo contrário, os técnicos e jornalistas do projeto encontraram campos com vigor, que resistem a até três semanas de sol forte, no segundo veranico da safra. Mas a estiagem prolongada colocou os produtores em alerta e as previsões de quebra se tornaram comuns, contando com falta de chuva nos próximos dias.

Avaliações de peso, como as do secretário da Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, e da Coamo (cooperativa paranaense que recebe 5% da safra nacional de soja), Aroldo Gallassini, dão gravidade ao quadro. Eles consideram que o potencial das lavouras foi afetado e que as marcas, em queda dia após dia, terão de ser revisadas.

“Mesmo com a estiagem em dezembro e janeiro, as lavouras de soja tem mantido a produtividade. E caso as chuvas ocorram nas próximas semanas serão estabelecidas boas condições para uma safra excepcional”, avalia a economista e analista da INTL FCStone Natália Orlovicin, que acompanha o roteiro da Região Sul.

No Paraná, as chuvas continuam sendo determinantes para cerca de 40% das lavouras que estão na fase de florescimento ou frutificação. As regiões Sul, Sudoeste, Centro e os Campos Gerais devem garantir a produtividade com ao menos uma chuva, segundo o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral), que também participa da Expedição.

Já em Santa Catarina, os dois polos de produção de sementes, no oeste e centro do estado, enfrentam escassez de chuva. Com duas ocorrências pouco volumosas em 15 dias, a região central leva vantagem, mas ainda depende de um mês e meio de clima normal. A previsão é que haverá precipitações abaixo do normal e isoladas nas próximas duas semanas e há risco de a soja passar perto de um mês sem água em pleno período de enchimento de grãos.

O mesmo cenário é enfrentado no Rio Grande do Sul, que também precisa da chuva para garantir a produtividade das lavouras de soja. Em relação ao milho, o governo gaúcho tenta evitar recuo maior no plantio, que foi reduzido a 1 milhão de hectares, a menor área em mais de 30 anos. No lançamento da colheita, produtores pediram mais empenho do poder público para instalar irrigação e elevar a produtividade dos milharais.

Fonte: Agrolink