RS: laticínios gaúchos têm até final de julho para adequarem transporte

25/06/13

Os 55 laticínios fiscalizados pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) têm até o final de julho para apresentarem à Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) os seus planos de coleta e transporte de leite cru no Estado. A exigência integra as Portaria 89 e 90 – que regulamentam o cumprimento da Instrução Normativa (IN) 62, do Ministério da Agricultura, no Rio Grande do Sul.

Na sexta-feira (21), foi apresentada a primeira versão do plano de ação da empresa VRS – Indústria de Laticínios Ltda. A fabricante do leite Latvida teve as atividades suspensas durante a Operação Leite Compensado, deflagrada pelo Ministério Público em maio na região Noroeste do Estado.

Conforme explica a coordenadora da Dipoa, Ângela Antunes Souza, a medida visa a adequação dos procedimentos previstos pelo anexo 4 da IN 62 na cadeia leiteira gaúcha. Trata-se, segundo ela, de uma ampliação das informações de cadastro dos transportadores. Por isso, entre as exigências estão a definição das rotas praticadas e a quantidade de matéria-prima coletada em cada uma das propriedades que abastecem as indústrias instaladas em solo gaúcho.

“A única alteração diz respeito aos prazos. Como já está em vigor no Ministério da Agricultura, resolvemos fazer algumas alterações nos prazos com relação às células somáticas e à contagem padrão de placas. Isso para que os vencimentos passem a contar a partir de 2015 no Rio Grande do Sul”, afirma a técnica.

De acordo com Ângela, as portarias ainda avaliam os treinamentos de reciclagem exigidos para os transportadores e o vínculo entre as indústrias e as empresas de transportes. “A fiscalização fica por parte das indústrias. A ideia é responsabilizar a indústria pelo transporte e pelo treinamento por meio de uma oficialização dos vínculos já prevista pela norma nacional (a IN 62)”, sintetiza.

O secretário-executivo do Sindilat-RS, Darlan Palharini, explica que a IN 62 não estava vigente nos estabelecimentos ligados à Seapa e identifica alguns avanços com as portarias publicadas no dia 16 de maio. Entre as melhorias, ele destaca o teste de acidez e as determinações de temperatura para as coletas.

Segundo a norma nacional, o material só pode ser coletado a uma temperatura inferior a 7 graus. O fato exige que os produtores resfriem o leite antes da armazenagem nos tanques isotérmicos, o que torna os testes de resíduos de células bacterianas mais eficientes.

Portarias estaduais podem facilitar bonificações por qualidade

Um dos aspectos exaltados pelo secretário-executivo do Sindilat-RS, Darlan Palharini, diz respeito à necessidade de coletar amostras independentes em cada propriedade antes do transporte à Indústria. Isso porque as normas da IN 62 permitem o rastreamento das falhas de qualidade no leite, que costuma ser misturado nos compartimentos dos caminhões. Com isso, será possível identificar a carência de especificações mínimas e responsabilizar os produtores, que terão de indenizar os estabelecimentos de origem por toda a carga contaminada. Na avaliação de Palharini, a alteração colabora também para o pagamento diferenciado de produtores em razão dos padrões de qualidade estipulados por cada indústria.

Isso porque as empresas calculam, de acordo com a necessidade de processamento, o pagamento de bonificações. Não é incomum que indústrias de leite em pó, por exemplo, remunerem melhor o leite com maior teor de gordura. Uma indústria de queijos também pode acrescentar valores aos pagamentos em razão de parâmetros de qualidade pré-estabelecidos. Entre os quesitos mais considerados está o de gordura (3%), sólidos (8,4%), proteínas (2,9%) e células somáticas (600 mil células por miligrama de leite). No último parâmetro, há um planejamento para que até 2016 a quantidade seja reduzida a 370 mil células por miligrama. Nos demais casos, os acréscimos nos percentuais podem significar um rendimento extra aos produtores. “O plano exige que se apresente o cadastro, a rota, a quantidade coletada e as propriedades em que é feita a coleta. Isso tudo é um avanço”, diz o dirigente.

A reportagem é do Jornal do Comércio, adaptada pela Equipe MilkPoint.

Fonte: Milkpoint