Pecuária

Resíduo da uva ajuda na engorda de ovinos

Com raspa de mandioca, farelos de milho e palma, o subproduto permite ganhos de até 132 gramas por dia.

O uso de resíduo da uva processada na produção do vinho, na alimentação animal, combinado com forrageiras tradicionais – raspa de mandioca, farelo de milho e farelo de palma –, pode se tornar um bom ingrediente para engorda de ovinos. É o que revela o pesquisador Gherman Garcia Leal de Araújo, da Embrapa Semi-Árido, responsável pelos experimentos que avaliaram o potencial forrageiro deste subproduto da agroindústria do vinho.

No Vale do São Francisco, em especial no Pólo de Irrigação de Juazeiro/Petrolina, este resíduo é abundante nas vinícolas. Parte dele é usada como adubo nos parreirais e o restante é queimado. “A utilização deste material é uma maneira de reciclar seus nutrientes e pode ser um importante fator de redução de custos de produção pois, até agora, não tinha qualquer avaliação como uso forrageiro na região”, diz o pesquisador.

Conforme experimentos da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), os ganhos de peso nos animais alimentados com mandioca, farelo de milho e farelo de palma associados ao rsíduo de uvas foram de 71, 117 e 132 gramas por dia, respectivamente. Esses resultados integram a tese de mestrado de Daerson Dantas Barroso, no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), orientada por Gherman Garcia Leal de Araújo.

APROVEITAMENTO – Na região do submédio São Francisco está se consolidando um pólo vitivinícola com 500 hectares plantados com variedades de uva para vinho, que processa cerca de sete milhões de litros, detém 15% do mercado nacional de vinho e gera grande quantidade de resíduos. O aproveitamento como forrageira é uma opção interessante na suplementação alimentar de ruminantes, explica Gherman Araújo.

Segundo Daerson Barroso, os ganhos de peso obtidos pelos animais sem raça definida e oriundos de sistemas de produção da caatinga, associando forrageiras tradicionais e o resíduo das vinícolas, são muitos bons. “Quando começamos a avaliar as dietas, a expectativa era de apenas conseguir que os ovinos mantivessem o peso durante os 90 dias de duração da avaliação, mas o resultado foi além, os animais engordaram em quantidades satisfatórias”, explica.

Outro aspecto relevante dos experimentos destacado por Daerson está no rendimento da carcaça dos animais abatidos em relação ao seu peso vivo. No momento logo após o abate, retirada as vísceras e a pele, a relação anotada variou de 45% a 53%. Depois, carcaça “fria”, os percentuais ficaram entre 43% e 52%.

Fonte: Jornal A Tarde

http://www.nogueirafilho.com.br/arquivos_alimentacao/residuouva.htm

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