Reprodução

Anatomia do aparelho reprodutor

Para uma melhor compreensão do funcionamento do sistema reproduror será apresentado detalhadamente as partes constituíntes do aparelho reprodutivo masculino e feminino.

Anatomia do Aparelho Reprodutivo Masculino

Testículos: são em número de dois, de forma ovalada e consistência firme. Estão alocados na bolsa escrotal, na posição vertical e o peso varia de 50 a150 gramas. Sua função é produzir espermatozóides e hormônios;

Epidídimo: é um órgão alongado, que abraça medialmente cada testículo. Sua função é o transporte e reservatório de espermatozóides produzidos no testículo.;

Duto deferente: tem como função o transporte de espermatozóides no momento da ejaculação;

Glândulas acessórias do pênis: estão situadas junto à uretra. Tem como função produzir líquidos que nutrem os espermatozóides. Encontram-se ainda, as glândulas vesiculares, a próstata, e as glândulas bulbouretrais;

Pênis: órgão resposável pela deposição dos espematozóides no órgão genital feminino;

Prepúcio: é uma camada de pele que recobre e protege o pênis.

Anatomia do Aparelho Reprodutivo Feminino

Ovários: têm forma arredondada e são do tamanho de um avelã. Possui em sua superfície folículos que ao amadurecerem liberam o óvulo. Os ovários também produzem os hormônios resposáveis pelo cio, manutenção da gestação e do parto;

Tubas uterinas: têm cerca de 15 cm de comprimento. São tubos sinuosos que unem o ovário ao útero. O óvulo, quando liberado pelo ovário, desce através da tuba uterina e, na presença de espermatozóides, ocorre a fecundação, passando então o ovo para o útero;

Útero: consiste em um corpo verdadeiro relativamente curto (cerca de 1 cm de comprimento)  e dois cornos, os quais se conectam as tubas. O útero separa-se da vagina pela cérvix. É o órgão onde ocorre o desenvolvimento da gestação;

Cérvix: possui 3 a 5 cm de comprimento. Apresenta-se na forma de um conduto quase sempre fechado, com dobras denominadas anéis, em número de 4 a 6. Durante o cio, a cérvix se abre, permitindo a saída de muco para a vagina. A identificação da  abertura da cérvix é de extrema importância para o sucesso da inseminação.

Vagina: é ampla e tubular, com 8 a 9 cm de comprimento. Está cituada entre o cérvix e a vulva. Recebe o pênis durante a cópula e é o canal do parto.

Vulva: porção mais externa do aparelho genital da fêmea. Na porção inferior encontra-se o clitóris.

Fisiologia Reprodutiva

O aparecimento da puberdade determina o início da atividade sexual tanto no macho como na fêmea. Essa transformação ocorre aproximadamente aos 4 meses de idade, que é quando  ocorre o aparecimento do primeiro estro na fêmea e há presença de espermatozóides no ejaculado dos machos. Porém, não é a idade ideal para o início da vida reprodutiva, pois não houve o desenvolvimento corporal suficiente e além disso os espermatozóides ainda não se encontram viáveis para fecundação.

O momento em que os animais estão prontos para o acasalamento é distinto para machos e fêmeas. É recomendado que o primeiro acasalamento seja feito quando os animais atingem 65 a 70% do peso adulto para a raça. O tempo necessário para que os animais cheguem a essa porcentagem sofre a influência de diversos fatores, tais como alimentação, clima, interação social, raça e o desenvolvimento de hormônios atuantes.

De um modo geral as fêmeas estão prontas para o acasalamento aos 7 ou 8 meses, idade em que atingem 35 kgs de peso vivo (usando como padrão uma cabra leiteira adulta que pesa 50 kgs). Nos machos a idade ideal para o início da reprodução é de no mínimo um ano a um ano e meio dependendo da raça.

Ciclo Estral

O ciclo estral é o período entre dois cios, durante o qual ocorrem diversas transformações hormonais em todo o organismo, sobretudo no aparelho genital e no comportamento da fêmea. O ciclo estral tem duração de 20 a 21 dias e é dividido em quatro etapas:

Pró-estro: inicia-se o desenvolvimento de folículos. Apresenta a vulva e a vagina congestionadas, começando a produzir muco. Nesse período a fêmea fica agitada, mas ainda não aceita a “monta”. Duração: 24 horas.

Estro (cio): caracterizado pela maturação e liberação do folículo. É detectado por sinais como micção constante, agitação da cauda e diminuição na ingestão de alimentos. Somente no estro deverão ser realizadas as coberturas e inseminações. Duração: 30 a 32 horas.

Metaestro: nessa fase ocorre a ovulação e posteriormente há a formação do corpo lúteo. Duração: 12 a 36 horas.

Diestro: nessa fase a fêmea recusa a monta. Se não houver fecundação, após esse período o corpo lúteo regride. Assim sendo, os ovários sofrem novo estímulo e se reinicia o ciclo.Duração: 17 a 18 dias.

Estacionalidade Reprodutiva

Os caprinos com aptidão leiteira são oriundos de países do hemisfério Norte, e devido a isso geralmente apresentam a estacionalidade reprodutiva, ou seja, apresentam vários cios concentrados em um determinado período do ano. O Rio Grande do Sul, por possuir características parecidas as do hemisfério Norte, também sofre influência desse fator na apresentação do cio no rebanho caprino. O princípio fisiológico relacionado a estacionalidade está diretamente ligado à luminosidade, pois é fato que a maior parte dos acasalamentos ocorrem nos períodos em que a luminosidade  do dia tende a diminuir.     Portanto, torna-se necessário a adoção de alternativas que possibilitem a distribuição da produção leiteira para o ano todo.

Segundo a bibliografia consultada, a quebra da estacionalidade pode ser obtida através das técnicas citadas abaixo:

Efeito Macho: Este tratamento consiste em deixar o macho separado das fêmeas por 60 dias. Durante esse período as fêmeas não podem ter contato visual, auditivo ou olfativo com os machos. Decorrido esse tempo os reprodutores são introduzidos junto às femeas. A resposta ao efeito macho é desencadeado em 48 horas. Após o 5º dia as fêmeas apresentam os sintomas de que estão no cio. Entretanto o desenvolvimento hormonal pode ser insuficiente para que ocorra a ovulação. Sendo assim é recomendado que os animais sejam acasalados ou inseminados a partir da manifestação do segundo estro (cio).

Indução Farmacológica: Segudo Espeschit (1998) esse método consiste na introdução de uma esponja impregnada com hormônio sexual no interior da vagina da cabra. O hormônio utilizado pode ser acetato de fluorogestona (45mg) ou medroxiprogesterona (60mg). A esponja deve  permanecer de 14 a 17 dias no interior da vagina. Quarenta e oito horas antes do final do tratamento, deve ser feita uma nova aplicação de hormônios para que inicie o crescimento folicular garantindo que  a fêmea manifeste o cio. Nesse caso a aplicação deve ser feita por via intramuscular de 200 a 300 Ul de Gonodotropina Coriônica Eqüina ou 300 Ul de Gonodotrofina Coriônica Humana, mais 50 a 100 ug de prostaglandina sintética ou 1,25 mg de prostaglandina natural.

Manipulação do Fotoperíodo: Este tratamento consiste em deixar os animais expostos a 4 horas a mais de luz durante o dia. A exposição à luz deve ser de 2 horas antes do amanhecer e 2 horas após o entardecer com o auxílio de lâmpadas fluorescentes instaladas no galpão. Esse sistema deve ser feito de forma contínua por 60 dias. Ao final do tratamento os animais retornam à situação de fotoperíodo natural.

Sistema de Acasalamento

De acordo com Ribeiro (1997) e Bicudo (1998), existem varios tipos de acasalamento que podem ser empregados. Para que seja feito a escolha do melhor sistema, devem ser observadas as peculiaridades de cada propriedade. O principal fator a ser analisado é o número de fêmeas do rebanho e o objetivo é garantir que o método escolhido seja simples e maximize o aproveitamento do reprodutor, garantindo bons resultados econômicos.

Monta Natural: É um método simples e pode ser realizado de forma livre, onde os reprodutores são introduzidos junto às fêmeas na proporção de 3%. Pode ainda ser realizada de forma dirigida, onde as fêmeas são levadas até a presença do macho para a prática da cobertura.

Monta Controlada: Esse método é feito com o uso de rufiões (machos que não conseguem copular por completo, devido à um procedimento cirúrgico que impede sua ejaculação). O macho recebe uma marca de tinta no abdômen, e no momento da monta, ele pinta o dorso da fêmea. Com esse procedimento é possível fazer a detecção do cio e posteriormente a cobertura das fêmeas identificadas.

Inseminação Artificial: Método de coleta do sêmen do reprodutor para posterior deposição no genital da fêmea. O procedimento de coleta pode ser feito de duas formas:

Vagina artificial: é um mecanismo ligado a um tubo coletor que propicia a coleta de sêmen de forma induzida. Ela imita as condições de temperatura e pressão da vagina da cabra. Para um bom desempenho do macho e consequentemente da coleta, utiliza-se uma fêmea no cio como manequim.

Eletroejaculador: é introduzido no ânus do macho, e por meio de descargas elétricas leves, promove a ejaculação. É pouco utilizado na espécie caprina. O sêmen coletado pode ser utilizado de forma fresca (diluído ou fracionado), resfriado ou congelado, o que permite a estocagem e transporte do mesmo.

As principais vantagens da utilização  desse método são: melhor otimização das fêmeas, menor gasto com criação de reprodutores, programação de parições e controle de doenças transmissíveis no ato da cópula.

Gestação

Gestação é o período que vai da fecundação do óvulo pelo espermatozóide até o momento do parto. A duração é de 152 dias, mas pode variar de 144 a 156 dias, influenciado principalmemte pela alimentação, manejo sanitário e peso do animal.

A alimentação oferecida a fêmea durante a gestação é de extrema importância, principalmente nas últimas semanas de gestação que é o período onde ocorre um rápido desenvolvimento do feto e da glândula mamária.

O manejo também deve receber atenção especial. Deve-se evitar banhos frios e vermifugações o máximo que puder.

A ordenha deve ser suspensa pelo menos dois meses antes da parição.

O método de secagem deve ser feito da seguinte forma:

1º semana = ordenhar 1 vez/dia;

2º semana = ordenhar dia sim dia não;

3º semana = ordenhar a cada dois dias;

4º semana = a cabra estará seca.

Manejo Pré-parto e Parição

O rebanho em final de gestação deve receber cuidados especiais a fim de evitar situações que causem estresses e conseqüentemente abortos. As fêmeas devem ser recolhidas em baias limpas ou ficarem em piquetes próximos à visão do criador.

Os sintomas de parto são: aparecimento de colostro nas tetas, diminuição na ingestão de alimentos e finalmente a ruptura no tampo do colo do útero. A duração média para a expulsão de fetos varia de 4 minutos a 3 horas, sendo normal ao redor de 30 minutos.

O melhor parto é o que acontece de forma natural, sem a interferferência do homem. Porém em alguns casos, o auxílio é necessário. Se 3 horas após o rompimento da bolsa a fêmea não parir, algo pode estar errado e o parto deve ser auxiliado.

Fonte: http://projetosmultidisciplinares.pbworks.com/Reprodu%C3%A7ao