Manejo

Região de Monte Aprazível ajuda Colômbia a combater plantio de coca

Acordo bilateral incentiva a substituição das lavouras de coca pelo plantio de seringueiras e cacau; comitiva visita fazendas de Bálsamo e Monte Aprazível para aprender novas técnicas

A tecnologia brasileira na produção e beneficiamento doe látex   (matéria-prima da borracha) é uma das apostas do governo colombiano para extinguir as lavouras familiares de cocaína naquele país.

Um acordo entre Brasil e Colômbia, que conta com o apoio financeiro das Nações Unidas, incentiva pequenos agricultores a abandonar o plantio do entorpecente e investir no culino da seringueira.

Para conhecer os métodos usados de produção e beneficiamento do látex, um grupo de técnicos, agrônomos e produtores colombianos visitaram uma fazenda de Monte Aprazível na tarde desta terça-feira.

“O principal interesse é levar para a Colômbia a tecnologia para  o processo de produção do látex centrifugado, que é usado para a produção de materiais hospitalares, bexigas e preservativos”, afirma o diretor da Apabor (Associação Paulista dos Produtores de Borracha), Heiko Rossmann.

O grupo visita uma fazenda em Bálsamo nesta quarta, onde vão acompanhar o processo artesanal de retirada do látex.

“A produção não é suficiente para atender a demanda em nenhum dos dois países. Portanto, creio que há muito espaço para expansão da cultura”, disse o químico colombiano, Carlos Rincón.

A Colômbia conta com 35 mil hectares de seringueira. A meta imposta pelo governo é de atingir 100 mil hectares em 2020.

“Com isso, o país supriria toda a demanda interna e ainda se tornaria exportador do produto”, disse  Rossmann.

De acordo com dados do setor, o Brasil produziu em 2010, aproximadamente 35% da borracha consumida pela indústria nacional. São 70 mil hectares de plantações de seringueira.

Só no ano passado, o Brasil importou US$ 790 milhões (R$ 1,2 bilhões) em borracha produzida principalmente no sudeste asiático.

Com isso, o preço pago pelo quilo do látex bruto (produto retirado da seringueira) chega a custar R$ 4 em algumas regiões do estado de São Paulo, que é o maior produtor do país.

Rossmann aposta porém, que o interesse dos colombianos na produção do látex pode favorecer o Brasil em longo prazo. “Caso  a meta colombiana seja alcançada, poderemos, a partir de 2020, importar borracha dos vizinhos a preços menores, com acordos conduzidos pelo Mercosul.”

Plantio casado

 O Acordo entre Brasil e Colômbia prevê ainda o plantio simultâneo de seringueira e cacau, prática comum no interior da  Bahia desde os anos de 1990.

“Comprovadamente uma cultura não prejudica a outra. Assim, o produtor consegue manter receitas durante o ano todo, o que ajuda na manutenção das propriedades rurais”, diz Givaldo Rocha Niella, pesquisador do Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do governo federal  ligado ao Ministério da Agricultura.

Praga

Os visitantes colombianos conheceram ontem, em Monte Aprazível, métodos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros para combater um fungo conhecido como “mal da folha”, que prejudica a  produtividade das plantas. A praga tem efeitos mais devastadores na Bahia, principalmente em regiões litorâneas, por conta da alta umidade do ar. A Bahia é o segundo estado em produção de seringueira, superado apenas por São Paulo.

Investimento

O cultivo de seringueiras é reconhecido entre as diferentes culturas como um investimento de longo prazo já que as árvores começam a produzir o látex após o sétimo ano de plantio.

385 mi

de toneladas de borracha foram importadas pelo Brasil no ano passado.

Suplemento

Além do cacau, é possível plantar junto à cultura da seringueira diversas plantas como café e milho.

Fonte: http://www.seringueira.com/br/