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Reflexos das condições climáticas na fertilidade do solo

14/06/2016

É de conhecimento público que o agravamento das condições climáticas foi motivo de preocupação para muitos produtores rurais, impactando diretamente na produtividade de suas lavouras. Dados da Conab revelaram uma queda de 6,6 milhões de toneladas na safra de grãos brasileira pela primeira vez após seis anos de altas consecutivas.

A grande questão dentro deste contexto é como se prevenir para evitar perdas. A recomendação de Luiz Eduardo Vilela Salgado, especialista agronômico da Mosaic Fertilizantes no Brasil e Paraguai, é para que os produtores aproveitem o início do inverno para realizar o diagnóstico do solo e verificar se houve perdas de nutrientes da última safra por lixiviação, provocadas por altos volumes de precipitações ocorridas no verão no Centro-Sul do Brasil.

O excesso de chuva nesta região, de julho a dezembro de 2015, como nos municípios de Toledo (PR) e Caarapó (MS), conferiu à área índices pluviométricos acima de 3.000 mm, sendo que a média histórica é de 1.800mm – aproximadamente 60% a mais do que o esperado. “Com índices de chuva tão elevados, é possível que tenha ocorrido o processo de lixiviação, que faz com que nutrientes de carga negativa, como sulfato e boro, desçam para camadas mais profundas do solo – nas quais as raízes das plantas não conseguirão alcançá-los.”, explica Salgado.

A erosão foi outro problema recorrente neste período de chuvas elevadas. Esse tipo de fenômeno pode representar um impacto negativo expressivo no que diz respeito aos nutrientes no solo. Uma pesquisa realizada pelo Dr. Denardin et al, da Embrapa (2008), em 106 lavouras de plantio direto no Rio Grande do Sul, identificou que o carreamento de nutrientes ocasionado por consequência da corrida de grande volume de água na camada superficial do solo (erosão laminar), representou uma perda equivalente a 890 kg de cloreto de potássio por hectare e 840 kg de superfosfato simples por hectare. “Do ponto de vista da produtividade, este é um cenário alarmante para os produtores. Por isso reforçamos a importância da realização da análise de solo para investigar possíveis perdas de nutrientes”, reforça Salgado.

Por outro lado, o El Niño reduziu muito as chuvas na área do Cerrado brasileiro, efeito que resultou na baixa oferta de nutrientes para as plantas, devido à baixa quantidade de água. Dentro deste cenário, um fato identificado que impactou a produtividade na região foi o manejo de solo com aplicação superficial de corretivos e fertilizantes em solos sem construção da fertilidade no perfil. Essa prática faz com que a planta estabeleça seu sistema radicular primordialmente na superfície do solo, sendo que esta camada é a primeira a secar ao enfrentar baixas quantidades de chuva.

“Tivemos relatos que apontam grande variação no volume das colheitas da região, o que mostra que alguns produtores conseguiram manter bons índices de produtividade. Por isso ressaltamos sempre a importância de realizar o manejo adequado do solo, por meio da construção do perfil, paralelamente a uma alta produção de material vegetal (biomassa), para que os nutrientes estejam disponíveis em uma camada mais profunda, criando condições para que as raízes se desenvolvam em profundidade e, a partir disso, possam buscar água logo abaixo”, afirma o especialista.

Com os efeitos climáticos do La Niña, a perspectiva para a safra 2016/17 é de um cenário inverso. Porém, em um contexto de consequências imprevisíveis, o ideal é a busca por um sistema conservador de construção do solo, entendendo os riscos em cenários de seca ou de excesso de chuva, e trabalhando para minimizá-los. Por exemplo, em cenários de seca, rios e lagoas também secam, o que prejudica o fornecimento de água nas áreas irrigadas. Já no caso das regiões que sofrem com o excesso de chuva, o cenário exige mais cuidado, trabalhando curvas de nível e/ou a produção de grandes volumes de material vegetal, que irá propiciar a manutenção do solo para evitar deslizamentos de terra.

O alerta é para que o produtor busque realizar um manejo de solo e um programa de fertilização adequados, a fim de recuperar o rendimento da última safra. E, para isso, a construção do perfil do solo é fundamental para buscar um cenário de mais segurança para a produtividade da lavoura. Análises do CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) apontam que para obter produção acima de 90 sacas por hectare em soja é necessário um solo corrigido em até um metro de profundidade em saturação de cálcio (acima de 20% neste perfil) . “O produtor que deseja ter sucesso nessas condições terá que investir na correção de solo, indo além e considerando o tratamento em até um metro de profundidade. E, para não perder este trabalho para a erosão, terá que investir em curvas de nível de base larga e/ou na produção de grandes volumes de material vegetal”, conclui Salgado.

Fonte: Agrolink