Trigo

Reduzir o desperdício

A perda, a cada ano, de 13% da safra brasileira de grãos (soja, milho,arroz, feijão e trigo), de acordo com dois estudos que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem de divulgar, adotando metodologia inédita no País e abrangendo os períodos pré e pós-colheita, dá a medida de um desperdício altamente lesivo … RIO DE JANEIRO – A perda, a cada ano, de 13% da safra brasileira de grãos (soja, milho,arroz, feijão e trigo), de acordo com dois estudos que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem de divulgar, adotando metodologia inédita no País e abrangendo os períodos pré e pós-colheita, dá a medida de um desperdício altamente lesivo à produção e à economia nacional, estimando-se que o prejuízo seja ainda maior, já que os referidos cálculos neles contidos excluem as perdas durante a colheita e no varejo.

Informa, a propósito, o gerente de Análise e Planejamento do IBGE, Julio Cesar Perruso, que a maior parte das perdas ocorre nas estradas. Considere-se, ademais, que uma parcela de mais de 60% da produção brasileira provinda de agronegócios é transportada por rodovias, ainda que se saiba que tecnicamente essa modalidade só é a mais eficiente em distâncias de até, no máximo, 300 quilômetros. Um trabalho da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostra, por outro lado, que o prejuízo com os grãos derramados no transporte por caminhões atinge R$ 2,7 bilhões em cada safra, ou 10 milhões de toneladas.

Enquanto o primeiro estudo do IBGE revela que, entre 1996 e 2002, na fase da cultura que abrange o plantio e a pré-colheita, o Brasil deixou de colher 28 milhões de toneladas daqueles cinco produtos, ou 4,7% do total da safra, entre 1997 e 2003, conforme o segundo estudo, cujo objetivo principal foi o de calcular a disponibilidade interna dos mesmos, a perda na fase pós-colheita foi estimada em 53,5 milhões de toneladas, ou 8,% do total.

Nas fases anterior e posterior à colheita o milho concentrou a maior parte das perdas, constatando-se, de acordo com o documento do IBGE, que a cultura do milho ainda está carecendo de mais atenção da pesquisa tecnológica, bem como de maiores investimentos na produção. Quanto à soja, embora as perdas na fase pós-colheita venham se mantendo no nível de 7%, na fase pré-colheita teve perda média de apenas 2,55%, a indicar uma forte convergência de investimentos e de aprimoramento tecnológico da sua produção. No caso do arroz, a perda de cerca de 1 milhão de toneladas por safra é praticamente equivalente ao volume do produto que o Brasil importa, a cada ano, para garantir o consumo interno.

Atente-se, ademais, como os referidos estudos deixam entrever, que se na fase pré-colheita as perdas são mais difíceis de evitar, por estarem em boa parte associadas a secas ou excesso de chuvas, afora pragas ou doenças, na fase pós-colheita isso se deve sobretudo a deficiências no transporte e armazenagem e à desqualificação da mão-de-obra.

Isso induz, uma vez mais, ao reconhecimento do imperativo de revertermos o quadro de deterioração da malha rodoviária e eliminarmos os chamados gargalos logísticos que estrangulam o escoamento da produção, agravando as perdas e gerando efeitos tão desfavoráveis à economia nacional. A par disso, sobressai a necessidade de integração da política de transportes, valorizando e fortalecendo as várias modalidades de acordo com as características e potencialidades de cada uma, em proveito da eficiência do sistema como um todo.

 

Fonte: http://www.portalntc.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=37662%3Areduzir-o-desperdicio-&Itemid=310