Raças

Transferência de Embriões de Equinos

Há mais ou menos 20 anos, quando nasceu o primeiro potro de transferência de embrião, já se tinha consciência do impacto que esta técnica poderia causar no meio da criação de eqüinos.

Os criadores e proprietários de éguas mais bem informados já começavam a sonhar com a possibilidade de se conseguir mais de um potro por ano de suas melhores éguas. A transferência de embriões vem justamente para tentar ajudar os criadores a transpor o gargalo na criação de cavalos de alta qualidade que é a escassez de matrizes comprovadas. Jogada a um segundo plano em um meio onde os garanhões sempre foram a estrela principal de cada criatório, as éguas foram aos poucos obtendo o merecido reconhecimento e hoje sabe-se que um criatório de cavalos vive sem um bom garanhão mas não sem boas matrizes.

DEFINIÇÃO

A transferência de embriões é, por definição, um método artificial de reprodução que é utilizado para retirar um embrião do interior do útero de uma égua doadora e levá-lo para o interior de uma égua receptora. A receptora se encarregará de levar a gestação a termo e assegurará igualmente a lactação.

Os procedimentos básicos realizados na transferência de embriões são:

  • Sincronização da ovulação entre doadoras e receptoras;
  • Cobertura ou inseminação da égua doadora;
  • Lavagem do útero da doadora e colheita do embrião, normalmente no 7º ou 8° dia após a ovulação da doadora;
  • Localização, manipulação e eventual estocagem do embrião;
  • Seleção e preparação da égua receptora, e, finalmente;
  • A transferência para o útero da égua receptora.

A égua doadora é coberta ou inseminada próximo à ovulação , sendo o dia da ovulação designado como dia 0. No dia 7 ou 8, o útero da égua doadora é lavado para colheita de embrião. Este é localizado e identificado através de uma lupa e, em seguida, pode ser transferido para uma égua receptora de duas maneiras: cirurgicamente, através de uma incisão no flanco, ou não cirurgicamente através de uma pipeta. Atualmente, 95% das transferências de embrião realizadas são feitas pelo método não cirúrgico.

VANTAGENS DE SUA UTILIZAÇÃO

Os maiores motivos para realização de uma transferência de embriões são:

  • Égua doadoras inférteis, resultando em impossibilidade de conduzir o feto a termo;
  • Problemas físicos em éguas doadoras, como laminite ou trauma pélvico que também culminam na impossibilidade de conduzir o feto normalmente;
  • O desejo de manter a égua doadora em competições, possibilitando conciliar a carreira esportiva com a carreira reprodutiva;
  • O desejo de aumentar a produtividade de uma égua para mais de um potro por ano.

A realização da técnica de transferência de embriões traz também outras vantagens, tais como:

  • A obtenção de uma maior quantidade de descendentes de éguas superiores, de alto valor genético, fazendo com que a influência genética da fêmea no rebanho seja mais marcante;
  • A obtenção de gestações de animais em competições hípicas, permitindo manter em paralelo a atividade esportiva da égua doadora;
  • Obtenção de potros de éguas valiosas mais velhas, que podem ter dificuldade no aleitamento e na gestação ou já possuem uma degeneração uterina e lesões cervicais e vaginais;
  • Obtenção de potros de éguas de dois anos, já que nesta fase a gestação é contra-indicada e pode prejudicar o desenvolvimento da potra;
  • Obtenção de gestação de éguas subférteis, que por algum motivo ficaram impossibilitadas de gestar;
  • Obtenção de gestação de éguas que parem tardiamente na estação;
  • Obter um ou mais potros de éguas que são objetos de transação comercial, fazendo com que essas éguas, antes de serem vendidas, produzam embriões de interesse ao ex proprietário.

RESULTADOS

Os resultados de prenhez por transferência de embrião variam de acordo com a associação de dois fatores:

  • a taxa de recuperação embrionária e
  • a taxa de prenhez após a transferência deste embrião para a receptora. Em relação à taxa de recuperação embrionária, esta gira em torno de 60% ou seja, de cada 100 lavagens uterinas realizadas, consegue-se encontrar embriões em cerca de 60 tentativas.

Os fatores principais que podem afetar esta taxa são, dentre outros:

  • Dia da colheita, sendo que o ideal é que seja realizado nos dias 7 e 8 após a ovulação;
  • Fertilidade do sêmen do garanhão, onde garanhões com sêmen com melhor fertilidade aumentam a chance de recuperação embrionária. Ë por isso que o sêmen congelado, devido a sua menor fertilidade, oferece piores resultados de recuperação embrionária;
  • História reprodutiva da égua onde a taxa de recuperação embrionária é menor em éguas velhas ou subférteis do que em éguas jovens e férteis;

Já em relação à taxa de implantação embrionária, esta tem girado em torno de 65%, ou seja, de cada 100 transferências de embrião realizadas, cerca de 65 resultam em gestação.

Os fatores principais que podem afetar esta taxa são, dentre outros:

  • A habilidade do técnico que realiza esta transferência do embrião;
  • A qualidade do embrião encontrado, onde logicamente embriões em bom estado oferecem melhores resultados de prenhez;
  • A idade da doadora, onde doadoras idosas normalmente levam a taxas piores de prenhez;
  • Qualidade reprodutiva da receptora, onde deve-se utilizar de preferência receptoras sabidamente férteis, otimizando desta maneira os resultados de prenhez;

Portanto, deve-se considerar a necessidade de, em média, 3 tentativas (3 inseminações da doadora) para se obter uma prenhez na receptora, pois como foi explicado anteriormente, nem toda ovulação com inseminação resultam em fertilização; nem todo embrião é recuperado nos lavados uterinos; nem todo embrião coletado é viável e nem todo embrião viável transferido resulta em prenhez da receptora.

CONCLUSÕES

A transferência de embrião têm adquirido mais e mais simpatizantes que procuram nesta técnica uma maneira que agilizar o processo de seleção através do aumento de produtividade das éguas de genética superior. Hoje em dia, o Mangalarga Paulista, Mangalarga Marchador, Quarto de Milha , Appaloosa , Paint Horse, Árabe, Brasileiro de Hipismo, permitem e utilizam em quantidades crescentes esta técnica de reprodução artificial.

Basta citar que das 643 coberturas comunicadas na estação de monta de 1999 na raça Brasileiro de Hipismo, 123 eram referentes à comunicações de transferências de embrião (19,10%), o que significa que 1 em cada 5 potros nascidos da raça Brasileiro de Hipismo é resultado de transferência de embrião e logicamente oriundos de éguas de genética superior. Mesmo sabendo que a biologia nem sempre segue regras matemáticas, pelo menos a transferência talvez permita que o sonho dos criadores que a utilizam fique um pouco mais próximo à realidade.

Dr. Eduardo Onoe
Médico veterinário CRMV SP 7215
Centro de Reprodução Equina TOK

Fonte:

http://www.reproducaoequina.com.br/prestacaoServicos/transferencia_de_embrioes.asp