Raças

Raça Caracu

Com certeza, é o gado europeu mais adaptado ao clima tropical, pois está presente no Brasil desde o período colonial. Descendente de bovinos portugueses (Minhota e Alentejana), por meio de cruzamentos no Brasil, nos séculos XVI e XVII, resultou na raça Caracu.

Esse gado chegou ao Brasil logo no início da colonização, principalmente no Sergipe, Ceará, Bahia e Pernambuco. A seleção mais antiga, que persiste até hoje, teve início em 1893, na região de Poços de Caldas, no sul de Minas, sob o nome de “Caracu caldeano”.

O Registro Genealógico foi fundado em 1916. Nos cafezais o Caracu era responsável pelo transporte, pela aração de terras e pela produção de leite. A partir de 1935, a pecuária mudava-se para fronteiras longínquas e procurava novas raças, abandonando aquelas que haviam servido nos cafezais.

O governo introduziu o Caracu na Estação Experimental de Nova Odessa, SP, desde o inicio do século XX. Em 1976, o Instituto de Zootecnia, em Sertãozinho, SP, introduz o Caracu em suas pesquisas, tornando-se importante referência para a raça. Em 1980 surge a Associação Brasileira de Criadores de Caracu, retomando o registro que havia sido paralisado desde 1960.

Na década de 1990, foi aprovado um Herd Book especial para o Caracu Mocho, obtido por meio de infusão com o gado Mocho Nacional, também de origem aquitânica e ainda preservado no Brasil. O Mocho Nacional foi consolidado, no inicio do século, por infusão de sangue Caracu sobre o gado mocho goiano, este de origem desconhecida.

O habitat da raça está no sul de Minas Gerais, no Estado de São Paulo, no Paraná e Mato Grosso do sul, embora se encontrem animais espalhados pelo país inteiro.

Características e Funcionalidade. No início, a pelagem era a mais variada possível. Hoje, a pelagem é amarela, variando até o vermelho, evitando-se pêlos negros ou manchas brancas. Em regiões ou situações em que se busca um produto cruzado rústico e lucrativo, o Caracu surge como excelente opção pela sua secular adaptação ao clima tropical. Afinal, a raça já viveu no Nordeste, no Sudeste, no Brasil Central, no Pantanal mato-grossense e até no Sul do país. Os touros Caracu são rústicos, cobrindo as vacas em regime de pasto.

Aptidões econômicas. Atualmente, as vacas pesam entre 500-650 kg, com recordes acima de 770 kg, os touros pesam 850-1.100 kg, com recordes acima de 1.200 kg. São animais de muita longevidade produtiva.

Tecnologia genética. Foi instituído recentemente o “Census Caracu”, administrado pela USP/Ribeirão Preto e acreditado pelo Ministério da Agricultura, para promover um melhoramento acelerado da carcaça do Caracu, tendo em vista massificar o uso do Caracu e do gado Mocho Nacional nos cruzamentos. No CNPGC, da Embrapa/Campo Grande, MS, o Caracu participa de um programa de cruzamentos com outras raças.

Fonte: http://www.sic.org.br/PDF/Racas_Bovinas.pdf