Quem busca produtividade e rentabilidade na pecuária não pode deixar de fornecer minerais, seja na seca ou na época das águas

Dentre os sistemas de produção animal, a criação em pastagens é a de menor custo. Os ruminantes conseguem converter celulose em uma das melhores fontes de proteína para os seres humanos, transformando o magro capim em carne e leite. Mas para isso precisam da ajuda dos minerais.

A produção de forragens varia ao longo do ano. As condições climáticas alteram a quantidade, a qualidade e a digestibilidade do capim. E a pastagem, sozinha, não consegue suprir 100% das necessidades de minerais que o metabolismo dos animais exige.

As forragens tropicais utilizadas no Brasil têm teor de proteína entre médio e baixo, digestibilidade razoável e deficiência de minerais. Por melhores que sejam a semente e o manejo do pasto, o teor de nutrientes do capim é insuficiente para o perfeito desenvolvimento do gado. A complementação da dieta dos animais exige o fornecimento adicional de macro e micro minerais, além de proteína, energia e vitaminas em determinadas épocas do ano.

Quem busca produtividade e rentabilidade na pecuária de corte não pode descuidar do manejo nutricional do rebanho. Pesquisas comprovam que a suplementação mineral e protéica propicia a melhora dos índices zootécnicos, aumentando a produtividade e a rentabilidade da fazenda.

Há quem diga que no período das águas os animais não precisam tanto de minerais. Dizem que as pastagens estão em ótimas condições, com maior oferta de minerais, proteínas e energia, por estarem verdes e vigorosas. Julgam, com isso, que o capim seja capaz de suprir todas as exigência dos animais.

Contudo é nesse período que ocorre o maior consumo de matéria seca em virtude de um aumento de proteína, energia e assim melhor digestibilidade pelo animal. A maior atividade de digestão causa um aumento no metabolismo,  com maior gasto de nutrientes pelos microorganismos do rumem. Esse é o momento de intensificar o fornecimento de minerais. Com deficiência mineral na época das águas não é só a produtividade que cai. Os animais ficam mais suscetíveis a diversas doenças, em razão de uma depressão do sistema imunológico.

A principal finalidade da suplementação mineral no período das águas é mesmo suprir as deficiências e o desequilíbrio dos nutrientes da pastagem. Com isso se consegue elevar substancialmente os índices de produção da fazenda. Em outras palavras, a suplementação mineral não só compensa a deficiência e o desbalanço dos minerais nas pastagens, mas também propicia o melhor aproveitamento destas e da genética dos animais.

Algumas empresas oferecem no mercado suplementos minerais e protéicos específicos para bovinos de corte ou de leite. E outras têm também programas de nutrição que abrangem todas as fases do rebanho (cria, recria, engorda e reprodução). Com uso de produtos específicos permitem escolher os suplementos segundo a finalidade (corte ou leite), a fase do rebanho e ainda as condições das pastagens, conforme a estação seja seca ou chuvosa. Um rápido estudo das opções de misturas minerais disponíveis pode resultar em grandes ganhos de produtividade.

autor: Julliano Pompei

Julliano Pompei, médico veterinário do Departamento de Nutrição Animal do Grupo Matsuda.

fonte: http://www.boiapasto.com.br/nao-pode-faltar-no-cocho-o-mineral-que-o-pasto-nao-tem/