Gerenciamento de Produção

Qualidade dos Grãos Armazenados

Profª Leda Rita D’Antonino Faroni Engº Agrícola e Ambiental Douglas Ricardo Frabetti

Os cereais constituem a maior fonte de alimentos, tanto para os seres humanos como para os animais. Aproximadamente 90% dos grãos produzidos para o consumo provêm dos cereais, predominando o trigo, o milho e o arroz, que representam a base da alimentação de praticamente todos os povos.   Atualmente, a busca pela qualidade dos grãos e subprodutos é prioridade para produtores, processadores e, finalmente, para os distribuidores desses produtos. Segundo Brooker et al. (1992), são muitos os fatores que contribuem para a perda de qualidade e quantidade dos alimentos e, dentre eles, destacam-se: características da espécie e da variedade, condições ambientais durante o seu desenvolvimento, época e procedimento de colheita, método de secagem e práticas de armazenagem. Para avaliar a qualidade dos grãos, Bakker-Arkema (1993) considera diversas propriedades, tais como: teor de umidade, massa específica, percentual de grãos quebrados, teor de impurezas e matéria estranha, danos causados pela temperatura de secagem, susceptibilidade à quebra, características de moagem, conteúdo de proteína e óleo, valor para consumo animal, viabilidade como semente, presença de insetos e fungos, tipo de grão e ano da produção. No entanto, as propriedades qualitativas desejáveis dependem, especificamente, das necessidades do comprador.  O aprimoramento dos padrões de classificação e o fator de qualidade são atualmente um dos assuntos mais discutidos em todo o mundo, com base nas necessidades dos usuários finais dos grãos. Por exemplo, o Canadá e a Austrália são muito rigorosos quanto ao grau de infestação por insetos no período de armazenamento (Storey, 1988). Na classificação norte-americana, o número de insetos não afeta diretamente a comercialização, mas se dois ou mais insetos primários forem encontrados em um quilograma de grãos, a designação “infestado” aparece no laudo, podendo ser retirada depois de uma fumigação (Hagstrum e Flinn, 1992). Já os processadores de grãos norte-americanos impõem como principal limite na comercialização de grãos a presença de insetos. Além dos insetos, fungos e micotoxinas, resíduos de pesticidas e índice de trincas são, em geral,  atributos para as indústrias de alimentos. No Brasil, algumas indústrias admitem até 3% de grãos carunchados ou com insetos; outras, no entanto, exigem a classificação “isento” como padrão de qualidade.

Verifica-se, portanto, a importância que as pragas de armazenamento passaram a ter na avaliação da qualidade dos grãos.

São muitas as espécies de pragas que se encontram em produtos armazenados e seus subprodutos. Dentre elas, destacam-se os insetos como um dos mais importantes agentes responsáveis pelas perdas no período pós-colheita. A maioria das espécies são cosmopolitas, embora tenham sido disseminadas em todo o mundo, em razão, principalmente, dos intercâmbios comerciais.     Os insetos que desenvolvem em produtos armazenados apresentam características de acordo com o ambiente que se encontram os grãos e subprodutos. São pequenos, adaptados a viver em ambientes muito secos e escuros, onde outros organismos não sobreviveriam. Quanto aos seus hábitos alimentares, os insetos podem ser classificados em primários, secundários e associados. Os primários são capazes de romper o grão para atingir o endosperma; os  secundários não são capazes de romper o grão e, geralmente, vivem associados aos insetos primários, pois, uma vez rompida a parte externa do grão, são capazes de se desenvolver; enquanto os insetos associados são freqüentemente encontrados nos grãos, porém, sem danificá-los; alimentam-se de detritos e fungos, podendo, no entanto, alterar a qualidade do produto final. Os insetos se classificam em grupos com características gerais chamadas ordens; por sua vez, as ordens se dividem em famílias e estas em gêneros, que agrupam a várias espécies. A espécie engloba os indivíduos com morfologia similar, hábitos alimentares comuns e os que são capazes de reproduzir-se entre si, constituindo a base de referência para sua identificação e denominação. Para designar uma espécie, dá-se um nome comum ou vulgar, mas muitas vezes este nome pode englobar várias espécies, como, por exemplo, a palavra gorgulho. Para evitar estes problemas, a cada espécie dá-se um nome científico, geralmente em latim, composto de duas palavras, a primeira corresponde ao gênero e a segunda, à espécie. Às vezes acrescenta-se uma terceira palavra, que corresponde ao nome da pessoa que o identificou.          Os principais insetos de grãos e subprodutos armazenados pertencem à ordem Coleoptera, pequenos gorgulhos, e à ordem Lepidoptera, mariposas ou traças. Os gorgulhos, também conhecidos como carunchos, são muito resistentes, o que lhes permitem o movimento pelos reduzidos espaços entre os grãos, inclusive nas grandes profundidades dos silos e graneleiros, onde os espaços são muito comprimidos. As mariposas são frágeis e, em geral, permanecem na superfície da massa de grãos, causando assim menos prejuízos que os gorgulhos. Os grãos e subprodutos podem, ocasionalmente, ser infestados por insetos muito pequenos, conhecidos como Psocoptera. São amplamente distribuídos nas Américas e na Europa. Alimentam-se de uma grande variedade de matéria orgânica e são considerados pragas pela sua presença e não pelos danos que causam.

Profª Leda Rita D’Antonino Faroni

Engº Agrícola e Ambiental Douglas Ricardo Frabetti

Fonte: http://www.centreinar.org.br/pragas/index.html