Sanitário

Uma estranha doença ataca peixes, aprenda como conhece-la

uclydes Ruy de Almeida Dias1
Lídia Sumile Maruyama2

Uma estranha doença tem atacado peixes marinhos e também de água doce. O nosso primeiro contato foi com tainhas da região de Cananéia trazidas em 1995 pelo pesquisador Francisco das Chagas Soares (falecido em 1998). Externamente as tainhas tinham um aspecto normal, mas após serem reitradas da água, ficavam extremamente moles. Quando cozidas transformavam-se em uma massa gelatinosa e sem sabor. Mas nem todas as tainhas de uma mesma captura apresentavam essa característica. Na ocasião fizemos uma pesquisa bibliográfica e exames microscópicos, que nos levaram a supor que se tratavam de Mixoporídios do Gêneros Unicapsula ou Kudoa ( com 3 ou 4 valvas contendo cada valva uma cápsula polar).
Posteriormente em 1997, fomos consultados pessoalmente por um piscicultor de Itapetinga, Bahia, que pegou algumas tilápias e acarás de um rio local e as colocou em um açude que recebia estrume de porcos. Quando foi limpar as tilápias para consumo a pele saia junto com as escamas. A carne dos peixes quando era cozida ficava mole, pastosa e e sem sabor. Como os peixes tinham um bom aspecto, vendeu todos para um pesqueiro da região. Mais recentemente um transportador de peixes comprou um lote de tilápias vermelhas criadas em tanque rede em um rio, na região de São José do Rio Preto. As tilápias de ótima aparência, bonitas e gordas também não se prestavam ao consumo pelos mesmos motivos descritos anteriormente. Nos três casos o peixe ou vinha ou estava em contato com a natureza.

Em 1998 fomos consultados por uma colega, que recebeu uma solicitação de um pesquisador do Paraná, para ver se sabíamos alguma coisa com relação a essa estranha doença, que estava ocorrendo também no Estado do Paraná e pela descrição parecia se tratar da mesma doença causada possivelmente por Mixosporídeos.

A erradicação dos Mixosporídeos deve ocorrer com o esvaziamento e saneamento do viveiro com cal e substituição dos peixes.

Por termos ainda poucas informações, solicitamos aos nossos leitores, criadores de peixes de donos ou freqüentadores de pesque-pagues que nos escrevam ou telefonem se já tem observado essa estranha doença.

Telefonem para Ruy ou Lídia Tel. (11) 3871-7549 Inst. de Pesca.

(1) Pesquisador Científico – Instituto de Pesca – CPA – SAA – SP
(2) Bióloga/ Estagiária – Instituto de Pesca – CPA – SAA – SP

Fonte: http://www.abrappesq.com.br/materia14.htm