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Projetos que transformam arroz em etanol são apresentados no Rio Grande do Sul

Empresas públicas e privadas apresentaram soluções para escoar o excedente do grão

CANAL RURAL

Empresas públicas e privadas apresentaram nesta quinta, dia 7, soluções para escoar o excedente do arroz no Rio Grande do Sul. Uma série de projetos que pretendem transformar o grão em etanol foram apresentados em audiência pública na Assembléia Legislativa gaúcha.

Os projetos estão sendo desenvolvidos por empresas públicas e privadas do Estado. A possibilidade de uso do arroz na indústria alcooleira foi apresentada por uma empresa do município de Jaguari, no RS, que produz de sete a dez mil litros de álcool por dia.

– Tanto pode ser utilizado o arroz em grão descascado, o quebradinho, ou aquele arroz conhecido como arroz pra cachorro, que é resíduo do parbolizado. Todos esses produtos servem e dão bom resultado, praticamente 400 litros por tonelada – explica o assessor técnico, Valmor Bandiera.

O consultor da Federarroz para bioenergia, Vilson Neumann Machado, estuda o uso alternativo do cereal há mais de 20 anos. De acordo com ele, em breve seis mil refinarias serão construídas no Rio Grande do Sul. Por enquanto o projeto segue com recursos próprios, mas a idéia é obter apoio do governo.

– Nós vamos trabalhar nessa linha de etanol anidro e carburante porque mesmo o Brasil sendo pioneiro em cana no mundo, tem momentos em que nós importamos etanol produzido de cereais de outros países. Então nada mais justo, se nós importamos de cereais de outros paises, porque não produzir etanol de cereais no Brasil?

Um dos principais pontos de discussão é o uso do arroz para desenvolver um combustível menos poluente. Esta é a proposta da pesquisa realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que este ano já produziu o produto em parceria com uma empresa privada.

– Normalmente este combustível pode ser colocado em qualquer carro flex. É um combustível com etanol que sai com 96 GL, é uma característica do tipo de combustível. Ele permite ser utilizado em qualquer motor de combustível interno. O grande apelo que se faz hoje pra usar esse combustível é pela possibilidade que o biocombustível diminua o sequestro de carbono e o efeito dos gases efeito estufa – ressalta o professor da UFRGS, Harold Ospina Patino.

O Presidente da Agência de Desenvolvimento de São Borja, Francisco Rangel, projeta a instalação de uma usina de biocombústiveis, a partir do arroz, na cidade. Uma empresa foi contratada para fazer um estudo sobre a viabilidade da produção do etanol. A previsão é utilizar de um a dois milhões de toneladas de arroz ao ano e contribuir com os estoques excedentes.

– Nós estamos desenvolvendo este trabalho de estudo de viabilidade para a implantação de biorefinarias de etanol de arroz no RS porque o que nós queremos é fortalecer a cadeia do arroz e principalmente o produtor que está aí, sabe produzir, tem tecnologia, e a cada ano que passa nós batemos recordes de produtividade na lavoura. Em contrapartida estamos com excedentes de arroz que a cada ano vem aumentando, ainda mais com a entrada de arroz do Mercosul, dos países que estão olhando o mercado brasileiro.

A Comissão de Agricultura Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa gaúcha, vai encaminhar ao governo do Estado um relatório com os projetos apresentados solicitando o fortalecimento das pesquisas.

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=projetos_que_transformam_arroz_em_etanol_sao_apresentados_no_rio_grande_do_sul&id=58389