Pecuária

Programa auxilia bovinocultores de leite a aumentar produtividade

19/08/2018

Lançado em maio do ano passado, o Programa de Inclusão Social e Produtiva da Propriedade Familiar, idealizado pela cooperativa Languiru, Emater/RS-Ascar e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, tem auxiliado os bovinocultores de leite da região a aumentarem a produtividade. O projeto, que busca a continuidade das pequenas propriedades rurais, em especial as que têm o leite como matriz produtiva, visa a fomentar a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social e a estimular os agricultores para a importância de se investir em outros cultivos.

O projeto atende cerca de 100 agricultores de 18 municípios doa vales do Caí, Taquari e Rio Pardo, sendo voltado especialmente para bovinocultores que convivem com dificuldades para a produção de volumes de leite que compensem a captação de matéria-prima pela indústria, com uma escala que lhes garanta permanência no mercado. ?A intenção é evitar que os produtores deixem a atividade?, comenta o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli. ?Por isso que o programa é voltado a agricultores que trabalham com capacidade máxima de produção de 300 litros de leite ao dia?, completa.

É justamente este o caso do bovinocultor Valdírio Eberhardt, da localidade de Santa Manoela, em Paverama. Com 13 vacas em lactação, que dão 250 litros de leite por dia, o agricultor celebra os números, que evoluíram cerca de 30%, se comparado com 2017. Ao lado da esposa Roseli, Valdírio atribui o crescimento a uma atenção maior atenção a questões de higiene na hora da ordenha, à dieta das vacas leiteiras e também à genética do rebanho. ?São aprendizados que recebemos em cursos e reuniões e que, por mais que pareçam simples, são bastante significativos?, analisa.

Situação semelhante vive o produtor Edo Jung, da localidade de Linha Roncador, em Colinas. Com oito vacas em lactação, que rendem 75 litros de leite por dia, ele quase não acredita que esteve em vias de encerrar a atividade leiteira. ?Foi o incentivo da Emater que fez com que percebesse a importância dessa renda mensal?, avalia Jung, que também é ovinocultor. Com os ?pés no chão?, como ele mesmo define, o produtor estuda a possibilidade de aumentar o seu plantel e fazer pequenos investimentos. ?A gente percebe que há mercado para quem investe no leite?, afirma.

Tanto Jung quanto Eberhardt também celebram o fato de terem um rebanho com alta sanidade e com baixos níveis de Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT), o que rende a eles alguns ?valiosos centavos? de bônus, como eles mesmos definem, pagos no final do mês pela Languiru. A qualidade do leite está diretamente relacionada aos cuidados com a higiene e ao aprendizado e a troca de experiências, fomentados por meio de cursos, palestras, seminários e dias de campo, promovidos não apenas por meio desta, mas também de outras políticas públicas.

Ambos agricultores eram integrantes da Chamada Pública do Leite, operacionalizada pela Emater/RS-Ascar durante três anos (e finalizada em 2017) e que também buscou estimular a atividade. Da mesma forma, Jung e Eberhardt também receberam recursos para investimentos em áreas com pastagens permanentes e em salas de ordenha, por meio do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper). ?São valores que, para os agricultores, podem representar a diferença no que diz respeito à continuidade na atividade?, pondera Brandoli.

O Programa de Inclusão Social e Produtiva, que tem o apoio das prefeituras dos municípios envolvidos e do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa), segue neste ano com outras ações que buscam a sustentabilidade da propriedade, que incentiva os agricultores para a produção de outros cultivos que possam ser comprados pela Languiru. Em breve, uma reunião em Colinas deverá definir a aquisição de excedentes de hortaliças e frutas dos produtores que integram a política pública. Para Jung, que possui uma horta completa em casa, essa pode ser mais uma oportunidade de renda futura.

Fonte: Emater – RS