Curiosidades

Produtores satisfeitos com o trigo de duplo propósito

19/10/2017

Pecuária ou grãos? Muitas vezes o produtor fica em dúvida no momento de direcionar a atividade agropecuária. É neste contexto que o trigo de duplo propósito tem conquistado espaço, permitindo escolher o mercado mais vantajoso sem perder movimentação de renda ao longo do ano.

Diferente da safra de grãos, a produção animal permite geração de renda melhor distribuída ao longo dos meses. Na engorda de bovinos, a qualidade das pastagens pode antecipar o abate em até 60 dias. O investimento em pastagens de inverno é alternativa para os sistemas integrados de produção, priorizando a criação pecuária no inverno e liberando a área para os cultivos de verão.

Esta é a proposta do trigo de duplo propósito (trigo DP), um cereal de inverno com ciclo vegetativo mais longo que permite tanto a utilização para a alimentação dos animais através de pasto, feno ou silagem, quanto para a colheita de grãos. De acordo com o pesquisador Renato Fontaneli, as pesquisas com trigo de duplo propósito na Embrapa Trigo iniciaram em 1990 com o objetivo de oferecer mais forragens aos animais durante o vazio outonal, que comprometia a produção agropecuária na Região Sul até o crescimento das pastagens de inverno: “precisávamos de plantas com ciclo de desenvolvimento que pudesse ofertar pasto mais cedo, sem comprometer a produção de grãos no inverno. Fomos buscar a experiência de países como Argentina e Estados Unidos para a criação dos trigos de duplo propósito”.

Apesar da resistência em utilizar um grão nobre como o trigo na alimentação animal, associada a crença de que a lavoura não pudesse suportar o pisoteio dos animais, o trigo duplo propósito conquistou rapidamente as lavouras no Rio Grande do Sul, contabilizando cerca de 100 mil hectares em menos de uma década de existência.

O produtor Luiz Carlos Chiocheta conheceu o trigo de DP ainda em 2003, adotando o manejo de dois animais por hectare na engorda de bovinos, numa área com 60% de argila em Coronel Bicaco, RS. Na última safra, com o trigo DP BRS Tarumã, foram possíveis dois ciclos de pastejo e colheita de 50 sacos de grãos no inverno, além da melhora do solo para a rotação com milho e soja no verão: “na área de integração, a colheita de soja foi de 82,3 sacos por hectare, enquanto na área só com lavoura o rendimento ficou em 73,85 sacos”. Os animais estavam prontos para o abate com 100 dias de engorda, com ganho de peso médio de 1kg/dia. “A venda dos grãos tira o custo de implantação da lavoura, assim, o pasto sai de graça”, conta o produtor.

Na safra 2017, intempéries como excesso de chuva na implantação das pastagens, seca durante o desenvolvimento e a incidência de geada matou o azevém e a aveia, mas o trigo continuou verde nos quatro piquetes em Coronel Bicaco, RS. “Temos sobra de pasto para o plantel de 98 animais em terminação”, avalia Luiz Carlos Chiocheta. A cultivar escolhida pelo produtor neste ano foi o lançamento BRS Pastoreio, implantado em 49 hectares com expectativa de colheita de sementes.

Fonte: Embrapa