Pecuária

Produtores precisam ficar atentos no período de transição

29/04/2014

Uma pesquisa divulgada recentemente, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, revelou que o Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, ficando atrás apenas da União Europeia, Estados Unidos, Índia e China. No ano de 2013, foram produzidas 32,4 milhões de toneladas de leite contra 31,5 milhões em 2012.

As previsões são muito otimistas para o mercado de lácteos brasileiro e mundial. O consumo per capita nacional ainda é pequeno se comparado ao consumo de neozelandeses e americanos. Contudo, é bem superior ao registrado na Índia e China. Estudos preveem que em 2020 todos os países vivenciarão aumento de consumo de leite por habitante. Em adição, no ano de 2050, a população mundial ultrapassará os nove bilhões de consumidores de leite e seus derivados.

Para atender à demanda crescente deste alimento de alto valor biológico, todos os segmentos envolvidos na cadeia produtiva precisam atuar com eficiência. Dentre as categorias e fases, uma das mais negligenciadas, embora essencial para o sucesso da produção, é o período de transição, mais especificamente, o pré-parto.

É importante ressaltar que os distúrbios metabólicos que acometem as vacas nesta fase são inter-relacionados. Dentre tais distúrbios, grande atenção deve ser dada à hipocalcemia, caracterizada pela rápida depleção das concentrações de cálcio no sangue, devido à grande demanda de cálcio para a glândula mamária no início da lactação. Este distúrbio faz com que as vacas apresentem tremores de cabeça, contração muscular e falta de coordenação motora. Quando caem no chão, normalmente ficam prostradas.

Geralmente é observado em vacas de alta produção, a partir da segunda lactação. Animais que apresentam tal enfermidade estão mais sujeitos a outros distúrbios como retenção de placenta, cetose e mastite.

No Brasil, estudos mais recentes têm mostrado incidência de hipocalcemia ao redor de 4,5%. Nos EUA é semelhante, embora possa dobrar sua ocorrência em alguns locais. Este percentual dependerá da idade, raça, alimentação, dentre outros fatores. Estudos americanos mostram perdas da ordem de 500 kg de leite/vaca/lactação e incremento do período seco de aproximadamente cinco dias.

Vacas multíparas apresentam maior dificuldade de ingerirem alimento nas últimas três semanas que antecedem o parto. Em adição, apresentam menor capacidade de absorção intestinal de cálcio. Aquelas que produzem maior proporção de colostro, notadamente rico em cálcio, tendem a apresentar hipocalcemia com maior frequência. A alimentação tem papel marcante sobre tal distúrbio e, por isso, será mais discutida.

O período seco corresponde aos últimos 60 dias que antecedem o parto. Este pode ser dividido em dois momentos. Em contagem regressiva, o primeiro vai do 60º dia até o 21º e o segundo, do 21º dia até o dia do parto. O período mais crítico ocorre nas últimas três semanas, momento compreendido por uma redução significativa na ingestão de matéria seca, a qual pode ultrapassar 30%. Os motivos que justificam este fato são: menor espaço ocupado pelos alimentos em decorrência do grande crescimento fetal e pressão dos órgãos digestivos e alterações hormonais (aumento da concentração sanguínea de corticóides e estrógeno e redução de progesterona).

Para evitar um balanço energético negativo a dieta formulada precisa conter maior teor de proteína bruta e densidade energética.

No momento do parto, é fundamental que os animais estejam com escore corporal variando de 3,25 a 3,75, numa escala de 1 a 5. Para alcançar este objetivo o consumo de concentrado irá variar de 3,0 a 4,0 kg/dia, aproximadamente. O concentrado deverá conter macro e microminerais, bem como vitaminas. Dentre os macrominerais, destaque para Enxofre (S), Cloro (Cl), Potássio (K) e Sódio (Na). Os dois primeiros apresentam carga negativa e os dois últimos, carga positiva. A diferença catiônica-aniônica da dieta deverá apresentar valores entre -10 e -15 meq/100 g MS. Para isto, a quantidade de ânions (S + Cl) precisa ser maior que as de cátions (K + Na).

A dieta aniônica é eficiente quando resulta numa leve acidose metabólica. Na tentativa de manter a neutralidade, o organismo lança mão do equilíbrio entre cátions e ânions. Haverá redução nas concentrações sanguíneas de HCO3 e leve queda no pH sanguíneo, com isto vários mecanismos fisiológicos passam a ser mais ativos, e todos eles levando a um aumento nas concentrações sangüíneas de cálcio.

Em função da menor aceitabilidade destes sais aniônicos, a preferência deve ser por aqueles cujo efeito sobre o consumo seja menos significativo. A quantidade de sais fornecida por animal dependerá dos ingredientes que compõe o concentrado, bem como os alimentos volumosos fornecidos.

O volumoso recomendado neste período é a silagem de milho, por apresentar menor teor de Potássio. Se a dieta é formulada com ração ou núcleo que contém sais aniônicos, o animal não deverá ter acesso a suplemento mineral que contenha sódio, pois isto contribuiria para incremento de cátions. Caso o volumoso seja capim, será preciso incrementar a quantidade de sais aniônicos, em função do maior teor de Potássio.

É muito importante consultar um técnico da sua confiança, o qual definirá a quantidade correta de sais aniônicos. O fornecimento destes sais deve ser interrompido no parto, momento em que voltam a receber dieta convencional.

A Guabi desenvolveu produtos, especialmente, para atender as exigências nutricionais de bovinos de raças leiteiras de alto potencial genético. Um deles é a Lactage Pré-Parto, uma ração aniônica formulada com 20% PB, enriquecida com sais aniônicos, minerais e vitaminas A, D e E. Indicada para novilhas e vacas secas, nas últimas três semanas que antecedem o parto.

Para aqueles que possuem os alimentos concentrados, a Guabi indica o Ruminúcleo Pré-Parto 100 ADE, um núcleo aniônico, para diluir com alimentos concentrados. Sua inclusão é de 10% (100 kg/t de ração). O núcleo é formulado com 2,5% de fósforo, macro e microelementos minerais e vitaminas A, D, E. Indicado nos últimos 21 dias que antecedem o parto para previnir distúrbios metabólicos no pós-parto.

 

Fonte: Portal do Agronegócio