Café

Produtores precisam de mais de mil litros de café para encher saca de 60 kg

25/06/2014

As principais regiões produtoras de café do Brasil seguem afetadas pelos fenômenos climáticos. Após um verão mais quente e seco do que o normal, além de outono e inverno quase sem chuvas, o sudeste colhe os frutos de uma safra menos qualificada do que a esperada.

O rendimento do café está bastante baixo em diversas regiões. Cafés chochos, mal formados e miúdos tem atrapalhado a colheita de muitos produtores. Mais de duzentos responderam às perguntas sobre a qualidade da safra e dos grãos e a maioria das respostas é semelhante: 45% dos entrevistados precisam de mais de 600 litros de café para encher a saca de 60 quilos, um número superior ao normal que vai de 420 a 500 litros. Há ainda 18% que precisam de mais de 700 litros de grãos.

As partes mais afetadas, segundo a pesquisa, estão no sul do estado de Minas Gerais, principalmente em municípios como Varginha, Nepomuceno, Três Pontas, Guaxupé, Muzambinho, Itamogi e São Sebastião do Paraíso. As principais cooperativas do mercado demonstram preocupação com o produto.

Região da Coopinhal – quebra de até 40%

A Coopinhal (Cooperativa dos Cafeicultores da Região do Espírito Santo do Pinhal) que contém cerca de 500 associados e abrange 8 municípios – terá queda de 30 a 40% na produção estimada, que era de 115 a 125 mil sacas, mas que pela demanda não deve passar de 80 a 90 mil.

Segundo o engenheiro agrônomo Celso Scanavachi, da Coopinhal, a região mais afetada na abrangência da cooperativa foi o Cerrado e o Sudoeste de Minas. “Os grãos estão miúdos e isso está afetando também nossa exportação. Para as plantações mais novas estamos precisando de mais de 1.000 litros para encher uma saca, enquanto que para as adultas são necessários de 700 a 1.000 litros”, reiterou ele, que também acrescentou que entre 50% a 60% da colheita já está concluída na região da cooperativa.

A última safra da Coopinhal foi baixa com a produção de cerca de 45 mil sacas, mas com a bienalidade do café, esperavam que esse número quase triplicasse, o que não vai ocorrer.

Rendimento baixo na região da Cocatrel

A Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas – MG) também relata situação preocupantes entre os cafeicultores dos municípios cooperados. O presidente da cooperativa, Francisco Miranda, afirma que o rendimento está muito diferente em relação às lavouras mais novas e mais velhas. “Nas lavouras mais velhas, estamos precisando de mais de 600 litros de café em cereja para encher uma saca, mas em lavouras novas alguns estão precisando de mais de 2 mil litros e, em alguns casos, temos até perda total”.

A equipe da Cocatrel estima uma perda entre 20% a 30%. “As regiões mais atingidas são aquelas às margens de Furnas, em municípios como Boa Esperança, Guapé e Campos Gerais”.

Cooparaíso – perdas severas

O rendimento do café colhida na região da Cooparaíso (Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso) também está bem abaixo do normal, de acordo com o engenheiro agrônomo da cooperativa, Marcelo de Moura Almeida. “Nas lavouras velhas, estão sendo necessários entre 600 a 750 litros para encher uma saca… Já nas lavouras mais novas, estamos precisando entre 900 até 1.100 litros, em alguns casos”.

Almeida informa que a colheita ainda está no início na região de São Sebastião do Paraíso-MG. “Já colhemos entre 10% e 15%… Estamos com muito café pequeno, chocho, mas a qualidade está conservada”.

Cocapec – região beneficiada

Apesar das baixas nas diferentes regiões do país, a Cocapec  (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca-SP)  comemora uma safra boa.  “Estamos surpresos pelo lado positivo, apesar das áreas afetadas pela secura do clima, estamos estimando uma colheita de 2 a  2,1 milhões de sacas este ano”, afirmou Anselmo Magno de Paula, gerente do departamento de café. Basicamente o dobro do ano passado quando registraram cerca de 1 milhão de sacas.

Ao contrário da maioria, os locais abrangidos pela Cocapec –alguns dos principais: Franca, Pedregulho, Claraval e Ibiraci – estão enchendo as sacas com cerca de 550 a 600 litros de café.

A colheita deles está ainda no início com 10 a 15% realizada, mas os associados, cerca de 2 mil em 13 municípios  estão colhendo grãos de qualidade boa, inclusive para exportação.

Até o fechamento desta matéria a Cooxupé (Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé), a maior do mundo, não tinha compilado e analisados os dados para serem reportados.

Fonte: Coffee Break