Pecuária

Produtores de leite aprendem técnicas de cria de terneiras na Embrapa

07/04/2016

“Temos o conhecimento de como lidar com as terneiras, que é passado de geração em geração, mas aqui no curso da Embrapa eu descobri que muita coisa eu fazia errado e agora vou consertar”, garantiu a produtora Marilaine Maestri, de Conquista da Fronteira, localizado a 30 km de Hulha Negra. Ela e mais cerca de 40 produtores, daquele município, bem como técnicos da Emater, estiveram na Embrapa Pecuária Sul, na tarde de 05/04, para participar do curso “A importância da criação da terneira no futuro do rebanho”. O curso foi ministrado pela pesquisadora Renata Suñé, da área de bovinocultura de leite da Embrapa.

Segundo Alexandre Alves, engenheiro agrônomo e assistente técnico do escritório regional da Emater, o curso oferecido é o primeiro realizado neste ano segundo novos moldes, que preconizam o intercâmbio de conhecimento. “Este curso faz parte de uma evolução dos trabalhos que já vêm sendo feitos com os assentados de Hulha Negra, pois é mais enriquecedor levá-los para mostrar técnicas novas que estão sendo usadas do que somente passá-las na teoria, por isso resolvemos começar aqui na Embrapa”, comenta.

Mas por que discutir a questão da criação da terneira? “Porque ela será a futura vaca produtora de leite”, responde a pesquisadora Renata Suñé. Por isso mesmo ela precisa ser cuidada até mesmo antes da sua concepção, quando o produtor deve buscar realizar o melhoramento genético do rebanho, feito principalmente por meio da inseminação artificial, técnica que permite maior controle das parições e da contaminação. “A gente sabe que muitos produtores ainda têm receio e dificuldade para investir na inseminação artificial, pois a monta natural parece mais fácil, mas percebemos que o principal problema mesmo é a detecção correta do cio, que faz com que muitos invistam na inseminação na hora errada, causando desperdício de dinheiro e decepção por parte do produtor”, conta a pesquisadora.

Vencida essa etapa e com a prenhez confirmada, a pesquisadora apontou os principais aspectos e cuidados relacionados à terneira. “O objetivo é diminuir a mortalidade de 10 a 20% que ocorre durante a fase de cria (do nascimento ao desmame), muitas vezes devido ao fato de a terneira não receber o colostro nas primeiras horas de vida e à contaminação ambiental”, explica Renata Suñé. Para isso a pesquisadora apontou todos os aspectos que podem evitar a contaminação, como acompanhamento do nascimento do animal, que deve ser em local seco e arejado, bem como os cuidados com o terneiro nas primeiras horas (tratamento do umbigo e fornecimento de colostro).

A pesquisadora enfatizou aos participantes o programa que vem sendo realizado, com sucesso, com as terneiras na Embrapa de Bagé há 13 anos. Iniciado em 2003, após a adaptação de um programa semelhante usado no Uruguai, o sistema de Cria de Terneiras em Estacas preconiza o acompanhamento destes animais pelos seus próximos 60 dias, período em que elas recebem maiores cuidados, sendo mantidas presas por cordas em estacas, separadas umas das outras.

Durante os primeiros dois meses as terneiras são estimuladas para desenvolverem mais precocemente o rúmem, permitindo o desaleitamento mais rápido. Isso é feito com a introdução de concentrado, além de água e leite, após a primeira semana, e feno de qualidade após a 2ª semana. “Vimos verificando um ganho de peso, em média 28% maior nas terneiras criadas em estacas, além de índices bem menores de contaminação”, aponta a pesquisadora.

“Meu sonho de consumo era montar uma ternereira, com um galpão bem grande para criar minhas terneiras, porque eu achava que elas sofriam muito com o frio e a chuva do inverno. Depois do curso, vi que isso só me traria mais custos e mais problemas com a contaminação, pois elas sofrem mesmo com o sol e não com o frio. Além disso, agora vou antecipar o desmame, coisa que eu fazia só aos quatro meses, mas posso fazer aos dois”, resume, satisfeita, a produtora de leite Marilaine Maestri.

Fonte: Agrolink