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Produtores de café canéfora em Rondônia aprovam tecnologia da colheita semimecanizada no Estado

21/07/2016

Os desafios da escassez de mão de obra têm levado cafeicultores de Rondônia a procurarem por novas tecnologias capazes de mitigar esse problema. É o caso da utilização da colheita semimecanizada do café Canéfora – conilon e robusta, a qual se mostra uma opção bastante vantajosa pela redução de custos que proporciona, além da melhoria da qualidade do café colhido no Estado.

A Colheita semimecanicada do café conilon e robusta consiste basicamente no emprego de máquinas recolhedoras e trilhadoras do café baseadas no sistema de podas e renovação anual e/ou periódica das lavouras. Assim, os ramos provenientes das podas, ainda contendo os frutos, formam leiras que são trilhadas mecanicamente ou podem simplesmente alimentar as máquinas de forma manual. Essa forma de colheita semimecanizada possui grande potencial por utilizar máquinas mais compactas e de menor custo, além de não exigir a obrigatoriedade da adequação espacial das lavouras de café.

Para demonstrar as vantagens do emprego dessa tecnologia, a Embrapa Rondônia realizou no último dia 14 de julho, o workshop de Colheita Semimecanizada do Café Canéfora – Tecnologias para a melhoria da qualidade e redução de custos. As atividades teóricas do workshop foram ministradas na sede do Centro de Treinamento da Emater (Centrer) e a parte prática no campo experimental da Embrapa Rondônia, ambos localizados no município de Ouro Preto do Oeste do Estado.

O workshop reuniu produtores que representam 70% da produção de café em Rondônia e que estão buscando tecnologias e soluções para superar a escassez de mão de obra, especialmente no período da colheita, um dos principais fatores que têm limitado o desenvolvimento da produção cafeeira no Estado, tanto em quantidade como em qualidade.

Além da participação de produtores café conilon e robusta, o evento também colaborou para promover a integração e união das instituições participantes e promotoras do workshop, como Embrapa Rondônia, Emater-RO, Sebrae, Câmara Setorial do Café e demais entidades que atuam no desenvolvimento da cafeicultura no Estado. “Além do grande esforço institucional conjunto, as duas principais fabricantes de máquinas de colheita semimecanizada se juntaram, deixando de lado as questões de concorrência e competição, que são naturais no mercado, para oferecer aos cafeicultores opções para a construção de uma cafeicultura com excelência de produção e qualidade”, destacou o pesquisador da Embrapa Rondônia Enrique Alves.

A despeito de ter sido um workshop em nível estadual, o evento chamou a atenção de instituições nacionais e até mesmo de outros países que estão acompanhando a evolução da cafeicultura em Rondônia. Foi o caso da Fundação Neumann que, por meio do seu representante, Elio Cruz, participou do evento. Ele conta que havia uma imagem negativa do café no estado e que isso está mudando. “As notícias que temos hoje do café de Rondônia são as melhores possíveis, despertando curiosidade do mercado e de instituições da área. Eu vim conferir de perto e vejo que é ainda melhor do que estão falando, pois Rondônia está se tornando referência na cafeicultura”. Para Cruz, isso é resultado da união dos atores da cafeicultura no estado numa mesma linha de atuação.

Para o cafeicultor Júlio César Mendes, de Nova Brasilândia D’Oeste, que também participou do workshop, “esse ano já colhi com a máquina e tive uma redução do custo de 62%. Para termos uma ideia melhor, no passado precisei contratar 80 pessoas para a colheita e nesse ano com uma máquina trabalhamos com 12”, comemora o cafeicultor.

Ele conta que ainda tem mais benefícios. É possível fazer a poda junto com a colheita, reduzindo tempo e sem deixar a planta passar por estresse, assim como essa tecnologia  possibilita deixar o fruto madurar no pé, já que pode programar melhor o tempo da colheita. “Antes, uma colheita podia levar até 30 dias, pois a gente não sabia quando poderia contar com as pessoas para colher. E hoje a gente a faz com até oito dias; aí pode colher o fruto no tempo certo, sem risco de perder a lavoura e ganhando até mais com isso”, complementa Júlio, que é produtor de café há 17 anos. Hoje com a venda de café com mais qualidade ele também afirma estar ganhando até R$ 15 a mais por saca. Além disso, ele utiliza a máquina para fazer a colheita de seus vizinhos e também ganha dinheiro com isso. “Já quitei minha máquina”, revela.

Outros pequenos cafeicultores de Rondônia também estão apostando nessa nova tecnologia. Sozinhos ou em grupos, eles estão adquirindo as máquinas de colheita semimecanizadas de café e tornando o processo mais eficiente e lucrativo. Edimar Flegler, cafeicultor da região de Cacoal, conta que neste ano também iniciou a colheita com a máquina, que é de seu cunhado. “Melhorou em vários aspectos: diminuiu o tempo da colheita em mais de 60%; conseguimos colher uma quantidade bem maior de café para poder secar de uma vez, sem deixar ensacado e perdendo qualidade; e a gente pode colher só em família, sem mão de obra de fora”, afirma Edimar. Segundo ele, o desafio agora é conseguir vender o café com um preço maior pela qualidade agregada, o que ainda não está ocorrendo na maioria das regiões.

De olho nos cafeicultores que já estão utilizando a colheita semimecanizada do café, o senhor Milton Caffer vai adotar essa tecnologia na próxima safra. “O que me chama a atenção é a facilidade da colheita e a redução dos custos. Estou muito atento neste ano para conhecer bem a tecnologia, para no próximo ano utilizá-la na minha lavoura”, comenta. Assim como os senhores Milton, Edimar e Júlio, outros 200 cafeicultores que participaram do worshop Colheita Semimecanizada de Café Canéfora, em Ouro Preto do Oeste, ficaram interessados em utilizar a colheita semimecanizada em suas lavouras brevemente.

Realização e parcerias  – O Worshop de Colheita Semimecanizada de Café Canéfora foi uma realização da Embrapa Rondônia, Emater-RO e Sebrae. Contou também com a parceria do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, Indústrias Pallini & Alves, Indústrias Colombo (MIAC), Agro Mais e Jacomin Agropecuária e Irrigações.

Fonte: Embrapa