Produtores da Cocamar participam de evento técnico e Dia de Campo sobre ILPF em Ipameri (GO)

24/03/2015

Um grupo de mais de 40 pessoas entre produtores cooperados da Cocamar, técnicos, engenheiros agrônomos e diretores da cooperativa participaram na última quarta-feira (18), de uma reunião técnica, realizada em Caldas Novas – GO, pela Rede de Fomento à iLPF (formada pela Embrapa, Cocamar, John Deere e Syngenta) com o objetivo de discutir os principais desafios e evolução do sistema de integração lavoura pecuária e floresta.

Além da comitiva da cooperativa o evento recebeu técnicos, professores e produtores de diversas partes do Brasil. O anfitrião do evento, presidente da Rede de Fomento e presidente da John Deere Brasil, Paulo Hermann, recebeu os convidados e destacou os benefícios do sistema ILPF para o mundo. “O sistema é autossustentável e proporciona ao produtor rural integração dos diferentes sistemas produtivos e mais de um tipo de fonte de renda em sua propriedade, além de contribuir com a redução das emissões de gases do efeito estufa e desmatamento.” Hermann, ainda ressaltou que os agrônomos do futuro terão que dominar cada vez mais do apenas culturas especificas. “O nosso desafio é a quebra de paradigmas. E a Universidade é o melhor lugar para isso”, disse.

A programação do evento teve início com o pesquisador da Embrapa, João Kluthcouski, que abordou a expansão da iLPF no Brasil e os principais benefícios da tecnologia. Como exemplo o pesquisador apresentou dados de que o país possui 100.000.000 ha de pastagem degradada contra 92.333.000 ha pastagem eficiente, ou seja, existe uma margem muito grande para crescimento de produtividade. “Precisamos tornar essas áreas ineficientes em áreas produtivas. O sistema ILPF possui uma produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, sendo possível duplicar a produção de grãos, triplicar a capacidade de suporte das pastagens, produzir carne de melhor qualidade a pasto, entre outras vantagens”, disse.

Um dos pontos altos do evento foi a apresentação do presidente-executivo da Cocamar, José Fernandes Jardim Júnior, que abordou a importância das cooperativas no fomento da ILPF. O presidente apresentou a cooperativa de uma forma geral, destacou as áreas de atuação nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo e apontou as principais áreas potenciais para ILPF na região da Cocamar. “No Paraná em uma das nossas áreas de atuação existe o Arenito Caiuá que possui uma composição com variação de 8% a 20% de argila e os mais de 2 milhões de ha de pastagens, cerca de 70% estão degradadas ou em degradação. Já no oeste paulista em nossa área de atuação existe mais de 1 milhão de ha de áreas potenciais para ILPF. No bolsão sul-matogrossense, mais de 3 milhões de há.”

O executivo ainda apresentou alguns cases de sucesso de propriedades no Arenito Caiuá (área no Paraná onde a cooperativa atua a mais tempo) que possuíam lotação média de 1,0 UA/ha e produtividade abaixo de 04 @/ha/ano. Outro exemplo citado pelo presidente foi o cooperado Gerson Magnoni Bortoli, que também estava no evento, adotou o sistema de ILPF e foi ganhador por dois anos consecutivos do Prêmio de Produtividade Cocamar na região do Arenito colhendo 78 sc/ha. E ao final da apresentação o diretor concluiu. “A Cocamar tem o dever de divulgar e incentivar que os seus cooperados adotem uma tecnologia que potencializa sua produtividade e contribuiu com o meio ambiente na redução e sequestro de CO2. O investimento pode parecer alto, mas o sistema proporciona que a lavoura acabe pagando os custos parciais ou totais da recuperação/renovação do pasto, por exemplo, no logo no primeiro ano”.

Ao longo do dia foram discutidos também a Ecoeficiência de sistemas integrados e não integrados de lavoura, pecuária e floresta na região do cerrado; Planos de ação e apoio da extensão rural do estado de Goiás para aceleração do ILPF; Assistência Técnica e Gerencial pelos sistema SENAR; Programas Agropecuários do Governo Federal pelo BNDES, entre outros assuntos.

Participação Especial

No encerramento do evento, o ex-Ministro da Agricultura, (período de 1974 a 1979), Alysson Paolinelli, compartilhou sua experiência na adoção da iLP. Há 14 anos, ele adota o sistema em sua fazenda em Minas Gerais. Para a ampliação da iLPF, o ex-ministro acredita serão necessários alguns ajustes nas linhas de crédito e evolução na tecnologia, que deverá incluir outras formas de integração, como por exemplo, pastagem com leguminosa. “A iLPF é altamente benéfica para a produção e sustentabilidade. É uma tecnologia muito mais segura em comparação as que foram usadas para desbravar o Cerrado na década de 70. Mudança não se processa por acaso. Não foi fácil levar o produtor a investir no Cerrado, que cada vez dá mais certo”.

Dia de campo na Fazenda Santa Brígida – GO

Na quinta-feira (19), pela manhã o grupo que participou do evento técnico se deslocou para a Fazenda Santa Brígida, referência no Estado e modelo de negócio agropecuário sustentável a ser seguido, em Ipameri – GO, para observarem in loco os benefícios e o sistema ILPF.

Produtiva, lucrativa e sustentável, a Fazenda Santa Brígida, que utiliza o sistema ILPF desde 2006, possui 900 hectares e produz uma média de 55 sacos/ha de soja, 160 sacos/ha de milho e 50 t/ha de silagem de milho. Da safra de 2006/2007 para o ciclo 2013/2014, a lotação animal passou de 0,5 para 2,0 UA/ha – atingindo até 4,0 UA/ha na safrinha – e o ganho de peso de 2 para 16 arrobas/ha.

O cooperado Aristoclides Celestino da Silva Júnior, da região de Cianorte, que participou do evento pela primeira vez do evento revela que já utilizava a tecnologia em sua propriedade, porém, sem planejamento e suporte técnico, mas que agora após essa quantidade de informações e exemplos que apresentados irá profissionalizar a implantação do sistema em sua propriedade.

Fonte: Cocamar