Laranja

Produção Integrada de Citros – BA

Adubação

Nutrição de plantas

Alguns itens devem ser observados como a utilização de produtos registrados ou dentro da legislação vigente; efetuar análises químicas prévias do solo e foliar; estabelecer um programa de adubação e calagem, adubação orgânica e adubação verde com base nas recomendações técnicas; adotar técnicas que minimizem as perdas por lixiviação e impeça a contaminação do solo e/ou do lençol subterrâneo.

As práticas de calagem, adubação e nutrição deverão seguir as recomendações oficiais, onde parâmetros como análises de solo e foliar anuais, variedade, porta-enxerto e produtividade são considerados. Os métodos de análises laboratoriais deverão seguir os padrões oficiais de controle de qualidade.

Amostragem do solo – Na amostragem para implantação do pomar deve-se separar as áreas agrupando-as pela cor, textura, vegetação existente e relevo, plantando-se posteriormente os talhões em função desses critérios. Coletar as amostras de solo com seis a oito meses de antecedência ao plantio das mudas para que haja tempo suficiente para reação do calcário, cultivo de adubo verde ou cultura anual visando à melhoria do solo. Em cada área homogênea, retirar 20-25 sub-amostras nas profundidades de 0-20 cm, com a finalidade de recomendação de adubação e calagem e de 20-40 cm, para diagnosticar barreiras químicas, ou seja, deficiências de cálcio e/ou excesso de alumínio. Essas sub-amostras, separadas por profundidade, deverão ser homogeneizadas para compor as amostras iniciais representativas das áreas.

Em pomares já implantados, agrupar as áreas com características idênticas, em relação à combinação copa/porta-enxerto, idade e produtividade dentro das áreas homogêneas. Retirar o mesmo número de sub-amostras nas mesmas profundidades, abrangendo toda a faixa adubada,50% na projeção da copa e 50% numa distância de 1/3 alem do raio da copa, até o sétimo ano, a partir de quando se amostrará na entrelinha, garantindo-se um intervalo mínimo de 60 dias após a última adubação. Essas sub-amostras, após homogeneização, comporão as amostras representativas das áreas. Evitar coleta de partículas de fertilizantes com as amostras e utilização de materiais ferramentas contaminadas.

Amostragem foliar – Utilizando-se os mesmos critérios empregados para a amostragem de solo em pomares já implantados, ou seja, plantas homogêneas quanto ao porta-enxerto, variedade, solo e condução, fazer a amostragem das folhas. Coletar folhas no mínimo um mês após adubação; em ramos com frutos de 2 a 4 cm de diâmetro , gerado na primavera, com aproximadamente 6-7 meses de idade, retirando as folhas 3 ou 4 a partir do fruto; número mínimo de 100 folhas por talhão ou área ou seja 1% do pomar, ou 4 folhas / planta em 25 plantas/talhão ou área; observar a altura de coleta ,em torno de 1,00 a 2,00m,considerando-se os quatro pontos cardeais ou ao redor da planta. Não misturar ramos sem e com frutos; evitar folhas danificadas e não misturar aquelas sem e com sintomas de deficiências. Colocar as amostras em sacos de papel (de preferência)identificando-as corretamente e enviar ao laboratório até o máximo de dois dias ,senão guardar em geladeira até envio; ou após dois dias, secar à sombra, enviando posteriormente.

Aplicação de fertilizantes e corretivos – A aplicação dos corretivos deverá ser feita sempre que a análise de solo demonstrar a necessidade, seguindo os critérios da saturação por bases (V %). A faixa adequada de saturação por bases para citros (V2) encontra-se entre 60-70% e as doses pouco menores que 1 t/ha deverão ser aproximadas para essa quantidade. Antes da formação do pomar, o calcário deverá ser aplicado na área total com a maior antecedência possível em relação ao plantio das mudas(aração e/ou gradagem), incorporando profundamente. Em pomares implantados, o calcário deverá ser aplicado também em área total, sem necessidade de incorporação com grade.

Adubação de plantio – Deve-se realizar a aplicação localizada, no sulco ou cova de plantio, de calcário e adubos fosfatados, usando-se preferencialmente superfosfato simples, de acordo com os teores no solo. Em pomares com solos deficientes em boro (abaixo de 0,2 mg/dm3)e zinco(abaixo de 1,2 mg/dm3, é recomendado a aplicação de 1g de B e 2g de Zn por metro linear de sulco no plantio respectivamente nas formas de ácido bórico, bórax ou similar e sulfato de zinco ou outra fonte similar, podendo ambos, serem misturados e aplicados juntamente com o fertilizante fosfatado.

Adubação de formação – Inicia-se após o pegamento das mudas até a idade de cinco anos. As doses de adubos dependem da idade das plantas e dos teores de nutrientes revelados pela análise de solo. Exclusivamente para a variedade Valencia, a partir do 3º ano, as doses de potássio são reduzidas em 20%, a fim de garantir melhor qualidade dos frutos. Pode ser utilizados fertilizantes simples, formulações comerciais ou ainda combinações de ambos, atentando que a aplicação de uréia em solo úmido seguido de período de estiagem de três ou mais dias, está sujeita à perdas de nitrogênio por volatilização da amônia. Não é recomendado a incorporação com gradagem devido ao excessivo corte de raízes.

Adubação de produção – A partir do sexto ano de idade, as recomendações podem também levar em consideração a variedade, produtividade esperada, teores de nutrientes no solo e nas folhas visando boas produções e qualidade dos frutos

Épocas e parcelamento de adubação – A utilização dos fertilizantes pelos citros é melhorada com o parcelamento, onde estes são dispostos em quantidade e épocas favoráveis à absorção, preferencialmente quando houver umidade no solo ( março e agosto) ou durante o ano todo em pomares irrigados.

Localização dos fertilizantes – Uma melhor eficiência da adubação é alcançada com a localização adequada dos fertilizantes em relação ao sistema radicular mais eficiente em absorção.

Adubação com micronutrientes – A aplicação dos micronutrientes boro, manganês e zinco nos citros serão feitas no solo e/ou via foliar. Normalmente o manganês e o zinco são aplicados via foliar (pulverização) e o boro via solo, onde tem evidenciado maior eficiência. Nas aplicações foliares a inclusão da uréia e cloreto de potássio funcionam como coadjuvantes na absorção dos micronutrientes. A época mais adequada para a adubação foliar é o período de vegetação das plantas, parcelando-se em 3 a 4 aplicações. Na fase de produção, a primeira aplicação ocorre na fase final do florescimento aproveitando o tratamento fitossanitário e a segunda no fluxo de vegetação de janeiro-fevereiro. Em pomares com sintomas intensos de B, aplicar no solo 2kg de B/ha, como ácido bórico, em duas aplicações anuais. De preferência, aplicar os micronutrientes após a floração de março/abril com o objetivo de evitar o desequilibrio populacional do ácaro da ferrugem dos citros.

Adubação orgânica – A adubação orgânica é recomendada para citros e deve ser implementada, utilizando fonte e doses de orgânicos que não poluam o ambiente dos pomares.

Adubação verde – Os adubos verdes podem ser utilizados em pré e pós-plantio dos citros, dando preferência ao sistema de plantio direto, ficando o material cortado sobre a superfície do solo.

TABELA 2.  Doses para 100 l de água das principais fontes de micronutrientes.
Zinco Sulfato de zinco 300g
Manganês Sulfato de manganês 300g
Cobre Hidróxido de cobre 250g
Boro Ácido bórico

Bórax

50g

100g

Molibdênio Molibdato de sódio 30g

TABELA 3. Quantidade de adubos equivalentes a 10 kg de N. P205 e K2O.
Equivalentes (Kg)
Adubos 10 kg 10 kg 10 kg
N P2O5 K2O
Esterco de curral 2.000
Esterco de aves 500
Torta de cacau 300
Torta de mamona 200
Uréia 22
Sulfato de amônio 50
Superfosfato simples 55
Superfosfato triplo 22
Cloreto de potássio 17
Sulfato de potássio 20

TABELA 4.  Recomendação de adubação para laranja com base em análise de solo.
Plantio IDADE (anos)
————————————————————————
Safreiro
1 2 3 4 5 6
N 100 150 200 250 300 400 500 600
P no solo (mg/dm³)
0 – 6 P2O5 75 100 120 135 150 175 250
7 – 12 50 75 75 100 120 150 175
12 25 50 50 50 75 100 150
K no solo (mg/dm³)
0 – 20 100 150 200 250 300 350 400 500
21 – 40 K2O 200 250 300 400
41 – 60 150 150 200 300

OBS.: 1 – A aplicação do fosfato no plantio deve ser efetuada na cova.
2 – Todo o fosfato deve ser aplicado no início do período chuvoso, o nitrogênio e o potássio, devem ser
fracionados em duas aplicações no início e no fim do período chuvoso.

TABELA 5. Quantidade de esterco de bovinos a ser aplicado na planta cítrica e o equivalente em kg N, P205 e K20.
Quantidade/planta Esterco N P2O5 K2O
———————– (kg/ha) ———————
20 l ou 8 kg 04 20 12 20
40 l ou 16 kg 08 40 24 40
60 l ou 24 kg 12 60 36 60

Calagem – A planta cítrica se desenvolve e produz mais em solos com pH em torno de 6,0 – 6,5, que deve corresponder a uma saturação por base (V) entre 60 e 70%. Como na composição mineral da parte vegetativa predomina o cálcio, faz-se necessário o conhecimento do que o solo oferece visando adequá-lo, tanto em superfície como em profundidade, à saturação por base (V) exigida pela cultura. O principal meio para detectar a necessidade de calagem é a análise do solo. E, se comprovada a necessidade, deve-se dar preferência ao uso do calcário dolomítico, por permitir a incorporação de cálcio e magnésio. A calagem, além de elevar o pH do solo, neutraliza e reduz os efeitos tóxicos do alumínio e do manganês, melhorando o ambiente para o desenvolvimento do sistema radicular em profundidade.

Qualidade do corretivo – O calcário é tanto melhor quanto maior for seu poder de neutralização (PN), o teor de magnésio e menor tamanho das suas partículas. Para fins agrícolas, os calcários são caracterizados no laboratório com relação aos teores de cálcio e magnésio (% óxidos) e tamanho das partículas, utilizando peneiras de ABNT nº 10, 20 e 50. A tabela abaixo demonstra os valores mínimos do poder de neutralização (PN) e soma de óxidos (CaO+MgO) dos corretivos de acidez.

TABELA 6. Características dos principais corretivos de acidez.
Material PN CaO+MgO
% CaCO3 %
Calcário 67 38
Calc. Agrícola 80 43
Cal virgem agrícola 125 68
Cal hidratada agrícola 94 50
Escoria 60 30
Outros 67 38

Fonte: Ministério da Agricultura

TABELA 7. Tipos de calcário.
CaO% MgO%
Calcíticos 40 – 45 <6
Magnesianos 31 – 39 6-12
Dolomíticos 25 – 30 > 12

A soma de CaO + MgO não pode ser menor que 38%.

Fonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Citros/CitrosBahia/adubacao.htm

Antônio Souza Nascimento

Engenheiro Agrônomo, D.Sc. em Entomologia, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BAE-mail:
E-mail: antnasc@cnpmf.embrapa.br

Antônia Fonseca de Jesus Magalhães

Engenheira Agrônoma, Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail: antonia@cnpmf.embrapa.br

Claudio Luiz Leone Azevêdo

Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail: claudio@cnpmf.embrapa.br

Clóvis Oliveira de Almeida

Engenheiro Agrônomo, D.Sc. em Economia Aplicada, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail: calmeida@cnpmf.embrapa.br

Eugênio Ferreira Coelho

Engenheiro Agrônomo, PhD. em Engenharia de Irrigação, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail: ecoelho@cnpmf.embrapa.br

Hermes Peixoto Santos Filho

Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Fitopatologia, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA
E-mail: hermes@cnpmf.embrapa.br

José Eduardo Borges de Carvalho

Engenheiro Agrônomo, D.Sc. em Manejo e Conservação do Solo, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail:jeduardo@cnpmf.embrapa.br

Laercio Duarte Souza

Engenheiro Agrônomo, D.Sc. em Física de Solo, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA. E-mail:laercio@cnpmf.embrapa.br

Marcio Eduardo Canto Pereira

Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail:marcio@cnpmf.embrapa.br

Marília Ieda da Silveira Folegatti

Engenheira Agrônoma, D.Sc. em Tecnologia de Alimentos, Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA.
E-mail:marilia@cnpmf.embrapa.br

Orlando Sampaio Passos

Engenheiro Agrônomo, Especialização em Fitomelhoramento,  Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA
E-mail:orlando@cnpmf.embrapa.br

Ygor da Silva Coelho

Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007; CEP 44380-000 – Cruz das Almas-BA
E-mail:ygor@cnpmf.embrapa.br