Rações

Produção de aves e suínos ganha novas recomendações para suplementação com minerais orgânicos

31/03/2017

Inclusão desses ingredientes na dieta dos animais reduz excreção no meio ambiente e auxilia na qualidade do produto final. Nova edição de tabela de exigências nutricionais para o setor foi apresentada pela Universidade Federal de Viçosa

A Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG) lançou a nova edição das “Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos”, considerada uma das maiores referências para a agroindústria mundial na formulação de rações. Essa é a 4ª edição do material, o qual foi apresentado durante o IV Simpósio Internacional sobre Exigências Nutricionais de Aves e Suínos, nos dias 29 e 30 de março, na própria UFV-MG.

A nova edição constatou, por meio de estudos, a eficiência dos minerais orgânicos na suplementação dos monogástricos, a partir do acompanhamento da inclusão dos ingredientes na dieta de suínos entre 30kg e 50kg e em frangos durante o período de crescimento. A análise apontou que, em forma orgânica, os níveis de minerais necessários para o desempenho dos animais são entre 33% e 50% menores do que na forma inorgânica, percentual que varia de acordo com a espécie e destinação para corte ou reprodução. Isso ocorre por conta da biodisponibilidade dos microminerais, que facilita a absorção dos nutrientes no trato digestivo, favorecendo, por exemplo, o ganho de peso e a eficiência alimentar da granja.

Outras vantagens relacionadas a esse tipo de suplementação de formulação orgânica são o menor impacto ambiental e o retorno para o consumidor. “Nossas recomendações do nível de microminerais orgânicos para as dietas têm uma redução significativa, que pode ser de até 50% do teor recomendado para o inorgânico, o que resulta no melhor aproveitamento pelo animal. Então, a primeira coisa a ser considerada é a redução da excreção de microminerais no meio ambiente por meio das fezes, que podemos observar na cama de frango. Isso reduz o risco de contaminação ambiental pela menor deposição de resíduos. E pode, inclusive, beneficiar os consumidores, que vão encontrar mais qualidade nos produtos avícolas e suinícolas por conta do desempenho que tiveram no campo”, explicou o professor do departamento de Zootecnia da UFV-MG, Horácio Rostagno, durante o lançamento da publicação.

Essa é a primeira vez que as tabelas orientam a diferenciação das recomendações da substituição de minerais inorgânicos por orgânicos e de vitaminas para suplementação. Além disso, a professora do Núcleo de Zootecnia da UFV-MG, Melissa Hannas, destacou que a edição contou também com atualizações relacionadas ao desenvolvimento e avanço genético dos animais. “Uma vez que temos avanços genéticos ligados, principalmente, à eficiência alimentar e conversão, tivemos que fazer esses ajustes no consumo e ingestão de nutrientes. Foram recalculadas todas as exigências para energia considerando mantença e produção. Em função disso, se tem a definição de proteína ideal para a formulação de rações. E outra novidade é a relação de nitrogênio essencial, que permite trabalhar com rações mais próximas do que o animal precisa”.

Experiência
No campo, alguns produtores já têm colocado em prática a utilização dos minerais em sua forma orgânica e os resultados têm mostrado eficiência e ganho de desempenho para as granjas. “Assim como os estudos têm comprovado a eficácia dos microminerais orgânicos, já temos acompanhado o desempenho de algumas indústrias na utilização desses ingredientes. Por exemplo, no caso avícola, é possível alcançar melhoras de carcaça, empenamento e produção de ovos. E a inclusão dessa fonte orgânica deve ser uma tendência para os próximos anos, porque está atrelada ao conceito de sustentabilidade, justamente pela questão de resultar em menos excreção para o meio ambiente”, relata a gerente técnica da Alltech do Brasil, Marlene Schmidt.

Evento
Na terça-feira (28), antecipando os debates do evento de lançamento, o doutorando da UFV-MG, Helvio da Cruz Ferreira Junior, compartilhou durante o Simpósio Alltech de Eficiência Mineral, o estudo que realizou sobre o balanço de minerais para aves que auxiliou na elaboração das tabelas. O evento, contou ainda, com a apresentação de outras tendências da nutrição de monogástricos. O professor e doutor da Universidade Federal de Pelotas, Fernando Rutz, expôs alguns estudos sobre a interferência de um animal doente e/ou estressado para produção e reforçou que a estratégia para minimizar esse problema inclui desde vacinação, nutrição, manejo, fisiologia, planejamento e gestão da propriedade, até genética.

O encontro promovido pela Alltech contou, ainda, com uma abordagem global do doutor Ramon Diniz Malheiros, que apresentou as novidades dos Estados Unidos da América na área de nutrição, mostrando que o Brasil tem todas as condições de competir com a produção global. Segundo Malheiros, a indústria e os produtores brasileiros precisam estar atentos as mudanças ditadas pelos consumidores, que incluem a produção livre de antibióticos e sem gaiolas.

Fonte: Agrolink