Produtivo

Processos de Propagação da Seringueira

PROPAGAÇÃO SEXUADA -Também conhecida como plantio de“seedlings” ou “mudas de pé franco”, consiste no plantio no local definitivo de sementes recém germinadas. Apresentam como fatores negativos, um longo período de imaturidade em decorrência da desuniformidade no crescimento das plantas e desuniformidade produtiva, devido a baixa produtividade da maioria dos “seedlings”, onde 75% da produção de uma determinada área pode ser representada por apenas 25% das árvores boas produtoras e, os 25% da produção restante representam a contribuição de 75% das árvores restantes de baixa produtividade individual.
PROPAGAÇÃO ASSEXUADA -O processo de propagação agâmica da seringueira é realizada através da enxertia, tendo por finalidade manter as características desejáveis e inalteradas. Este método foi desenvolvido por VAN HELTEN na Indonésia em 1916.

O método de enxertia consta da substituição da copa de um porta enxerto comum por um clone previamente selecionado, apresentando alta produtividade, resistência a doenças e outros caracteres fisiológicos e vegetativos desejáveis ao cultivo.

Desde o desenvolvimento deste processo de propagação, que inovações vem sendo adquiridas visando o aprimoramento e redução do tempo de formação das mudas, para isto alguns tipos são usuais como descritos a seguir:

ENXERTIA MADURA – Enxertia marrom (convencional), foi desenvolvida por FORKERT (1951) e consta da técnica de introdução de uma gema dormente em um porta enxerto com idade a partir de dez meses e 2,0 cm de diâmetro a 5,0 cm do solo. O índice de pegamento (eficiência) pode ser superior a 80% quando executado por pessoal bem treinado. Este método de enxertia pode ser feito no viveiro a pleno solo, em viveiro em sacos plásticos, ou no local definitivo e consiste em destacar a lingüeta da casca do hipobioto em forma de “ U” invertido, através de duas incisões paralelas de 5 a 6 cm no sentido longitudinal, distanciadas 2,0 cm e uma incisão no sentido transversal ligando as extremidades superiores. Em seguida, introduz-se a borbulha na janela de cima para baixo, recobrindo-a com a lingüeta do porta enxerto. Finalmente, com uso da fita plástica transparente, faz-se o amarrio de baixo para cima, em espirais sucessivas, destacando-se 2/3 da lingüeta. A borbulha utilizada como epibioto é retirada com um auxilio de um canivete de enxertia, utilizado pelo enxertador que retira um fragmento de casca e lenho da haste clonal (vergôntea), contendo uma gema em dormência., em seguida faz-se a apara das bordas da borbulha (gema) e se destaca da casca a parte lenhosa a ela fixada, fazendo todo movimento apenas com o lenho. Deve-se ter o cuidado de retirar o escudo (gema ou borbulha) com tamanho um pouco menor que a janela do porta enxerto, não tocar nas superfícies cambiais e evitar colocar a borbulha invertida (gema de cabeça para baixo).
ENXERTIA VERDE – A enxertia verde (Greenbuding),conhecida também como enxertia herbácea, foi desenvolvida por H.R. HUROV em Bornéu. É a técnica de enxertia que possibilita o aproveitamento de porta enxertos mais jovens. Isto ocorre entre os 4 e 6 meses de idade quando os mesmos apresentam aproximadamente 1,0 cm de diâmetro a 5,0 cm de altura do solo. A prática é idêntica à enxertia madura; o que difere é a idade do material. Não é muito utilizada na Bahia.

Após 23 dias de realização da prática é feita a primeira verificação do pegamento do enxerto, e retira-se a fita que envolve a gema; em caso positivo, a muda enxertada será marcada com um laço utilizando-se a própria fita da enxertia. Transcorridos mais sete dias, faz-se a segunda verificação.

Concluída esta prática as mudas estarão aptas a serem decapitadas e levadas pra o local definitivo. A decapitação deve ser realizada dez dias antes da muda ser arrancada, para a gema seja estimulada e intumesça. Consta da retira da parte aérea da muda enxertada através de um corte em bisel 2 cm acima da parte superior do enxerto, ficando a parte mais alta voltada para o mesmo. No local do corte aplicar tinta à base de óleo ou parafina derretida, a fim de impedir a perda de água e penetração de agentes patogênicos. Caso não se faça a decapitação, a muda enxertada poderá permanecer “armazenada” no viveiro, aguardando a época propícia para o plantio.

Quando o arranquio for realizado com uso do “quiau” fazer a decapitação com facão, a uma altura de 0,60m, deixando para preparar a muda após a operação.

ENXERTIA DE COPA – É o método usado em seringueira envolvendo uma dupla enxertia com a intenção de formar uma planta composta, denominada tricomposta. Esta planta é constituída pelo sistema radicular de hipobioto, no qual é enxertado, próximo ao solo (5 cm) um painel de corte de um clone de alta produção e a copa de clone resistente ou tolerante a doenças. Esta enxertia é uma variante da verde com o mesmo procedimento. A técnica da enxertia de copa foi inicialmente desenvolvida por CRAMER em Java e deve ser feita à altura de 2,20m a 2,50 m em tecido verde, entre o penúltimo e o último lançamento foliar totalmente maduros usando hastes clonais com 3 a 4 meses de idade, usando a técnica da enxertia verde. Essa enxertia pode reduzir a imaturidade da seringueira, porém precisa de estudos aprimorados sobre a compatibilidade copa – painel, pois além de provável efeito de redução na produção do clone de painel, a qualidade e coloração do látex podem ser afetadas no caso de uma combinação indevida (PEREIRA,1986).
Fonte:  http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA