Manejo

Procedimentos técnico-operacionais para aplicação de Defensivos Agrícolas

Escrito por Rubens Paulo Stamato Júnior

1. Aspectos Técnicos

A aplicação de defensivos agrícolas em citros pode ser efetuada por diferentes equipamentos, os quais possuem características bem definidas, sendo os principais os seguintes:
pulverizadores com pistolas.
turbo-pulverizadores.
Com qualquer dos equipamentos utilizados, é necessário se levar em consideração três fatores de aplicação, para o sucesso no controle de pragas e doenças:
geração e condução da gota.
deposição da gota.
princípios básicos operacionais.

1.1 – Geração e condução da gota

Os pulverizadores existentes no mercado utilizam bicos hidráulicos, assim denominados por gerarem as gotas através da passagem forçada de um determinado volume de líquido, sob pressão controlada, por um orifício calibrado. O bico hidráulico deve atender basicamente a três funções essenciais:
– definir um volume de aplicação à pressão escolhida.
– gerar um padrão de gotas o mais homogêneo possível.
– distribuir estas gotas o mais uniformemente possível.

Para se obter uma deposição adequada de gotas, tanto externa quanto internamente às plantas, deve-se trabalhar com gotas finas, as quais apresentam comportamentos aerodinâmicos mais eficientes. Por esta razão, o uso de bicos de jato cônico vazio são os mais recomendados, principalmente quando se trabalha com o turbo-pulverizador, que dispõe de correntes de ventos fortes e direcionadas. Gotas grossas e pesadas, geradas por bicos de jato plano (leque) e/ou jato cônico cheio, somente se depositarão com mais facilidade nas partes externas das plantas, ocasionando escorrimentos e perdas, alem de gerar uma população de gotas mais pobres e ineficientes, sem possibilidade de penetração, acompanhando as correntes de vento dentro das plantas, não sendo, portanto recomendadas para a pulverização de inseticidas, acaricidas e fungicidas, nos citros. Por outro lado, pressões de trabalho muito altas – acima de 200 libras/pol2 – ocasionam uma desordenação do espectro de gotas, causando o mesmo efeito daqueles obtidos com os bicos do jato plano ou cônico cheio. O espectro de gotas é o intervalo entre o menor e o maior diâmetro das gotas e quanto mais estreito for este intervalo, mais homogênea será a aplicação da calda a ser pulverizada.

1.1.1 – Bicos de pulverização

Conforme descrito anteriormente, são três os tipos de bicos disponíveis, de acordo com sua forma de pulverização:
– bicos de jato plano.
– bicos de jato cônico cheio.
– bicos de jato cônico vazio.

a – Bicos de jato plano

São constituídos de uma ponta que produz um tipo de jato em forma de um plano mais ou menos uniforme e que têm como características fundamentais a geração de gotas grossas e trabalharem a pressões bem baixas – 15 a 60 libras/pol2. A sua faixa de deposição se apresenta com uma maior quantidade de volume de líquido e de gotas na parte central do jato, com decréscimo para as extremidades. Devido à forma de seu orifício e pressões de trabalho relativamente baixas, gera gotas de grande diâmetro e pesadas e por esta razão são mais recomendados e adequados para a aplicação de herbicidas em pré-emergencia, onde o controle de deriva é fundamental, devido os produtos usados serem menos seletivos às culturas de maneira geral. Nas pulverizações onde se necessita a deposição de gotas de maneira uniforme, dentro das plantas ou em ambas as faces das folhas, como exigem as aplicações de herbicidas pósemergentes, acaricidas, inseticidas e fungicidas, estes tipos de bicos ou pontas são menos eficientes que as pontas de jato cônico vazio e, portanto têm restrito o seu uso.

b – Bicos de jato cônico cheio

Foram desenvolvidos a partir dos bicos de jato cônico vazio, para que pudessem melhorar a penetração e envolvimento das plantas. Aplicando-se em conseqüência um maior volume de calda, baseado no conceito errôneo de que quanto maior o volume de calda usado, melhor é a pulverização. Como possui as mesmas características dos bicos do jato plano, fica também restrita e não recomendada a sua utilização para a aplicação de defensivos agrícolas que necessitam do uma ação de penetração. No entanto, podem ser recomendados em aplicações de herbicidas em pré-emergência, em condições climáticas extremas, com baixa umidade relativa do ar, temperaturas elevadas e ocorrência de ventos, quando os bicos de jato cônico vazio não teriam um bom desempenho. 0 seu volume de aplicação deve ser bastante alto, trabalhando com pressões entre 15 a 20 libras/pol2. Os bicos de jato cônico cheio são aqueles que utilizam o mesmo tipo de difusor ou “core” dos de jato de cônico vazio, porém com um furo na sua parte central, o que dá origem à forma de cone cheio. A recomendação de alguns técnicos e fabricantes quanto a utilização de bicos de jato cônico cheio alternados com bicos de jato cônico vazio, baseia-se no antigo conceito de que jatos com ângulo estreito e direcionado, darão uma melhor penetração e deposição de gotas. Este conceito é completamente errado e inadequado, pois como as gotas produzidas são muito grossas e pesadas, não conseguem ser arrastadas pelo fluxo e velocidade do ar gerado pela turbina, caindo próximo à maquina ou depositando- se somente na parte externa da planta. Por estas razões, é conveniente repetir que bicos com pontas de jato plano ou com pontas e difusores que geram um jato cônico cheio, produzirão gotas grossas e pesadas, deposição excessiva com grande escorrimento do produto na parte externa, penetração pobre das gotas no interior da planta, com conseqüente aumento no volume de calda aplicada.

c – Bico de jato cônico vazio

O melhor efeito de uma pulverização onde a penetração e deposição desejada das gotas ocorra tanto externamente como internamente, sendo a mais densa e uniforme possível. será obtida com gotas de diâmetro na faixa de 150 a 250 micras. As gotas geradas por um bico de jato cônico vazio, trabalhando na faixa de pressão adequada – entre 120 e 200 libras/pol2 – produzem um espectro bastante favorável e adequado àquela faixa, diferente do que ocorre com as gotas geradas pelos outros bicos, onde as gotas superam o diâmetro médio de 450 micras. Para que se obtenha o melhor efeito, tanto em tamanho, como em transporte e deposição de gotas geradas por um bico de jato cônico, é necessário que o mesmo esteja posicionado a uma distância mínima de 50 cm do alvo a ser atingido, para que as gotas geradas tenham o tempo necessário para a sua formação final e a nuvem de gotas possua a turbulência adequada para se conseguir o envolvimento e penetração na planta, arrastada pelo fluxo de ar gerado pela turbina.

1.2 – Deposição da gota

A deposição das gotas sobre um alvo é efetuada pelo processo de sedimentação ou por impacto, quando forçadas por uma forte corrente de ar. A dispersão das gotas em uma corrente de ar deverá ser efetuada através de uma boa velocidade inercial para que possam chegar ao alvo desejado. Em função de sua pequena massa, as gotas pequenas não permitem sua projeção em direção ao alvo desejado, apenas utilizando se de sua velocidade inercial, ao passo que gotas grossas e médias adquirem maior velocidade e portanto podemos dizer que a deposição de gotas sobre um alvo é influenciada pelo tamanho e massa destas gotas. Desta forma, pode-se afirmar que gotas muito finas terão sempre a tendência de permanecerem suspensas no ar e se perderem por evaporação, volatilização ou deriva. Através de testes, pode-se comprovar que gotas com diâmetro inferior a 80 micras dificilmente conseguem se depositar em alvos agrícolas, enquanto que os mesmos testes mostram que há grande eficiência na coleta de gotas entre 150 e 250 micras. Abaixo, pode-se ter uma idéia da influência da gota em relação a seu tamanho:

A condução de gotas geradas pelos bicos de pulverização será efetuada da seguinte forma:

– pistola de pulverização

O processo resulta diretamente da velocidade inercial das gotas produzidas e do diâmetro e peso das mesmas. As gotas mais pesadas e com maior velocidade terão sua trajetória mais curta, finalizando por um impacto maior e menor penetração foliar. Já as gotas menores e mais leves terão uma velocidade inercial menor e conseguirão, com a ação de correntes de ar existentes no momento da aplicação, penetrar e se depositar no interior da planta. A pistola de pulverização trabalhando com um jato fechado produzirá gotas mais grossas que aquelas que serão produzidas com o jato aberto. Portanto, escolhendo-se uma regulagem intermediária, o trabalho será melhor aproveitado.

– turbo-pulverizador

As gotas geradas pelos bicos deste equipamento serão conduzidas até o alvo pelas correntes de ar geradas pelo próprio equipamento e que permitirão, em função do peso e diâmetro das mesmas, um maior ou menor alcance e penetração no interior da planta. Gotas mais pesadas serão retidas pela superfície externa da planta, ocasionando escorrimentos e perdas de produtos, enquanto que gotas finas e médias terão melhor facilidade de penetração. A velocidade de deslocamento da máquina e o direcionamento dos bicos nas barras terão também grandes influências no sucesso das aplicações. Na próxima edição estaremos discorrendo sobre os princípios básicos e procedimentos operacionais para que se possa efetuar uma correta calibragem das máquinas, bem como sobre problemas operacionais diversos com turbo-pulverizadores e ainda alguns fatores que influem na qualidade de aplicação, tais como mistura de produtos e pH da calda.

Fonte:  http://www.agrofit.com.br/portal/citros/53-citros/141-procedimentos-tecnico-operacionais-para-aplicacao-de-defensivos-agricolas-1