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Preservar o agronegócio e incentivar o cooperativismo

10/04/2015

O cooperativismo gera riquezas à sociedade brasileira, proporcionando inúmeros outros efeitos positivos de forma direta e indireta. Esse sistema está enraizado em algumas regiões do Brasil, onde representa importante diferencial, uma vez que são inquestionáveis os seus resultados sobre a economia e os reflexos na qualidade de vida da população.

O Paraná é referência no que o sistema pode fazer, mas incontáveis exemplos de sucesso se propagam pelo País. Demonstram, claramente, que a associação de pessoas em torno de objetivos comuns é capaz de assegurar-lhes avanços que seriam impensáveis individualmente.

No segmento do agronegócio, em que se observa uma acirrada concorrência com as companhias mercantis e as grandes corporações multinacionais, as cooperativas conseguem ser, ao mesmo tempo, uma sociedade de produtores (que atua focada em sua essência e nos princípios da cooperação, retornando a eles os resultados) e uma empresa preparada para competir com desenvoltura nesse mercado.

Num Estado em que predominam pequenas e médias propriedades rurais – as quais, teoricamente, seriam mais vulneráveis ao cenário de ferrenha competitividade do setor -, eis que cooperativas se desenvolveram para organizar a produção e industrializá-la. Formam um grande guarda-chuvas sob o qual os associados se sentem amparados e conseguem prosperar, vendo o produto de seu trabalho chegar em forma de itens diversos nas prateleiras dos supermercados.

A despeito dos percalços da economia nos últimos anos, as cooperativas paranaenses superaram grandes barreiras e apresentaram um crescimento expressivo que espelha o atendimento das expectativas dos seus associados. Só para se ter uma ideia, a expansão média anual do sistema, ao longo dos últimos dez anos, de acordo com a Ocepar, nunca foi inferior a 10%. E não estamos na China.

Agora, ao concluir seu planejamento estratégico para o período 2015-2020, elas vislumbram o futuro com muitos desafios, mas levam em conta as possibilidades para continuarem a se expandir, seja no recebimento de produtos agropecuários ou na industrialização, explorando o potencial que há em suas regiões.

O sucesso de uma cooperativa depende, principalmente, da confiança dos associados e isto também é nítido no Paraná, onde dezenas de milhares deles acumulam as safras nos armazéns de suas organizações para comercializá-las paulatinamente, à medida que surgem oportunidades.

Vale ressaltar, entretanto, que o agronegócio – a locomotiva da economia brasileira – e mesmo o cooperativismo, não podem prescindir do apoio e da atenção governamental. Num ano em que se promovem fortes ajustes na economia, os produtores, assim como o restante da população, são tomados de incertezas e se veem expostos aos seus efeitos.

O campo produz grandes volumes de alimentos, que geram excedentes para exportação. Ao colocar comida a preço relativamente barato na mesa dos brasileiros, isto significa que os produtores estão sendo, também, um fator de paz social.

Preocupa, sobremaneira, o aumento das taxas de juros a níveis muito acima dos praticados nos últimos anos, o que certamente irá limitar a incorporação de novas tecnologias e trazer impactos negativos à produção de comida. Em paralelo, o aumento de custos com a disparada do dólar se soma à apreensão quanto a um mercado internacional cada vez mais abastecido, em especial no que refere às principais commodities agrícolas, cujas cotações vêm em queda desde o segundo semestre de 2014.

É preciso que os governantes estejam atentos e trabalhem no sentido de preservar um dos únicos setores capazes de contribuir, efetivamente, para que o país seja recolocado nos trilhos.

Talvez seja o momento também de incentivar, com maior ênfase, o associativismo, oferecendo a esse sistema, em todos os setores, condições para que desenvolva suas atividades da maneira que lhe é mais natural: promovendo o desenvolvimento e, por conseguinte, gerando mais qualidade de vida à população.

Por Luiz Lourenço, presidente do Conselho de Administração da Cocamar Cooperativa Agroindustrial

Fonte: Cocamar