Reprodutivo

Precocidade na prenhez de novilhas é alternativa para produzir mais em Mato Grosso

13/06/2016

A precocidade da reprodução das novilhas em Mato Grosso com até 18 meses de vida pode ser uma alternativa de elevar a produção de carne e até mesmo de lucratividade para o produtor. Programas de melhoramento genético utilizados no Estado já permitem, inclusive, o início aos 14 meses. O Brasil tem como desafio aumentar sua eficiência na produção de carne, hoje considerada baixa em relação aos Estados Unidos.

O Brasil é hoje um dos maiores exportadores de carne bovina, porém a concorrência do mercado global pela proteína animal coloca a pecuária brasileira em uma corrida contra o relógio, principalmente por não conseguir acompanhar a velocidade com que a demanda pelo produto cresce.

Segundo dados do banco holandês, Rabobank, no Brasil os animais costumam ser abatidos a partir dos quatro anos, enquanto nos Estados Unidos dos dois anos. O peso da carcaça bovina brasileira pesa em média 239,5 quilos ante os 360,35 quilos dos Estados Unidos. Outro fator é que o Brasil tem um bezerro mais leve com 190 quilos em média contra 300 quilos do país norte-americano.

Segundo o CEO do Grupo JD no Brasil, Arnaldo Eijsink, o Brasil precisa ser mais competitivo. O Grupo JD é especialista em pecuária de seleção e melhoramento genético para bovinos de corte. No Brasil são 47 fazendas em 13 estados, sendo em Mato Grosso a Fazendas São Marcelo, além de três países na América do Sul.

O médico veterinário e mestre em reprodução animal, Marcelo Almeida Oliveira, avalia que o desafio da pecuária é produzir animais comerciais destinados ao abate cada vezes mais pesados. Ainda de acordo com o especialista, outro desafio é inicias a fase reprodutiva das fêmeas antes dos 27º mês de vida. “Por meio do melhoramento você faz a seleção e consegue restringir à atividade ou à função reprodutiva somente os animais que têm potencial genético para melhorar os níveis de produção”.

Em Mato Grosso, por exemplo, na região de Juruena propriedades que miram a precocidade sexual das novilhas estão alcançando índices elevados de animais mais pesados e aumentando a produção de carne.

Na Fazenda São Marcelo, há 10 anos o programa de seleção adotado permitiu com que as fêmeas emprenhem até o 18º mês de vida. Há casos de animais que começam a emprenhar aos 14 meses, sendo chamadas de superprecoces.

“Não temos mais novilha de 24 meses na fazenda. Os animais emprenham até os 18 meses. As fêmeas que não conseguem, pois sempre há algumas, vão para o frigorífico. Nesta idade elas já têm condições, devido à precocidade da família, de ter peso suficiente para o abate”, comenta o CEO do Grupo JD no Brasil, Arnaldo Eijsink.

Com o aperfeiçoamento genético dos animais, a Fazenda São Marcelo, em Mato Grosso, conseguiu no período de cinco anos elevar de 6,6% para 67,6% a taxa de prenhez das novilhas com até 14 meses.

Arnaldo Eijsink explica que uma novilha que emprenhar aos 14 meses terá duas crias ao longo de 35 meses, enquanto as fêmeas que começam aos 18 meses apenas um bezerro neste período. “Em quatro anos o animal criou dois bezerros desmamados. Isso para quem emprenhou com 14 meses. Desta forma, já vendi o bezerro duas vezes. Da outra [de 18 meses], eu vendi só um bezerro, mas ela já está pronta para parir de novo com 46 meses”.

“Com um animal precoce se consegue adiantar em até um ano a entrada deste em vida reprodutiva. Considerando-se que a vida média de uma vaca gira em torno de 6 a 7 anos, é possível aumentar de 20% a 30% a produção ao longo da vida do animal. Isso graças ao fator da precocidade sexual”, diz Leone Furlanetto, gerente técnico da Fazenda São Marcelo.

Fonte: Olhar Direto