Preço do boi magro tem alta no MS e prejudica confinamento

17/06/2014

O preço do boi magro disparou em Mato Grosso do Sul, fator que provoca queda na estimativa do volume de animais confinados. Conforme números da Rural Business, a arroba subiu de R$ 945 para R$ 1.478. A variação, de 56,4%, é a segunda maior do País, atrás apenas do Rio Grande do Sul.

De acordo com o analista chefe e estrategista de mercado de pecuária de corte da Rural Business, Júlio Brissac, o valor do boi magro corresponde a 75% dos custos de um confinamento ao pecuarista.

“O produtor de gado do Brasil está descapitalizado, muitos migraram para agricultura ou arrendaram terras, diante da falta de capital de giro, e os chamados confinadores temporários estão assustados com o valor do boi magro”, observa o especialista. Ele estima que o volume de gado confinado, neste ano, em todo o País, não passará de 3 milhões de cabeças.

A situação provoca redução da oferta, que já não atende à demanda, o que refletirá no bolso do consumidor de carne bovina. “Este quadro deve gerar uma pressão de alta ainda maior nos preços, no segundo semestre e nos primeiros meses de 2015”, afirma Brissac.

Conforme o analista, o cenário se relaciona a maiores rentabilidades de atividades agrícolas diversas, se comparadas com o retorno na atividade da pecuária bovina.

“As margens de lucro seguem apertadas, e as áreas de pastagens foram diminuídas radicalmente no Brasil, cedendo, como todo mundo sabe, suas áreas para as lavouras de soja, milho, cana e eucalipto”, enfatiza o especialista.

Boi gordo

Neste contexto, o preço do boi gordo segue firme. A referência em São Paulo, por exemplo, teve alta e está em R$ 122 por arroba, à vista.

No estado os frigoríficos trabalham com uma programação de abate média de seis dias úteis. Mesmo com escalas mais confortáveis, a oferta ainda não permite que as indústrias pressionem o mercado.

Houve alta para o boi gordo em oito praças pecuárias e em sete para a vaca gorda. A oferta restrita de animais terminados sustenta a firmeza do mercado.

A disponibilidade de animais de cocho é crescente e, em algumas indústrias, estes já representam 60,0% do total de animais abatidos.

Em Mato Grosso houve alta em duas das quatro praças pesquisadas. No estado os pastos estão com boa capacidade de suporte, com isso o pecuarista consegue segurar seu animal no pasto e negociar valores maiores para a venda.

Nas regiões centrais, de Cuiabá e Sudeste de Mato Grosso, o boi gordo também subiu. O animal está cotado em R$ 114 por arroba e R$ 111 por arroba, à vista, respectivamente.

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria