Custo de Produção

Preço da borracha dispara e SP comemora

País produz cerca de 120 mil toneladas de borracha seca, mas a necessidade do consumo interno é de 300 mil t

Chico Siqueira – O Estado de S.Paulo

Como a produção nacional, de aproximadamente 120 mil toneladas de borracha seca, é insuficiente para atender as necessidades do consumo interno, da ordem de 300 mil toneladas, a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) iniciou um projeto de expansão, que prevê o crescimento da produção em até 100%.

“Nossa expectativa é que, dentro de cinco a sete anos, o Estado de São Paulo receba incremento de 38 a 40 milhões de novos pés para dobrar a produção”, diz Santim. O Estado, que possui cerca de 40 milhões de pés deve produzir cerca de 60 mil toneladas em 2011, segundo Santim.

“A expectativa é de crescimento mesmo porque já estamos observando isso aqui”, diz Getúlio Ferreira Júnior, da Polifer, um dos maiores viveiros de mudas do País, com capacidade de produzir 600 mil mudas/ano. Segundo ele, nos últimos dois anos, houve mudança no perfil dos produtores. “Antes a gente recebia pequenos produtores, que plantavam 20/30 mil pés; hoje temos grandes investidores – como empresários e profissionais liberais – que fazem grandes plantações com 500 mil ou 1 milhão de pés”, diz Ferreira Júnior.

A muda, que custa em torno de R$ 4 deve ter seu preço reajustado no segundo semestre para R$ 4,50. Em 2008, o preço era de R$ 3,40.

Um dos que optaram pela expansão das florestas foi o produtor Mário Valadão Furquim, que está substituindo os laranjais de sua fazenda em Olímpia por pés de seringueiras. Ele diz que vai retirar 20 mil pés de laranjas para plantar 15 mil pés de seringueiras. Até agora foram retirados 80 mil pés de laranja que deram lugar a florestas de seringueiras. “Os laranjais dão maior custo de produção. Com os seringais não tenho gastos com pulverização e adubação e a remuneração é melhor e mais honesta”, compara Furquim, que possui 200 mil pés de seringueira em três propriedades, em Guaraçaí e em Olímpia.

Financiamento. O Banco do Brasil (BB) aumentou de R$ 20 milhões para R$ 30 milhões uma linha de crédito para financiar o plantio. A linha foi criada em maio do ano passado, mas em janeiro deste ano, o BB foi obrigado a ampliá-la devido à grande procura. A linha oferece prazo de 12 anos com carência de sete anos (tempo que a seringueira leva para entrar em produção) e juros de 6,7% ao ano. A expectativa é de que a nova linha propicie uma expansão de pelo menos 3 milhões de novos pés no Estado. O financiamento tem teto de R$ 100 mil por beneficiário, limitado ao orçamento de R$ 7 mil por hectare.

Segundo o Secretário de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, também produtor de látex, esta linha de financiamento é uma reivindicação antiga do setor e é o único crédito com características compatíveis com o ciclo produtivo da seringueira. “O setor está em franco crescimento no Estado de São Paulo. A área cultivada deve chegar aos quase 80 mil hectares este ano. Devemos chegar a uma produção de 150 mil toneladas em cinco anos e o nosso consumo a 400 mil toneladas, se continuarmos neste ritmo e não houver nenhum grande revés na economia mundial”, disse Sampaio, cuja família cultiva 100 mil pés em duas propriedades, no Mato Grosso e São Paulo.

 Fonte: O Estadão

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