Soja

Preço alto assusta e compras chinesas de soja podem cair

16/08/12
CINGAPURA (Reuters) – As incessantes importações chinesas de soja irão sofrer uma quebra em breve, com os processadores da oleaginosa cortando compras, uma vez que as margens de lucro estão sendo corroídas pela escalada nas cotações impulsionada pela seca nos EUA e por cortes nos preços domésticos exigido pelo governo.

As importações de soja no quarto trimestre podem cair em cerca de um quinto, de acordo com estimativas do mercado, potencialmente reduzindo a subida de preços em Chicago, onde a soja já avançou 25 por cento desde junho.

Os principais processadores na China, que importa cerca de 60 por cento de toda a soja comercializada no mundo, já estão fazendo planos para reduzir a produção num momento em que a pior seca em mais de meio século nos EUA impactando a produtividade das lavouras.

O spread entre a soja dos EUA para carregamento em novembro e os embarques brasileiros para março subiram para mais de 100 dólares a tonelada, o maior desde 2008, com perspectivas de menor oferta norte-americana.

“Você tem uma situação em que o mercado dos EUA está dizendo aos compradores para ficarem fora do mercado, sob pena de que os preços continuem subindo e subindo”, disse o gerente de negócios de uma companhia de commodities em Cingapura que opera fábricas na China.

“Você pode ver isso no spread entre a soja dos EUA e da América do Sul.”

As importações chinesas devem ser limitadas a cerca de 12 milhões de toneladas entre outubro e dezembro, abaixo das cerca de 15 milhões de toneladas desembarcadas um ano atrás, disseram três importantes traders.

O temor dos traders de que tempos difíceis estejam reservados para a indústria de oleaginosas na China foi reforçado nessa quarta-feira (15), quando as ações da Wilmar International, importante fornecedora de óleo e processadora caíram mais de 10 por cento, atingindo o menor patamar em mais de três anos, devido a lucros fracos.

O lucro líquido da Wilmar no segundo trimestre caiu 70 por cento para 117,1 milhões de dólares, ante o ano anterior, bem abaixo da projeção média de 328 milhões obtida em pesquisa com cinco analistas.

Além dos custos dos insumos subindo pela alta histórica da soja, a indústria de carnes da China precisa lidar com os preços da carne suína que estão sendo pressionados por um excedente de oferta doméstica.

(Reportagem de Naveen Thukral, com reportagem adicional de Sabrina Mao e Zheng Xiaolu em Pequim)

Reuters