Manejo

Pragas da Seringueira

PRAGAS DA SERINGUEIRA

A seringueira como toda planta cultivada e de interesse econômico, possui alguns insetos, ácaros, moluscos e mamíferos que lhe causam danos, provocando estragos desde a fase de semente até o seringal em produção. Relacionamos as seguintes:

NOME VULGAR – Mandarová

NOME CIENTÍFICO – Erinnyis ello (L. 1758) – o mais comum
Erinnyis alope(Drury. 17 73)

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA – O mandarová é considerado a principal praga da seringueira, em função da sua voracidade, chegando a dizimar por completo, um plantio em poucos dias. A ocorrência é cíclica, aparecendo em determinadas épocas em ataques severos. Os ovos são depositados no limbo foliar. Estes ovos são verdes e tornam-se amarelados próximos à eclosão. O período de incubação é de 3 a 6 dias, quando eclodem lagartas medindo 5 mm de comprimento e após sofrerem cinco mudanças de pele (ECDISES) no 3º,6º, 8º, 10º, 14º dia quando chegam a atingir 70 a 80 mm de comprimento, podendo alcançar 10 cm de comprimento por 1,0 cm de diâmetro. A coloração é variável: aparecem indivíduos verdes com dorso pardacento; outros são de coloração preta com pontuações laterais brancas e vermelhas, havendo ainda aqueles de cor pardo-marmorizada. O ciclo completo do ovo ao adulto leva de 35 a 38 dias.
PREJUÍZOS – As lagartas se alimentam das folhas novas depois as mais velhas eem ataques violentos destroem até as ramificações mais finas.
CONTROLE – Dentre os métodos de controle de pragas conhecidos destacamos:
Mecânico: Quando o surto é pequeno e em viveiros e jardim clonal o controle é feito através da catação manual e destruição das lagartas.
Biológico: Alguns pássaros como o “anu” e o “tesoureiro” ao sobrevoarem um seringal com freqüência focalizam intensa infestação de lagartas e se encarregam da eliminação de um grande número destas. O inseto Belvosia sp. da famíliaTr achinidae é um dos principais parasitas da E. ello, depositando seus ovos sobre a folhagem da seringueira e são ingeridos pelas lagartas, vindo depois as larvas destruir a lagarta na fase de pupa. OBacillusthuringiensistem sido de grande importância seu uso no controlebiológico desta praga. Apresenta a vantagem de ser seletivo e não tóxico ao homem. Os produtos DIPEL e MANAPEL têm apresentado grande eficiência (96 a 98%) na eliminação desta praga no sétimo dia após a aplicação.
Físico: As armadilhas luminosas poderão servir de indicador de ataque de pragas, através da captura dos insetos adultos.
Químico: O TRICHLORPHON (Dipterex) a 2,5% e CARBARYL 7,5% são inseticidas pó seco de menor toxicidade para o homem, que apresentam boa eficiência no controle desta praga. Usa-se o produto comercial em polvilhamento na dosagem de 20 a 30 kg/ha. Em pulverizações a alto volume os mesmos inseticidas pó solúvel (TRICHLORPHON) e pó molhável (CARVIN85) além dos emulsionáveis Diazinom 60, Malatol 50; na dosagem de 100 e 300 ml/100 litros de água. O maior problema ainda é o porte das plantas de seringueira o que dificulta a eficiência dos equipamentos convencionais.

NOME VULGAR Pararama

NOME CIENTÍFICO – Premolis semirufa (Walker. 1856)
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA – A lagarta causa efeitos dolorosos ou lesões nos dedos dos seringueiros. Os ovos são esféricos, mais ou menos achatados na porção que adere à superfície, após a eclosão são liberadas lagartas de 5 mm de comprimento pó 1,0 mm de diâmetro. O corpo é recoberto por cerdas castanhas e prateadas de diversos tamanhos e distribuição. O adulto de hábito noturno (mariposa) mede de 20 a 25 mm de comprimento e 40 a 55 mm de envergadura. A cor predominante é o amarelo quando as asas estão cobrindo o corpo do inseto.
PREJUÍZOS – O dano econômico à seringueira não é significativo apesar da alimentação das lagartas ser as folhas da planta, pois a ocorrência no seringal é de pequena monta. Esta lagarta é considerada de importância pelos males causados aos dedos dos seringueiros, depois do contato com as cerdas desta. A predominância do aparecimento dessas lagartas e seus casulos está no tronco da planta na faixa que vai do solo até 1,5 m de altura atingindo assim a zona de trabalho do seringueiro (painel, tigela e bica). Os danos físicos causados aos seringueiros estão relacionados ao hábito destes de retirarem o cernambi (látex coagulada), passar os dedos (principalmente o médio) no interior da tigelinha, tendo assim contato com as cerdas deixadas pelas lagartas. Inicialmente o local apresenta prurido intenso seguido de edema, durante uma semana. Podem ocorrer casos crônicos de incapacitar o seringueiro para o trabalho devido a falta de articulação dos dedos atingidos. Até o momento ainda não se descobriu uma medicação eficiente para resolver os problemas das pessoas atingidas pela pararama, somente de forma paliativa os corticosteróides são usados. Predomina na Região Norte.
CONTROLE:Dentre os métodos de controle utilizados citamos:
Mecânico: Destruição (sem tocar com as mãos) das lagartas e casulos encontrados nas hastes e folhas das plantas jovens e no tronco na
zona de produção (painel) das plantas adultas.
Biológico: Ocorre em nível de laboratório a lagarta e parasitada através de umBraconidae (Zele sp) e um Ichnenmonidae (Netelia sp) e
em menor incidência a lagarta é parasitada por Apanteles sp (Braconidae).
Químico: Não se recomenda porque a incidência ainda é pequena nos seringais.

NOME VULGAR – Mosca Branca

NOME CIENTÍFICO – Aleurodicus cocois (Curtis. 1846)
Aleurodicus pulvinatus (Maskell. 1895)
Lecanoideus giganteus (Quaint & Baker. 1914)
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: São pequenos insetos, raramente com mais de 2 a 3 mm de comprimento, sugadores, que quando adultos muito se assemelham às moscas comuns.
PREJUÍZOS: Os insetos se localizam na face inferior das folhas onde ficam protegidos, formando colônias, repletas de ovos, larvas, pupárias e adultos. Tanto a fase jovem quanto a adulta suga grande quantidade de seiva da planta provocando envelhecimento precoce das folhas atacadas que ficam cloróticas, secam e caem. Também excretam substancia açucarada que cobre as folhas favorecendo o desenvolvimento de fungos (fumagina) prejudicando a fotossíntese.
CONTROLE:Dentre os métodos de controle utilizados citamos:
Biológico: Predadores – Baccha sp(Díptera – Crysopidae)
Patógeno – Aschersoria aleyrodes – Fungo entomógeno
Parasito – Um Hymenóptero endoparasita da “ mosca branca”com grande capacidade deeliminação, apareceu no Pará, a partir de 1978.
Químico:Os inseticidas Ometoato (Folimat 1000) e o Malathion(Malatol 50 E) apresentam uma eficiência acima de 80% no controle
desta praga.

NOME VULGAR – Formigas cortadeiras (quem- quéns)

NOME CIENTÍFICO – Acromyrmex spp
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: As formigas “quenquéns” são menores que as saúvas e possuem seus formigueiros constituídos de uma só panela cuja terra retirada pode aparecer ou não na superfície do solo: algumas espécies fazem seu ninho superficial coberto de palha ou de terra retirada. Algumas porém podem fazer mais de uma panela (máximo de 10) e que pelo tamanho reduzido não se confundem com as saúvas.
PREJUÍZOS: As folhas que cortam e carregam até o ninho são utilizadas para cultivar o fungo Pholiota gorgylophora (o mesmo cultivado pelas saúvas) de cuja frutificação se alimentam.
CONTROLE: Localização e destruição dos ninhos através de escavação e aplicação de formicidas pó, ou se não forem encontrados deve-se usar iscas microgranuladas nos carreiros.

NOME VULGAR – Formigas cortadeiras (saúvas)

NOME CIENTÍFICO – Atta spp
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: São as formigas de maior importância econômica dentro de um seringal. Se caracterizam pelo tamanho grande e pelos 6 espinhos que apresentam na parte superior do tórax, são insetos sociais que vivem em formigueiro subterrâneo denominado “sauveiro”, formado por dezenas ou centenas de panelas arredondadas, ligadas entre si com a superfície do solo por meio de “galerias” ou “canais”. Caracteriza-se externamente por um monte de terra fofa (murundu), formado pelo acúmulo de terra extraída das “panelas”.
PREJUÍZOS: São insetos vorazes chegando em uma noite causar desfolha de muitas plantas prejudicando o desenvolvimento normal de um plantio. Os maiores prejuízos ocorrem em seringais jovens (primeiros anos de implantados), além de sementeiras e viveiros. As folhas que cortam e carregam até o ninho são utilizadas para cultivar o fungo Pholiota gorgylophora de cuja frutificação se alimentam.
CONTROLE: Localização e destruição dos sauveiros com dois ou mais olheiros porém não muito velho pois se torna mais difícil a eliminação, além de maior gasto com o produto a ser utilizado. Atualmente com a proibição de aplicação de formicidas clorados (a base de Aldrin), se torna difícil o controle das saúvas, porém, até que se produza um substituto eficiente nós devemos localizar os sauveiros no início de sua formação e destruí-los ou devem-se usar iscas granuladas nos carreiros, para que se possam diminuir os prejuízos causados por estes insetos. Evitar o contato manual com a isca ou o uso desta em época de chuvas constantes.

Fonte:  http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA

REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p