Variedades

Plantio de seringueiras cresce na região do Triângulo

A região que sempre mostrou sua força na pecuária leiteira e de corte, além das grandes lavouras de milho e soja, viu de repente o crescimento do setor sucroalcooleiro.

Outro setor que ganha espaço e vem se tornando uma das melhores alternativas de diversificação no agronegócio é o plantio de seringueiras, apontado em recentes pesquisas como uma cultura ideal para as terras de ótima qualidade encontrada no Triângulo Mineiro.

Trata-se de um negócio altamente lucrativo, e que apesar de ser um investimento em longo prazo é considerado pelos pioneiros literalmente como “Mina de Ouro”.

O trabalho pode ser visto na propriedade de Issao e Juliana, em uma fazenda da região onde tem um viveiro mudas de seringueiras, e que segundo o produtor Issao, o ano é só de comemorações graças ao bom trabalho feito por eles e o investimento em seringueiras no Triangulo Mineiro que já é considerado um sucesso, cujo ano de 2007 está sendo fechado com mais 80 mil mudas de seringueiras vendidas com um alto controle de qualidade.

Issao disse também que no começo, há alguns anos atrás, foi difícil, mas, agora é uma realidade, porém o segmento ainda enfrenta barreiras.

De olho no crescimento da cultura na região, destaca que só para o primeiro semestre de 2008 já foram vendidas 120 mil mudas, e a previsão é que esse numero na região para todo o ano de 2008 chegue a 300 mil mudas.

O viveiro que tem em seu jardim clonal seis variedades de Seringueiras, sendo as variedades mais vendidas são RIM 600 e o PR 255, e a muda para chegar até ao fazendeiro, pronta para o plantio passa por vários processos, como enxertamento, decepamento, tudo para que não haja prejuízos. É fundamental que o investidor crie um plano nutricional depois do plantio para o fortalecimento do seu seringal e começar produzir a borracha a partir do 5º ano depois de plantado.

Issao e Juliana ainda esperam por parceria com os Sindicatos rurais da região, para incentivar não só que os fazendeiros plantem a seringueira, mas que criem outros viveiros, uma vez que só tem o deles, e eles não vão conseguir suprir o mercado de mudas, já que a demanda cresce a passos largos.

Para os pioneiros da plantação da seringueira no Triangulo Mineiro, foi o melhor investimento feito, e afirmam: é uma “mina de ouro”, e acreditam que se mais produtores investirem em seringueira, daqui alguns anos o Triangulo vai ter a maior produção de borracha do país.

Pra se ter uma idéia, um alqueire cabem 2.500 árvores, e cada árvore com aproximadamente sete anos produz um quilo de borracha por mês, num total de dois mil e quinhentos quilos de borracha por mês, com um lucro bruto por alqueires de R$ 5.250, mas em sua fase adulta que é de 10 anos a seringueira já produz 1,4 kg de borracha por mês, dependendo da variedade do clone que é plantado.

Em relação à mão de obra é necessário apenas de um funcionário direto e três indiretos, o que significaria para o produtor um gasto de 25% a 30% em média do valor bruto.

Ele lembra ainda que esse mesmo alqueire retém 600 toneladas de credito de carbono, que pela cotação da bolsa americana hoje é de U$ 20 a tonelada, passando a ter um lucro de mais R$ 2 mil, que é um fator importantíssimo, já que com o aquecimento global, grandes industrias mundiais estão interessados em comprar o credito de carbono do Brasil  e ainda de quebra, resolver o problema de desmatamento, porque é um reflorestamento sustentável e muito rentável.

O ciclo de produção de uma seringueira é a partir do quinto ano e vai até os 60 anos, produzindo sempre a mesma quantidade, e depois que a seringueira atinge a idade de 50 anos pára de produzir a borracha, e aí o produtor também fatura vendendo a madeira, cujo metro cúbico da seringueira de nível mundial é de aproximadamente U$180.

É importante dizer que nos primeiros cinco anos que a seringueira não produz a borracha, nada impede o produtor de plantar nas ruas das seringueiras a soja, o milho, melancia, enfim buscar fontes alternativas de renda.

Fomos até a Estância Dom Pablo, do Sr. João Antonio Bueno Nassibem, um grande investidor e pioneiro em seringueiras, e segundo o administrador, Sr. Osvaldo, são 23 mil seringueiras plantadas, onde 14 mil estão sendo sangradas produzindo uma média de 13 mil quilos de borracha por mês, num total de 10 meses ao ano. O faturamento de 2007 nessa propriedade com apenas 14 mil árvores produzindo, está estimado em R$ 250 mil bruto, e a meta nos próximos anos é de plantar mais 190 mil mudas nessa propriedade, com as 6 variedades existentes.

Issao afirma para os futuros investidores em seringueiras que com certeza já é uma realidade na região.

Fonte: http://www.sindiprata.com.br/notjan6.htm