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Nutrição Peixes

Índice de conversão alimentar de Tilápias

O índice de conversão alimentar (CA) é calculado dividindo-se a quantidade total de ração fornecida (em um viveiro, tanque-rede, ou raceway) pelo ganho de peso dos peixes. O ganho de peso é calculado subtraindo-se da produção obtida em um viveiro, tanque-rede ou raceway, o peso total dos peixes na estocagem. Muitos piscicultores esquecem deste detalhe, e subestimam os índices de conversão alimentar obtidos. A correta determinação da CA e do tempo de cultivo é fundamental para avaliar a relação custo/benefício das rações comerciais disponíveis. Diversos fatores afetam a conversão alimentar dos peixes. Alguns deles são comentados a seguir:

Qualidade do alimento. Quanto mais próxima for composição em nutrientes disponíveis nos alimento das exigências nutricionais do peixe, melhor será a CA. Outros fatores como o grau de moagem dos ingredientes, a palatabilidade e a estabilidade das rações na água também afetam a conversão alimentar.

Espécie de peixe. As espécies de peixes apresentam respostas diferenciadas quanto à demanda energética para atividades essenciais (natação, respiração, osmorregulação, captura de alimento; expressão do seu comportamento; reprodução; digestão do alimento e metabolismo dos nutrientes assimilados, entre outras). Portanto, é natural que estas diferenças influenciem os índices de CA de cada espécie.

Idade ou tamanho dos peixes. Dentro de uma mesma espécie, peixes menores (mais jovens) apresentam melhores índices de CA, o que pode ser explicado pelo fato dos peixes menores apresentarem uma maior relação taxa de crescimento/exigência de manutenção comparados a peixes de tamanho maior. Peixes de menor tamanho também são mais eficientes na utilização do alimento natural quando este for disponível.

Sexo e reprodução. No caso específico de tilápias este fator é muito importante. Por exemplo, as fêmeas de tilápias-do-Nilo direcionam grande quantidade de energia dos alimentos para a produção de ovos e cuidado parental, portanto crescem mais lentamente e apresentam piores índices de CA que os machos. De uma forma geral, quando os peixes entram em fase de reprodução os índices de conversão alimentar tendem a piorar devido ao maior gasto da energia com as atividades relacionadas à reprodução (formação de gônadas, côrte e disputa pelos parceiros, construção e defesa de ninhos, cuidado parental, entre outros).

Disponibilidade e capacidade de aproveitamento do alimento natural. Anteriormente foi discutida a importância do alimento natural no crescimento das tilápias. Como os cálculos de CA são feitos com base na quantidade de ração fornecida, uma maior disponibilidade de alimento natural nos tanques e viveiros contribui para a redução dos valores de CA. Peixes como as tilápias, que aproveitam bem o alimento natural disponível tendem a apresentar melhores índices de CA do que, por exemplo, peixes carnívoros, que não possuem habilidade no aproveitamento do plâncton e outros alimentos naturais disponíveis nos viveiros.

Qualidade da água. Quanto melhor for a qualidade da água melhor serão os índices de conversão alimentar. Reduzidos níveis de oxigênio dissolvido, elevada concentração de gás carbônico e metabólitos tóxicos como a amônia e o nitrito resultam em redução no consumo e no aproveitamento dos alimentos, prejudicando os índices de CA.

Densidade de estocagem. O aumento na densidade de estocagem geralmente piora a CA, pois reduz a disponibilidade de alimento natural por peixe e acelera a degradação da qualidade da água devido aos maiores níveis de arraçoamento exigidos.

Temperatura da água. O peixe é um animal pecilotérmico, portanto sua atividade metabólica aumenta com a elevação na temperatura da água. Cada espécie exige uma faixa específica de temperatura (zona de conforto térmico) para melhor expressar o seu potencial de crescimento e utilização do alimento disponível, o que influencia sobremaneira os índices de CA. No cultivo de tilápias a zona de conforto térmico está entre 28 a 32 °C. No inverno a conversão alimentar das tilápias piora sensivelmente.

Nível de arraçoamento. Se o nível de arraçoamento for muito baixo, é possível que os peixes consigam ter atendidas apenas as suas necessidades de manutenção, resultando em ganho de peso zero. O aumento nos níveis de arraçoamento acima das exigências de manutenção melhora a CA. Níveis excessivos de arraçoamento (Tabela 9), mesmo não havendo desperdício de ração, geralmente promove uma maior velocidade de passagem do alimento no trato digestivo, o que reduz a sua digestão e assimilação, piorando a CA.

Referências bibliográficas – Artigo de Fernando Kubisza

Fonte: http://prasquinho.webnode.com/nutri%C3%A7%C3%A3o%20peixes/