Reprodutivo

Como obter êxito na criação de carpas

Existem diversas variedades de carpas, ocorrendo no Brasil as seguintes: comum, espelho e colorida (Nishikigois). A carpa comum tem o corpo totalmente coberto por escamas. A variedade espelho apresenta o corpo coberto por escamas grandes, localizadas principalmente ao longo da linha lateral, dorso e ventre, mostrando áreas sem escamas nas laterais do corpo. Existem, ainda, variedades melhoradas geneticamente, como a de Israel, a alemã, a húngara, etc.

É um peixe pouco exigente quanto ao teor de oxigênio dissolvido, tolerando níveis bem baixos (3 mg/litro). Apresenta melhor crescimento em densidades de 5.000 peixes/ha e temperatura media de 24 – 28oC. Alcança peso comercial (800 a 1.000g) em cerca de um ano. Devido a sua rusticidade, hábitos alimentar, reprodução, tolerância as variações de temperatura etc, é a espécie mais criada em todo o mundo.

1 – Tanques de criação

A carpa pode ser criada em açudes e represas já existentes na propriedade. Entretanto, este sistema extensivo de criação proporciona baixas produções. Para a criação comercial, é necessário uma série de tanques:

Fases de criação Nr. Tanques % Área
Reprodução 1 ou 2 2 a 5
1a e 2a alevinagem 3 a 5 5 a 8
Crescimento e engorda 3 a 5 90

Esses tanques devem ser construídos em solos argilo-arenosos, providos de sistema de escoamento para o manejo fácil e rápido dos peixes, receber água por gravidade através de canaletas a céu aberto, a razão de 10% do volume do tanque por dia. Os tanques de reprodução devem ter uma área mínima de 50 metros quadrados, sendo que cada terno de carpa (1 fêmea para cada 2 machos) deve ocupar de 5 a 10 metros quadrados. A critério do proprietário, as laterais podem ser revestidas de alvenaria.

Os tanques de primeira e segunda alevinagem, devem ter de 120 a 200 metros quadrados, com profundidade máxima de 1 m. Podem ou não ter as laterais revestidas de alvenaria, porém o fundo tem que ser obrigatoriamente de terra. Os tanques de engorda e crescimento devem ser de terra para melhor aproveitamento da produção natural do ambiente e menor custo. A área ideal está em torno de 2.000 ou 5.000 metros quadrados.

2 – Reprodução

A maturidade sexual dos machos ocorre a partir do primeiro ano de idade, o mesmo acontecendo com as fêmeas com mais de 600 grs. Entretanto, um bom reprodutor deve ter de 2 a 5 anos de idade. A carpa é uma espécie muito prolifera. Uma fêmea de 1 kg pode ter mais de 100.000 óvulos distribuídos de uma a três desovas.

A seleção dos reprodutores deve ser feita de maio a junho. Reconhece-se os machos pela liberação do esperma sob leve pressão manual do ventre do peixe. As fêmeas apresentam ventre volumoso e a papila genital vermelha e protuberante. A temperatura da água condiciona a evolução gonodal dos peixes. A reprodução tem inicio quando a temperatura da água ultrapassa 20oC, o que geralmente ocorre de agosto a dezembro.

Cerca de 20% da superfície do tanque de reprodução devem ser cobertas com aguapé ou outra planta aquática flutuante, para a coleta dos ovos. A desova geralmente ocorre entre 4:00 e 6:00 hs. da manha. Após a estocagem dos ternos de reprodutores e a colocação do aguapé, o piscicultor deve permanecer em vigilância constante. Após a desova, os aguapés com ovos aderidos a suas raízes devem ser transportados para os tanques de primeira alevinagem, adubados e ricos em plâncton. A eclosão ocorre 3 dias após a fecundação. Se as plantas não forem retiradas a tempo dos tanques de reprodução os próprios reprodutores poderão comer os ovos ali existentes. Na ausência de plantas flutuantes, ramos de ciprestes servem como coletores. A reprodução também pode ser obtida através de aplicação de hormônios.

3 – Alevinagem e Crescimento

Na mesma época da separação dos reprodutores, deve ser feita a calagem e a adubação dos tanques de primeira e segunda alevinagem. Recomenda-se as seguintes dosagens para cada 100 metros quadrados de tanque: 5 kg de calcário e 10 kg de adubo orgânico (de aves ou suínos), 2 kg de superfosfato triplo e 1,5 kg de sulfato de amônia.

Para reforçar a disponibilidade de alimento natural, quando necessário, a adubação orgânica deve ser repetida a cada duas semanas e a mineral, semanalmente de modo a proporcionar continua produção de fitoplancton (algas unicelulares) e zooplancton (microorganismos aquáticos), essenciais a alimentaqao das larvas e alevinos.

No terceiro dia de vida, as larvas passam a comer o plâncton. Na segunda semana aceitam alimentos artificiais em pó (farinha de carne, de fígado, levedura seca e moída, varredura de leite em pó e gema de ovo cozida e peneirada). Essa alimentação suplementar evita o canibalismo e proporciona as larvas um rápido crescimento. Com um mês de vida, com cerca de 2 cm de comprimento, as larvas passam a ser denominadas alevinos e, a partir do terceiro mês, já com 5 cm de comprimento, podem ser transferidas para os viveiros de crescimento e engorda.

Nesse tanque, a alimentação deve ser administrada pelo menos duas vezes ao dia, na proporção de 3 a 5% do peso vivos dos peixes estocados.

Sugestão de formulações para ração: Ingredientes Quantidade para 100kg

Farelinho de milho 25,0 ou 20,0
Farinha de carne 25,0 ou 20,0
Farelo de soja 25,0 ou 20,0
Farelo de arroz 24,0 ou 9,0
Premix (vitaminas e sais minerais) 1

Fonte: Revista Aquarista Junior nr. 17

Fonte: http://www.peixesornamentais.info/index.php?option=com_content&task=view&id=395&Itemid=41