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Pesquisas com pinhão-manso interessam especialistas mexicanos

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa Florestal, Agrícola e Pecuária conheceram estudos

Fonte: Portal do Agronegócio

Em viagem ao Brasil e com visitas técnicas às Unidades de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, quatro pesquisadores mexicanos, do Instituto Nacional de Pesquisa Florestal, Agrícola e Pecuária (INIFAP) conheceram os estudos desenvolvidos pela Empresa com pinhão-manso (Jatropha curcas L.) e, a partir disso, delinearão um projeto de cooperação.

No roteiro, a comitiva passou pela Embrapa Agroenergia, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Cerrados (Brasília-DF) e Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS). Em 2010, um grupo de cientistas da Embrapa visitou o INIFAP dando início à discussão ao redor do desenvolvimento de cultivares com alta produtividade em grãos e torta não-tóxica. Essa retribuição estabelecerá, por sua vez, um contrato, entre as duas instituições, de colaboração técnico-científica específica em pinhão-manso.

Em Dourados, Sul de Mato Grosso do Sul, Felipe Legorreta Padilla, Alfredo Zamarripa, Alfredo Gonzales Avila e Víctor Pecina Quintero reuniram-se com os especialistas da Embrapa Agropecuária Oeste com a missão de definir, em conjunto, o sistema de produção da planta. A equipe conheceu os experimentos do Centro em matocompetição e linhagens elites e em Itahum em espaçamentos, calagem e adubação NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), sistemas de poda e consórcios.

Por hora, algumas práticas já possuem resultados comprovados, relata o pesquisador da Embrapa em Dourados, Cesar José da Silva, como o estabelecimento de um sistema de poda para formação inicial das plantas; o desenvolvimento de sistema de cultivo consorciado – pinhão-manso e espécies forrageiras e produtoras de grãos; o conhecimento das principais pragas ocorridas em MS; a avaliação das doenças mais pertinentes e testes de produtos para controle; e a definição da viabilidade técnica e econômica do uso de derriçadeira para a colheita semimecanizada do pinhão.

“Práticas agrícolas e processos demandam um acúmulo de conhecimento maior para serem recomendados, principalmente, por se tratar de uma cultura perene. Embora avanços nas informações e na domesticação da espécie tenham ocorrido ainda não se tem cultivares com elevado potencial de produção, homogeneidade e estabilidade. O sistema de produção não está completamente definido. Sugerimos que os produtores interessados em conhecer a cultura façam pequenos plantios experimentais e, gradativamente, apliquem as técnicas de cultivo à medida que a pesquisa recomendá-las e disponibilizá-las”, esclarece Cesar José.

MS – O interesse pela oleaginosa começou em 2005, devido à demanda do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. Nesta época, a Embrapa Agropecuária Oeste iniciou os trabalhos com o pinhão-manso, como matéria-prima para diversificação da matriz de óleos vegetais e, desde 2006, um grupo de pesquisadores e técnicos dedica-se a avaliar o potencial produtivo da planta e avançar em seu sistema.

Experimentos estão implantados em quatro localidades do Estado, abrangendo diferentes ambientes com fatores edafoclimáticos distintos. Em Dourados (Embrapa), Itahum (parceria com a Fazenda Paraíso), Chapadão do Sul (Fundação Chapadão) e Anastácio (MMX) são aferidos diversos espaçamentos e densidades de plantio, sistemas de poda e condução e a praticabilidade do consórcio com espécies forrageiras pelo especialista em produção vegetal, Cesar José.

Concomitantemente, respostas à calagem e adubação com NPK, com B (boro) e marcha de acúmulo de nutrientes são buscadas pelos cientistas Luiz Alberto Staut e Carlos Hissao Kurihara. Já as perguntas sobre fitossanidade da planta e o monitoramento da incidência de pragas e inimigos naturais e principais doenças, bem como, estratégias de controle estão sob a responsabilidade do entomologista Harley Nonato de Oliveira e do fitopatologista Alexandre Dinnys Roese.

O ciclo fecha-se com estudos em socioeconomia, custos, impactos da mão-de-obra e rentabilidade, conduzidos pelo pesquisador Alceu Richetti, em parceria com o professor Cristiano Alves de Souza, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Souza examina a viabilidade técnica do uso de derriçadeiras portáteis para a colheita semimecanizada do pinhão-manso.

Os mexicanos observaram cada componente das pesquisas do Centro da Embrapa em Dourados. Seu país de origem possui uma diversidade genética da oleaginosa e a instituição a qual pertencem implanta, progressivamente, um banco com 400 genótipos de variadas zonas agroecológicas do México para seleção de variedades. A aproximação Embrapa – INIFAP trará ganhos àqueles que apostam na cultura como mais uma opção para bioenergia.

Fonte: http://www.agrocim.com.br/noticia/Pesquisas-com-pinhaomanso-interessam-especialistas-mexicanos.html