Gomas Naturais

Pesquisadores da Rede Nanobiomed no Piauí descobrem que goma do cajueiro pode ser aplicada em dispositivos nanobiomédicos

Árvore abundante na Região Nordeste, o cajueiro está provando que pode ter um papel muito mais significativo do que apenas dar frutos que levam sabor à mesa dos brasileiros. Pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia (Biotec), integrante da Rede Nanobiomed/Capes, descobriram que a árvore também pode ter uma importante aplicação na nanobiomedicina.

No artigo “Contribution oh the cashew gum (Anacardium occidentale L.) for development of layer-by-layer films with potential application in nanobiomedical devices” (“Contribuição da goma de caju [Anacardium occidentale L.] para o desenvolvimento de filmes camada por camada com potencial aplicação em dispositivos nanobiomédicos”), recentemente publicado no periódico internacional “Materials Science and Engineering C”, a equipe do Biotec mostrou que a goma do cajueiro pode ser empregada na construção de filmes automontados do tipo camada-por-camada (layer-by-layer) com potencial aplicação como sensores eletroquímicos para a detecção do neurotransmissor dopamina.

Níveis anormais de dopamina estão relacionados a problemas psíquicos, como a esquizofrenia, que, segundo a psiquiatria é um desbalanceamento da substância no cérebro, com excesso na via dopaminérgica mesolímbica e escassez na via mesocortical. Esse neurotransmissor também está ligado a doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, provocado pela escassez de dopamina na via dopaminérgica nigro-estriatal, e às dependências do jogo, sexo, álcool e de outras drogas, por ser associado à motivação.

Os filmes produzidos a partir de um heteropolissacarídeo presente na goma do cajueiro podem detectar a dopamina com um limite de detecção de relevância para a indústria farmacêutica. A goma preserva os sítios ativos do filme e aumenta os níveis de resposta elétrica de sistemas diagnósticos.

“O problema para o diagnóstico da molécula de dopamina em testes de análises clínicas de rotina é que sua estabilidade gira em torno de dois minutos no plasma sanguíneo. Logo, sensores que utilizem menos amostras, de baixo custo e de análises mais rápidas e reprodutíveis seriam arcabouços para o desenvolvimento de novos métodos de detecção”, explica o coordenador do Biotec, prof. Dr. José Roberto Leite.

O artigo teve como autora principal a doutoranda Maysa Franco Zampa, da Rede Biotecnologia do Nordeste (RENORBIO) e foi coordenado pela profª Dra. Carla Eiras. O trabalho também é assinado pelo coordenador do Biotec, prof. Dr. José Roberto Leite, e pelo prof. Dr. Valtencir Zucolotto, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. Contou ainda com a colaboração de pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Rede de Química Verde (REQUIMTE) da Universidade do Porto.

O texto completo do artigo pode ser acessado neste link.

Fonte: Pesquisa Piauí