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Pesquisador da Embrapa discute sobre o mercado do feijão em 2017

Publicado em 14/07/2017

Alcido Elenor Wander – Pesquisador & Chefe-Geral da Embrapa Arroz e Feijão responde perguntas sobre o mercado do feijão em 2017.

Como está o momento econômico do mercado do Feijão no Brasil?

Depois de passar por preços elevadíssimos em meados de 2016, em 2017 a safra de feijão voltou para patamares de normalidade, com equilíbrio entre oferta e demanda, o que tem resultados em preços relativamente estáveis em torno de R$ 150 a 200 para o feijão tipo comercial carioca e próximo a R$ 200 para o feijão tipo comercial preto.

Quais as explicações para esse cenário atual?

A safra 2016/2017 tem sido dentro dos padrões esperados, gerando uma situação de equilíbrio entre oferta e demanda.

Devemos lembrar que a demanda por feijão é relativamente estável. A oferta, que é resultado da produção interna e importações, subtraídas as exportações, é que ao longo do tempo tem oscilado mais. A produção no ano agrícola 2016/2017 tem sido normal. A motivação para os produtores plantarem feijão é a expectativa de retorno da atividade e, também guarda relação com as demais culturas, como a soja e o milho. Como o milho está com preço baixo e a soja também em padrões de normalidade, não são esperadas grandes surpresas para o feijão, se as condições climáticas continuarem sendo favoráveis.

Quais são as perspectivas para os próximos 12 meses?

Com um mercado equilibrado atualmente, para a safra 2017/2018 não são esperadas grandes surpresas, a menos que surja algum fato não previsto. Preços de aproximadamente R$ 150/sc de 60 kg de feijão carioca são “normais”. Podem haver diferenças entre regiões produtoras, o que também é normal, devido aos custos logísticos de se levar a produção para centros consumidores. Já o feijão preto pode se manter em patamares um pouco acima (R$ 190-200), similar ao que já é atualmente.

Que fatores influenciam para essa projeção?

Os preços esperados para o feijão obviamente estão no centro das expectativas dos produtores. Além disso, os preços e as expectativas de retorno de outros cultivos como soja, milho e algodão terão uma influência nas decisões dos produtores de feijão nas próximas safras. Soma-se a isso o comportamento das variáveis climáticas (intensidade e distribuição de chuvas, temperaturas etc.) e a ocorrência ou não de eventos adversos.

Quais são os entraves enfrentados pelo setor?

A variabilidade climática tem sido desafiadora para os produtores. Aspectos fitossanitários também têm tirado o sono de técnicos e produtores. Outro ponto está relacionado com as políticas de incentivo à produção, que não têm sido efetivas no estímulo à produção nas formas e quantidades desejáveis. Além disso, o setor carece de mais informações sobre o mercado, a fim de embasar melhor a tomada de decisão dos produtores.

Que soluções aponta?

Os produtores precisam estar atentos aos sinais de mercado, na hora de decidir o que e como plantar. A fim de evitar problemas fitossanitários, os produtores precisam acompanhar de perto o desenvolvimento de suas lavouras, implementando o manejo integrado de pragas, para não onerar demasiadamente seu custo de produção, nem colocar em risco a sua atividade. A implementação efetiva da produção integrada do feijão é importante, uma vez que a norma técnica específica já está aprovada e publicada desde o final de 2016. Agora é partir para a implementação, o que pode contribuir para a abertura de novos mercados para o feijão, principalmente, para os grãos com apelo para exportação.

Como estão o mercado interno e o externo do segmento?

O mercado externo de feijão é relativamente estável. Países importadores não apresentam variação significativa de sua demanda. No entanto, existe o que alguns chamam de “demanda insatisfeita”, que poderia ser atendida com produção brasileira, só que ao atender, é possível que haja alguma diminuição de preços neste mercado.

Já o mercado interno, dominado pelo grão carioca, também é estável. O que pode variar é a oferta, em função de aspectos que afetam a produção (preço do feijão, preço das outras culturas, condições climáticas etc.). Quando há variações nas condições que determinam a produção, isso costuma ter efeitos mais acentuados no mercado interno, tendo em vista que o feijão carioca não é transacionado internacionalmente.

Alcido Elenor Wander, atualmente é o Chefe Geral da Embrapa Arroz e Feijão. Possui graduação em Agronomia pela Universidade de Kassel (Alemanha, 1996). É pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), professor dos Programas de Pós-Graduação em Agronegócio (Universidade Federal de Goiás – UFG), Desenvolvimento Regional (Centro Universitário Alves Faria – UNIALFA) e Administração (Centro Universitário Alves Faria – UNIALFA), e do MBA em Agronegócios e Agroindústrias com Ênfase em Sustentabilidade (Instituto de Pós-Graduação e Graduação – IPOG). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Agrária e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura familiar, viabilidade econômica, políticas públicas, desenvolvimento regional, agronegócio e competitividade.

 

Fonte: Embrapa Arroz e Feijão