Defensivos

Pesquisa indica novas formas de controle de pragas agrícolas

08/10/2013

 

Mutações genéticas tornam plantas mais resistentes e diminuem prejuízos na agricultura

 

Quatro anos de pesquisa permitiram que Roberta Ramos Coelho desenvolvesse ferramentas alternativas aos inseticidas agrícolas tradicionais, responsáveis por danos ao meio ambiente e à saúde humana. Em tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular, Roberta promoveu mutações em plantas a fim de torná-las menos vulneráveis ao nematoide fitoparasita, praga comum no país. Também realizou testes moleculares visando o controle de outro problema para os agricultores: o besouro bicudo do algodoeiro. O trabalho de Roberta Coelho está em processo para obtenção de patente.

Segundo a pesquisadora, o bicudo do algodoeiro é a praga que mais prejudica o cultivo do algodão no Brasil, pois é capaz de provocar a perda de 75% de uma plantação. A pesquisadora identificou uma molécula no algodão que, se modificada, pode diminuir a população do inseto. Quanto ao nematoide, organismo que reduz a produtividade de diversas culturas agrícolas, a pesquisadora utilizou genes vegetais para diminuir o ciclo de vida do parasita. “As formas de combate ao bicudo do algodoeiro e do nematoide fitoparasita são completamente diferentes. Ambas estão na minha tese”, explica Roberta Coelho.

Alexandre Firmino, pós-doutorando no Laboratório de Interação Molecular Planta-Praga da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), explica que a segurança de plantas geneticamente modificadas, conhecidas como transgênicas, é alta. “Antes de o transgênico ser lançado, há um estudo que leva entre 10 e 15 anos. Não conheço nenhum caso de efeito colateral negativo relacionado à utilização de transgênicos”, afirma. Experimentos em laboratório e em lavouras ainda são necessários para que os métodos sugeridos pela pesquisadora sejam colocados em prática.

Atualmente, Roberta Coelho é pós-doutoranda no Laboratório de Interação Molecular Planta-Praga, localizado na Embrapa Recursos Energéticos e Biotecnologia (Cenargen). O laboratório é coordenado por Maria Fátima Grossi de Sá, que orientou a tese de doutorado sobre os novos métodos para controle de pragas. Roberta Coelho desenvolveu o estudo na Embrapa Cenargen como aluna de pós-graduação da UnB.

Ao lado de empresas multinacionais, a Embrapa é referência na pesquisa e desenvolvimento de ferramentas biotecnológicas. Fernando Fonseca, doutor em biologia molecular pela UnB, explica que o órgão realiza pesquisas  “visando a aplicação, o produto final”.

O Brasil é o segundo país do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos – com maior área de “lavouras biotecnológicas”, ou seja, áreas de cultivo de espécies modificadas em laboratório. O território brasileiro conta, atualmente, com mais de 36 milhões de hectares de plantações do tipo e é onde a agricultura biotecnológica mais cresce no mundo.

 

Fonte: Uagro