Pecuária

Pesquisa avalia tempo de transporte de bovinos em Mato Grosso

02/01/2014

O tempo de transporte de bovinos em Mato Grosso está acima do recomendado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Uma pesquisa que está sendo desenvolvida desde o início do ano pela Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat), identificou preliminarmente que a duração de alguns percursos, entre a fazenda e o frigorífico, leva cerca de 17 horas para ser feito, enquanto o indicado é de no máximo oito horas.

O veterinário da Acrimat, Leandro Cazelli, que desenvolveu o estudo em três regiões do estado, alerta para os problemas causados pela demora. “Quando o percurso é muito longo o animal pode ficar cansado e acabar caindo. Dependendo da quantidade de bovinos que estiverem sendo transportados, este animal pode ser pisoteado, sofrer várias lesões e acabar morrendo”.

Segundo Cazelli, as lesões em bovinos causam prejuízos aos criadores e estão relacionadas à maneira de embarque, à condução dos motoristas, a condição das carrocerias e das estradas. “Em uma entrega de 40 vacas, com um percurso de 300 quilômetros que durou 17 horas, a média de perda por cabeça devido à ocorrência de lesões foi de um quilo por animal. Na cotação de R$ 75 por arroba da época, o prejuízo total seria de R$ 200. Caso fosse uma entrega de 400 cabeças seriam R$ 2 mil perdidos”.

O veterinário explica que não é possível afirmar se há um período climático que pode ser considerado mais prejudicial ao transporte de bovinos. “No período de chuvas as estradas ficam em piores condições, mas a disponibilidade de animais para o abate é maior e a distância para a entrega acaba sendo menor. Na estação de seca a oferta de animais é reduzida então é preciso trazer bovinos de distâncias maiores com viagens demoradas”.

A distância dos pontos de entrega dos animais também influencia o resultado. “Em Sinop, por exemplo, muitos produtores mudaram a pecuária para a agricultura e os frigoríficos do município necessitam trazer os animais de distâncias cada vez maiores, porque não é possível transferir a indústrias para outros locais”, argumenta o veterinário.

Condições
Com relação aos piores trechos das estradas mais utilizadas por criadores de Mato Grosso, o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, diz que elas estão concentradas na região norte. “As rodovias que passam por Juruema, Contriguaçu e Nova Monte Verde são as que estão mais ruins”, aponta o representante.

Conforme levantamento da Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), aproximadamente 2,9 mil quilômetros de rodovias estaduais de Mato Grosso estão com vida útil expirada ou em má condição para uso. A assessoria da secretaria informou ao Agrodebate que todos os anos durante o período chuvoso é feita uma operação tapa buracos, em caráter paliativo, para amenizar péssimas condições das vias.

A pesquisa
O projeto de acompanhamento desenvolvido pela associação em parceria com outras instituições, denominado “Na Medida”, começou em janeiro e a coleta de dados ocorreu até novembro, cobrindo as regiões norte, nordeste e médio-norte de Mato Grosso. Entre os objetivos estava a identificação das perdas ocasionadas por manejos inadequados e verificar quais as condições de transporte destes animais. O relatório final deve ser divulgado no início do ano que vem.

Fonte: Agrodebate