Pecuária

Pela 1ª vez em 2016, frango vivo pode ter preço superior ao de 3 anos atrás

16/03/2016

Se nada mudar – e não há indícios de que algo diferente possa ocorrer nesta quarta-feira, 16, início da segunda quinzena de março – pela primeira vez no corrente exercício o frango vivo comercializado no interior paulista terá preço superior ao registrado neste mesmo período três anos atrás, ou seja, entre 1º de janeiro e 16 de março de 2013(!).

Claro, isso vai acontecer não porque o frango vivo esteja reagindo, mas porque lá atrás ele caiu dos R$2,80/kg que manteve por pouco mais de três semanas.

Aliás, estabilidade de preço foi a principal marca do mercado de aves vivas nos primeiros dois meses e meio de 2013. Depois de manter, por inércia, a mesma cotação do final de 2012 (R$3,00/kg) nos 10 primeiros dias do ano novo, o produto recuou e permaneceu em R$2,90/kg por cerca de 40 dias, caindo a seguir para R$2,80/kg, onde permaneceu por 23 dias. A partir daí o preço despencou.

Em 2016 o frango abriu o novo exercício cotado, também, por R$3,00/kg. Mas isso durou pouco, menos de uma semana. Pois, quase imediatamente, os recuos começaram, só cessando ao final de janeiro, quando se estabilizaram em R$2,50/kg.

Isso durou cerca de 15 dias e foi sucedido por um período de altas que – esperava-se e torcia-se – permitiria recompor as finanças do setor, corroídas por inesperado e abrupto aumento de custos.

Mas o mercado – leia-se: consumidor – não respondeu na medida das necessidades. Assim, há quase 30 (longos) dias a cotação do frango vivo permanece inalterada em R$2,80/kg. Um valor que só agora, transcorridos os primeiros 75 dias do ano, supera a cotação de idêntico período de 2013. Mas – repetindo – porque lá atrás o preço alcançado pelo frango vivo recuou para R$2,75/kg.

Nesses três anos, a inflação medida pelo IPCA do IBGE ficou em torno de 25%. Assim, se lá atrás (média do primeiro trimestre de 2013) a cotação da ave viva girou em torno de R$2,83/kg, em março corrente deveria aproximar-se dos R$3,55/kg. Porém, a média registrada até agora – R$2,73/kg – encontra-se, nominalmente, 10 centavos aquém da média de 2013, ficando a pouco mais de três quartos do que deveria ser seu valor real.

Porém, a grande perda não está aí e, sim, na relação de preços com o principal insumo do frango, o milho. Em março de 2013, uma tonelada de frango vivo (R$2.690,00) permitia adquirir 5,2 toneladas do grão (milho a R$30,98/saca, o terceiro maior preço daquele exercício).

No momento, a mesma quantidade de aves vivas adquire pouco mais de 3,350 toneladas de milho, menos de 65% do volume adquirível há três anos. Ou, se quiser a mesma quantidade de milho de março de 2013, o avicultor vai precisar de quase 1,550 tonelada de frango vivo, 55% a mais.

Em tempo: ao contrário do ocorrido na segunda quinzena de março de 2013, a tendência atual do frango vivo é a de manter a cotação em torno dos R$2,80/kg. Pois embora a demanda seja recessiva (e não só por causa da segunda quinzena), a oferta se encontra bastante ajustada. Portanto, menos mal. Mas longe do ideal.

Fonte: Avisite