Pecuária

Pecuária com selo de qualidade

‘Padrão Paulista de Pecuária de Corte’

Gisele Bortoleto

Uma nova metodologia para a pecuária que inclui um selo de qualidade, o “Padrão Paulista de Pecuária de Corte”, deverá ser implantada ainda neste segundo semestre do ano pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O selo, de adesão voluntária, faz parte do programa Sistema de Qualidade de Produtos Agrícolas, Pecuários e Agroindustriais, que visa a valorização e diferenciação dos produtos do agronegócio paulista, por meio da melhoria da qualidade, com vistas à certificação. De acordo com o pesquisador Nelson Pedro Staudt, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o objetivo desse sistema é fortalecer e dar maior competitividade ao produto paulista, estimular a segmentação e a exploração de nichos de mercado, o atendimento do consumidor, com a melhora da qualidade dos produtos e da renda do produtor e do agroindustrial.

A ideia é que o Estado passe a atuar como gestor da certificação da qualidade alimentar, utilizando sua estrutura, serviços técnicos de terceiros e criando um selo que atesta a garantia de qualidade diferenciada e superior. As normas técnicas que os pecuaristas deverão adotar nas propriedades rurais para conseguir o selo estão sendo elaboradas pelos diferentes institutos da Secretaria da Agricultura, em parceria com as universidades públicas (USP, Unesp e Unicamp), além de representantes da cadeia produtiva. “Em dois ou três meses já teremos as normas e posteriormente será possível que as propriedades já possam solicitar a participação no programa”, disse. A intenção, segundo o pesquisador, é que o selo possa ser concedido ao maior número possível de propriedades rurais do Estado nos próximos anos. “Inicialmente, as que já têm um padrão de organização maior terão mais facilidade, mas posteriormente será possível estender a um número maior”, afirmou o pesquisador.

Para se adequar às normas, o produtor com renda bruta de até R$ 400 mil anuais poderá obter recursos do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) de até R$ 100 mil, com dois anos de carência e juros de 3% ao ano. A certificação, segundo Staudt, é um instrumento que vai ajudar no fortalecimento do programa estadual “Risco Sanitário Zero” e deverá abrir caminho para novos selos de qualidade em setores outros setores como os de leite, criação de avestruz e outras cadeias de produção. No Estado de São Paulo já foram criados anteriormente os selos de carvão vegetal, café, cachaça, suínos e algodão. Entre os produtos certificados, estão o café gourmet e superior (sete marcas com 19 produtos disponíveis) e duas granjas de suínos. Também está em discussão a certificação do café verde.

Outros setores já certificam
Outros produtores de abacaxi, cachaça e limão taiti do Noroeste paulista já descobriram que a certificação de seus produtos é o caminho para conseguir melhor colocação nos mercados interno e externo e, consequentemente, melhores preços. Produtores de abacaxi de Guaraçai já foram capacitados em 2006 e receberam o selo de certificação Euro Retalier Group – Good Agricultural Pratices (Eurepgap), que possibilita a exportação da fruta para redes de supermercados da União Européia, por atender rigorosos critérios de produção. O Eurepgap, criado em 1998, é um conjunto de normas elaboradas por um conglomerado de redes de supermercados e a organização não-governamental alemã Food Plus com o objetivo de promover rastreabilidade e segurança alimentar, bem-estar social para as pessoas envolvidas com a produção, preservação do meio ambiente e cuidados com os animais por meio de técnicas de manejo adequadas.

Pelo menos 100 produtores de limão de seis cidades da região (Itajobi, Novo Horizonte, Pindorama, Sales, Uchoa e Urupês) foram capacitados graças a uma parceria entre o Sebrae em Rio Preto e Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Limão (Abpel). O selo Globalgep obtido pelos produtores é a garantia de origem do limão para o mercado externo e de que a capacitação dos agricultores tem sido uma alternativa para potencializar as exportações, atendendo às exigências do mercado internacional de boas práticas agrícolas.

O Engenho Tamanduá, em Olímpia, também foi o primeiro do Estado de São Paulo a produzir também a partir de 2006 pinga certificada pelo Instituto de Metrologia e Peso e Medidas (Inmetro). Para conquistar a Certificação da Cachaça, resultado da Regulamento de Avaliação da Conformidade da Cachaça (RAC), elaborado pelo Inmetro, e do Padrão de Identidade e Qualidade da Cachaça (PIC), preparado pelo Ministério da Agricultura, o engenho teve de cumprir uma série de exigências legais, jurídicas, ambientais, trabalhistas e de procedimentos de fabricação estabelecidos.

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