Gerenciamento de Produção

Panorama do Mercado Mundial

A produção mundial de flores ocupa uma área estimada em 190 mil hectares, movimenta valores próximos a US$ 16 bilhões por ano na produção e cerca de US$ 44 bilhões por ano, no varejo. Cresceu 10% ao ano durante a última década do Século XX (Lima, 2005) e está se tornando um segmento econômico de grande importância na visão da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse novo século, o crescimento mantém-se em ritmo menor, apesar do registro da queda anual de 4,5% em 2001 (CBI News Bulletins, 2004).
O mercado dos produtos da floricultura está segmentado em quatro grupos: bulbos, mudas, flores e folhagens. Têm-se ainda plantas vivas, em vasos ou de raiz, para fins ornamentais.
Quanto à adaptação climática, as plantas são subdivididas em dois grupos: as de clima temperado e as de clima tropical.
As flores de corte constituem o segmento mais importante do mercado de produtos da floricultura. Nos últimos anos, as plantas vivas vêm ganhando destaque e crescendo a taxas mais elevadas.
Segundo dados fornecidos no Comtrade,1 o comércio internacional de produtos da floricultura atingiu, em 2003, valor recorde de US$ 9,4 bilhões. Entre 1999 e 2003, a taxa média anual de crescimento foi de 6%, e, entre 2002 e 2003, houve significante aumento no valor comercializado, chegando a 12% no grupo de flores cortadas para buquês, 8% no de folhas, folhagens e galhos, e 20% nos demais itens de plantas vivas (LAWS, 2005 apud KIYUNA, 2005c).
Em 2003, do total movimentado no mercado mundial, 42,8% do volume global de vendas corresponde ao segmento de flores de corte; 39,8% representam transações efetuadas com plantas vivas; 8,8% provêm de vendas internacionais de bulbos e 8,6%, os negócios realizados com folhagens (IBRAFLOR, 2005).
As flores tradicionais, de clima temperado, incluindo as rosas, são as espécies que mais se destacam no mercado mundial. O espaço das flores tropicais ainda é pequeno, mas vem crescendo,  conquistando novos consumidores e promotores. Além de apresentarem beleza e profusão de cores especiais, a flores tropicais somam outras vantagens, a exemplo de menor perecibilidade e maior resistência no transporte em grandes distâncias. O mercado mundial de flores de clima tropical, isoladamente, movimenta apenas US$ 400 milhões de dólares por ano (OPITZ, 2005), podendo triplicar esse montante até 2010.
O mercado internacional de plantas ornamentais é altamente competitivo e relativamente concentrado em alguns grandes produtores. O comércio mundial de produtos da floricultura é dominado pela Holanda e Colômbia, com respectivamente, 58,2% e 13,4% das exportações (estatísticas da FAO, 2004). Outros países com presença destacada são: Itália, Dinamarca, Bélgica, Alemanha, França, Espanha, Israel, Estados Unidos, Canadá, México, Costa Rica, Equador, Peru, Chile, Zimbábue, Quênia, África do Sul e Austrália.
A demanda por produtos da floricultura continua crescendo em todo o mundo, porém em ritmo menor nesses últimos anos. O crescimento é diferenciado de acordo com os produtos e mercados, mas na maioria a produção vem crescendo mais rapidamente que o consumo, gerando uma competição por melhores ofertas de preços. Os países em desenvolvimento são os que mais se destacam no aumento da produção e da oferta. Alguns países da América Central e do Sul lograram ganhar espaço no mercado mundial e elevaram a produção de flores em um ritmo superior à média. Isso deve-se, segundo British (2003), a custos de produção menores, seja em razão de condições climáticas favoráveis, baixos salários e também de baixos custos de transporte, como é o caso da Colômbia, o segundo
maior exportador de flores de corte, depois da Holanda. No contexto do mercado mundial de flores de corte, vale ressaltar a liderança da Holanda, que detém 55% desse mercado e participa do Europeu com 75% (DUTCH MINISTRY OF AGRICULTURE, NATURE AND FISHERIES, 2000).
Ainda a Holanda, maior produtora de flores no mundo, responde por 60% da produção mundial e 85% da européia. É, também, o maior importador e distribuidor, exercendo o papel de grande  operador logístico na Europa e em diversas partes do mundo, para onde são enviados os diferentes tipos de flores, comercializadas em sistemas de leilões eletrônicos.
Em 2003, esse sistema de comercialização registrou um movimento de 3,6 bilhões de euros. As flores comercializadas nesse sistema, por cerca de 1.500 atacadistas, são em grande parte novamente exportadas para países como Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Rússia, Japão e para os Estados Unidos, principal cliente fora da Europa e maior fornecedor (PERTWEE, 2004).

Fonte: http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575