Reprodutivo

Outros sistemas de cultivo em Piscicultura

José William Bezerra e Silva*

Piscicultura intensiva e semi-intensiva

Conceito e condições básicas para sua realização

Conceito

A piscicultura é o ramo da aqüicultura que se preocupa com a criação de peixes, atividade que remonta a mais de 3.000 anos e teve origem na China.

Ela tem sido classificada em extensiva, semi-intensiva, intensiva e superintensiva.

É extensiva quando utiliza apenas os alimentos naturais, que se desenvolvem nas águas, para os peixes criados. Como exemplo, cita-se as explorações feitas em açudes, lagoas, represas, lagos e outros mananciais, nos quais normalmente o homem não tem controle sobre os fluxos de entrada e de saída da água, ou se o tem, este controle não se faz visando a piscicultura. Hoje há uma tendência em se considerar este tipo de exploração como atividade de pesca, ou seja, exploração pesqueira propriamente dita. Muito embora, o homem possa exercer as seguintes intervençõoes, visando melhorar a exploração pesqueira nos reservatórios: (a) desmatá-los total ou parcialmente, possibilitando as atividades de pesca e melhoria nas condições da água; (b) erradicar espécies daninhas, tais como as piranhas Serrasalmus nattereri e S. piraya, e pirambeda, S. rhombeus, que atacam o homem e os animais domésticos, destroem os aparelhos de pesca e predam os peixes de interesse econômico; (c) introdução de espécies selecionadas; (d) controle da intensidade da pesca, a fim de manter as capturas equilibradas; (e) melhoria nas artes pesqueiras e (f) controle de poluição.

Nos pequenos açudes podem ser eliminadas as espécies carnívoras, através do tinguijamento ou a secagem do reservatório, principalmente se o mesmo apresenta comporta (galeria), implantando-se uma exploração do tipo semi-intensiva, mediante a fertilização do meio ambiente ou a consorciação com bovinos, suínos e marrecos.

Na semi-intensiva o alimento natural desempenha papel preponderante na produtividade piscícola, contudo, em virtude de uma major densidade de estocagem (major concentração dos peixes) há necessidade de se fertilizar as águas e/ou fornecer alimentos suplementares aos peixes, tais como grãos (milho, sorgo etc.), farelos (trigo, arroz, milho, sorgo, soja etc.), tortas (algodão, babaçu, mamona etc.) e farinhas (carne, sangue, peixe etc.). Estes produtos podem ser fornecidos isoladamente ou em misturas. Esta piscicultura é realizada em tanques, viveiros, bebedouros de outros animais domésticos e demais reservatórios, nos quais o homem tem total controle sobre a entrada e saída da água. Ela pode ser consorciada com outros animais (bovinos, suínos, marrecos etc.) ou com vegetais (rizipiscicultura, p. ex.). As principais intervenções do homem na piscicultura semi-intensiva são: (a) construção das instalações (tanques, viveiros etc.); (b) preparação das instalações (limpeza, calagem, adubação e abastecimento de água); (c) estocagem dos peixes; (d) controle de predadores e parasitas; (e) alimentação dos peixes; (f) acompanhamento do crescimento dos peixes, mediante amostragens mensais, as quais servem para reajuste na quantidade diária do alimento a ser fornecido a estes animais; (g) despesca e (h) manutenção dos viveiros (recuperação de pisos, taludes e dos sistemas de abastecimento e de esvaziamento).

* Engo Agrônomo do DNOCS e Professor Assistente da UFC – Caixa Postal 423 – 60.035 – Fortaleza, Ceará.

A piscicultura intensiva caracteriza-se pelo uso de rações balanceadas na alimentação dos peixes, em virtude das densidades de estocagem bastante altas, o que torna os alimentos naturais por demais insuficientes, embora estejam presentes e possam mesmo ser incrementados através de fertilizantes. Ela é realizada em tanques e viveiros e as formas de intervenções do homem são as mesmas referidas para a piscicultura semi-intensiva.

Na piscicultura superintensiva as densidades de estocagem são elevadas, devendo os peixes receberem rações bem balanceadas e com altos teores protéicos e energéticos. É realizada em gaiolas, tanques e viveiros. Estes dois últimos comumente apresentam renovação constante de água e/ou recebem aeração artificial. As intervenções do homem são idênticas às descritas para a piscicultura semi-intensiva, com exceção da adubação da água.

No presente curso nos restringiremos a piscicultura semi-intensiva e intensiva, doravante chamadas simplesmente de piscicultura.

Condições básicas para a piscicultura semi-intensiva e intensiva

As condições básicas para a realização da piscicultura são:

  1. tanques e viveiros devidamente preparados;
  2. emprego de técnicas apropriadas para os cultivos;
  3. um meio econômico favorável, inclusive com infra-estrutura de estradas, energia elétrica, fábrica de gelo etc., e existência de mercado consumidor;e
  4. disponibilidade de insumos, compreendendo: fertilizantes, alimentos (subprodutos agrícolas, rações balanceadas etc.) material para calagem, alevinos etc.

Se o cultivo for implantado nas proximidades de uma Estação de Piscicultura, possibilitará que o piscicultor adquira aí seus alevinos, diminuindo assim, os investimentos na produção dos mesmos.

A integração da piscicultura com as demais atividades agropecuárias é importante, pois possibilita: (a) cultivos consorciados (peixes/suínos, peixes/bovinos, peixes/galinhas ou frangos, peixes/marrecos, peixes/arroz ou rizipiscicultura etc.); (b) cultivo alternado de peixes com culturas vegetais (arroz, soja, feijões, milho, sorgo etc.); e (c) uso de subprodutos (cuim de arroz, xerém de milho ou de sorgo, farinhas de sangue, carne, osso etc.; farelos de trigo e de soja, tortas de algodão, babaçu, mamona etc; além de outros); gräos (milho, sorgo etc.); tubérculos de mandioca; vegetais (cunhã, pirrichiu, marianinha etc.) e frutos diversos na allmentação dos peixes, dependendo da(s) espécie(s) cultivada(s).

Além do mais, a água fértil oriunda do esvaziamento dos viveiros, pode ser utilizada na irrigação de hortas. pomares e culturas diversas.

Tanques e viveiros de piscicultura

Viveiro de piscicultura é um reservatório escavado em terreno natural, dotado de sistemas de abastecimento e de drenagem de água de tal modo que o permita encher ou secar no menor espaço de tempo possível. Ele pode ser parcial ou totalmente elevado acima do terreno natural, mediante o erguimento de diques ou barragens.

O tanque tem estrutura semelhante ao viveiro, sendo, contudo, revestido com alvenaria de pedra ou tijolo ou em concreto.

Existem grandes diversidades de tanques e viveiros de piscicultura, conforme suas finalidades (manutenção de reprodutores, preparo de reprodutores, acasalamento, criação de pós-larvas e de alevinos, engorda etc.). No entanto, estruturalmente os viveiros se dividem em dois tipos:

  1. Viveiro de barragem – Construído no fundo de um vale por onde corre um pequeno curso de água (córrego ou olho d’água), mediante o erguimento de uma pequena barragem ou dique. No Nordeste do Brasil estes viveiros necessitam, quase sempre, receber suprimentos de água, oriunda de um açude, rio etc., no período seco. Isto porque sua alimentação de água é feita por uma ou várias nascentes, um lençol freático ou um curso de água, cujo caudal recebe em sua totalidade, sem possibilidade de controle (BARD et alii, 1974);e
  2. Viveiro de derivação – escavado ou elevado no terreno natural, sendo abastecido por derivação da água a partir de uma nascente, de um curso de água principal, de um canal de irrigação etc; de uma represa ou açude (mediante o uso de sifão, galeria etc.), sendo a água conduzida através de canais abertos ou tubulados ou, finalmente, por bombeamento a partir de um curso de água ou de um reservatório. Deste modo, a entrada e saída de água do mesmo são controladas.

O tanque é uma estrutura menor que o viveiro, sendo sempre de derivação.

Escolha do local para construção de tanques e viveiros de piscicultura

Na escolha do local para a construção de tanques e viveiros de piscicultura deve-se levar em conta dois aspectos: a água para abastecê-los e existência de terreno adequado.

A água para abastecimento de tanques e viveiros de piscicultura.

A água para abastecimento de tanques e viveiros de piscicultura deve ser examinada sob os aspectos qualiquantitativos.

a) Qualidade da água

No exame da qualidade da água deve-se levar em conta suas características físicas e químicas. Entre as primeiras, as mais importantes são:

Temperatura: Tem grande influência sobre a reprodução, sobrevivência e crescimento dos peixes, bem como sobre a produtividade natural das águas, ou seja, a produção dos alimentos naturais para os peixes. Ela deve se manter dentro dos limites compatíveis com a vida normal da(s) espécie(s) criada(s). Lembra-se que dentro desses limites quanto mais alta a temperatura maior a produtividade natural e, consequentemente, maior a produção de peixe. No entanto, temperaturas baixas ou muito elevadas influenciam negativamente na alimentação dos peixes. Estes limites máximos e mínimos, bem como suas variações, são atenuados nas partes mais profundas dos viveiros.

As temperaturas das águas nos tanques e viveiros de piscicultura devem ser medidas na superfície e no fundo, usando-se termômetro de imersão com escala de 0 a 50°C. A água de fundo é retirada com um frasco com tampa, o qual é destampado quando atinge a profundidade desejada. Então, o mesmo é levado rapidamente para a superfície e a temperatura da água em seu interior medida.

Transparência e a cor: A luz é um dos fatores mais importantes para a produtividade dos tanques e viveiros de piscicultura, pois os seres produtores da matéria orgânica na água (fitoplâncton, bactérias fotossintéticas e macrófitas aquáticas) utilizam a energia luminosa na fotossíntese.

Deste modo, quanto mais transparente é a água maior será a penetração da luz e, consequentemente, mais espessa será a coluna onde se processará a produção orgânica.

As águas turvas, isto é, que contêm argilas ou outros materiais em suspensão, não são favoráveis ao cultivo de peixes, principalmente, larvas, pós-larvas e alevinos, pois a argila adere as suas guelras, impedindo as trocas gasosas, podendo até matá-los. Portanto, deve-se evitar abastecer tanques e viveiros com águas de cores vermelha, amarela ou cinzenta, bem como, impedir que pessoas e animais penetrem nos viveiros, pois causam turbidez da água.

As águas negras ou escuras das florestas ou aquelas alaranjadas de ambientes ricos de matéria orgânica em decomposição não são boas para o abastecimento de tanques e viveiros, vez que são geralmente ácidas (pH < 7,0) e trazem gases tóxicos (sulfídrico, metano, amônia etc.), além de não permitirem boa penetração de luz e possuirem baixos teores de oxigênio dissolvido, necessário para respiração dos peixes.

As melhores águas para abastecer tanques e viveiros de piscicultura são as claras, ligeiramente azuladas ou esverdeadas. Quando estas instalações são bem adubadas, suas águas apresentam cor verde escura sinal de boa produtividade orgânica, pois reflete a grande incidência de algas clorofíceas nas mesmas.

A transparência da água pode ser medida com o disco de SECCHI, que é um disco metálico, com mais ou menos 0,25 m de diâmetro, contendo quatro faixas brancas e pretas, alternadamente, sendo o mesmo mergulhado na água, com o auxílio de cabinho de náilon de 3/16″, até que não seja mais visto. Mede-se então, no cabinho, a profundidade em que se extinguiu a luz na coluna d’água. A transparência da água dos viveiros deve ser menor do que 0,30 m.

As características químicas das águas para abastecimento de tanques e viveiros de piscicultura são importantes: Poucas águas não podem ser utilizadas para tal, mas a produção dos alimentos naturais para os peixes está ligada a sua qualidade. Torna-se necessária a presença do nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, enxofre e ferro, assim como dos chamados oligoelementos (boro, manganês, cobre e zinco). É em contato com o solo que a água se enriquece pela dissolução dos sais que pele se encontram. Deste modo, quanto mais rico o solo em minerais mais rica será a água.

Lembra-se, contudo, que parte desses sais pode provir da decomposição orgânica dos animais e vegetais mortos no viveiro ou, ainda, serem cólocados através dos adubos.

Pode-se apreciar a qualidade de uma água medindo-se o seu pH. Este deve ser neutro ou ligeiramente alcalino. Valores inferiores a 5 e superiores a 9 são indícios de água não recomendável para a piscicultura.

Outros indicadores da qualidade da água para a criação de peixes são dados pelas suas dureza e alcalinidade. Águas com dureza acima de 15 mg/l em seu equivalente em CaCO3 e com alcalinidade superior a 40 mg/l também em seu equivalente em CaCO3 são boas para aquele fim.

Torna-se necessário, ainda, a presença de gases dissolvidos na água, principalmente o oxigênio, imprescindível à respiração dos peixes, e o gás carbônico, essencial à fotossíntese.

No entanto, gases oriundos da decomposição da matéria orgânica (sulfídrico, amônia, metano etc.) são tóxicos e fatores de depleção na taxa do oxigênio dissolvido. Nesta situação, as águas exalam mau cheiro. Deve-se, pois, evitar o acúmulo de matéria orgânica nos viveiros.

De uma maneira geral, as águas poluídas por esgotos industriais e/ou domésticos e por defensivos agrícolas não se prestam para a piscicultura.

Na análise química de uma água destinada a piscicultura, tornam-se necessárias as seguintes determinações, com respectivas indicações dos níveis desejados:

Especificação da análise Níveis desejados
pH 5 a 9
Alcalinidade 40 a 200 mg/l em seu equivalente em CaCO3
Dureza Acima de 15 mg/l em seu equivalente em CaCO3
O2dissolvido Acima de 4 mg/l
CO2livre Abaixo de 20 mg/l
Amônia Abaixo de 0,5 mg/l
Gás sulfídrico Abaixo de 1,0 mg/l
Metano Abaixo de 0,5 mg/l
Ferro Abaixo de 1,0 mg/l
Alumínio Abaixo de 0,5 mg/l
Presença de nitratos, fosfatos, carbonatos e sulfatos.

b) Quantidade de água

A piscicultura necessita de água para encher tanques e viveiros e compensar as perdas por evaporação e infiltração. Esta praticamente não ocorre nos tanques, por serem revestidos em alvenaria.

A água necessária para encher um viveiro depende da capacidade de acumulação deste, que, por sua vez, é calculada com base em sua área e profundidade média. Quando ele possui área de 1 ha e profundidade média de 1 m são necessários 10.000 m3 de água para enchê-lo. Isto, contudo, deve ocorrer em curto espaço de tempo, sendo recomendável que não seja superior a 72 horas. Neste limite, a vazão necessária de água para abastecimento será de 38,6l/s (10.000.000 l divididos par 259.200 s).

Após cheio o viveiro, nele só deve colocar água para compensar as perdas por evaporação e percolação. Salvo se houver depleção na taxa de oxigênio dissolvido na água. Caso isto ocorra, far-se-á renovação dela.

As perdas por evaporação dependem dos fatores climáticos, normalmente temperatura, insolação, umidade do ar, ventos etc. Nas regiões tropicais podem chegar a 25 mm/dia. Isto origina uma demanda diária de água da ordem de 250 m3/ha, ou seja, uma vazão de 2,9 l/s de água por ha (250.000 l divididos por 86.400 s).

É difícil calcular com exatidão as perdas de água por infiltração, pois as mesmas dependem da idade dos viveriros (os novos perdem mais água), das técnicas de construção deles (os impermeabilizados com terra argilosa compactada têm as perdas sensivelmente diminuidas), da natureza dos solos (os argilosos possuem baixa percolação) e a posição de seus pisos com relação ao lençol freático (quanto menor o espaço que os separa menor a infiltração). Com boa margem de segurança pode-se considerar uma perda média de 1 mm/dia de lâmina de água por infiltração. Isto requer reposição de 10 m3/ha/dia, ou seja, uma vazão de 0,1 l/s de água por ha (10.000 l divididos por 86.400 s).

Desse modo, nas regiões tropicais mais críticas, com lâmina de evaporação da ordem de 25 mm/dia, serão necessários 104.900 m3/ha/ano de água para encher uma vez o viveiro (10.000 m3) e compensar as perdas por evaporação (91.250 m3) e por percolação (3.650 m3).

No litoral nordestino, com lâmina de evaporação média em torno de 7 mm/dia, necessitar-se-ia de 70 m3/dia/ha de água, ou seja, 25.550 m3/ano/ha. Aqui, o volume requerido para abastecer uma vez um viveiro de 1 ha e compensar as perdas por evaporação e infiltração será de 39.200 m3/ano.

Além do volume mínimo necessário, há que se obter informações sobre o volume máximo de água que passa em um determinado terreno onde se vai construir viveiros de piscicultura. Isto por dois motivos, primeiro para se calcular o sangradouro ou vertedouro dos viveiros de barragem e segundo para se evitar inundação da área dos viveiros de derivação.

O volume máximo de água que passa num dado trecho de um vale, no fundo do qual corre um curso d’água, pode ser calculado através de: (a) conhecimento da área da bacia hidrográfica do curso de água, acima do local de medição, e da altura máxima de precipitação pluvial, obtida através de séries históricas de dados, coletados pelas estações meteorológicas: volume (m3) = área (m2) × altura da major precipitação (m); (b) informações colhidas junto às populações ribeirinhas, que podem indicar as marcas das cheias seculares; (c) verificação das marcas deixadas pelas grandes enchentes em pilares de pontes, pedras, árvores etc.; (d) limnômetro, aparelho que mede a velocidade da água de um rio, riacho etc.; e (e) secções imersas de forma regular.

Terreno para construção de tanques e viveiros de piscicultura

Na escolha do terreno para construção de tanques e viveiros de piscicultura, levamos em consideração suas características químicas, isto é, sua composição química, e físicas, compreendendo sua natureza e forma.

a) Características químicas do terreno

Conforme referimos antes, é do solo que a água retira os minerais necessários a produtividade primária, isto é, a alimentação do fitoplâncton, das macrófitas aquáticas e das bactérias fotossintéticas. Portanto, a riqueza das águas dos viveiros depende dos minerais presentes nos solos onde eles estão assentados.

As águas que escorrem em campos e savanas são melhores do que as de floresta. No entanto, as primeiras podem ter bastante argila em suspensão, ou seja, serem turvas.

Na análise dos solos torna-se necessário conhecer: pH; dureza; alcalinidade e teores de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, enxofre, ferro e alumínio. Estes dois últimos quando em doses elevadas inviabilizam o uso de um solo para a construção de viveiros de piscicultura.

b) Características físicas do terreno

Textura; profundidade e estrutura do solo

Um dos fatores importantes a considerar é a textura dos solos. Os argilosos são os mais indicados, em virtude do elevado grau de impermeabilidade e de serem ricos em minerais, quase sempre. Os arenosos não se prestam para viveiros, pois são pobres e não retêm água; neles podem ser construídos tanques. Solos sílico-argilosos, isto é, formados por areias contendo cerca de 25% de argila, podem ser utilizados, contudo necessitam receber camada(s) compactada(s) de piçarra (terra argilosa), a fim de reterem água. Os pedregosos também não podem ser utilizados para construção de viveiros.

Outro fator a considerar é a profundidade do solo, pois as vezes torna-se necessário escavar os viveiros em terreno natural, alcançando-se profundidades de 2,00 m ou pouco mais.

A estrutura do solo também deve ser considerada, podendo acontecer que, além de ser raso, ele apresente, próximo a superfície, rochas com fraturas. Isto provoca enormes perdas de água por percolação, mesmo sendo os viveiros elevados sobre o terreno.

Para se estudar textura, profundidade e estrutura de um solo, escava-se uma trincheira (buraco) no mesmo ou usa-se um trado pedológico, instrumento que funciona como saca-rolha, retirando as diversas camadas do solo.

Forma, relevo ou topografia

A topografia do terreno é um dos principais fatores a considerar na escolha do local para construção de tanques ou viveiros de piscicultura. Ela indica:(1°) se é possível construir tanques e viveiros; (2°) tipo de viveiro (barragem ou derivação); (3°) superfície dos viveiros; (4°) forma dos viveiros; (5°) profundidade dos viveiros e(6°) número de viveiros a construir. Isto porque nos viveiros de derivação há que se levar água a uma altura tal que eles possam ser abastecidos e esvaziados por gravidade, qualquer que seja o nível da água no dreno natural. Nos de barragem não se deve construir diques muito compridos nem muito altos.

Na prática observa-se os declives ao longo do curso de água, corre no fundo de um vale, e o perfil tansversal deste.

Terrenos com forte declive ao longo do curso de água e forte declive transversal do vale não se prestam para construção de viveiros. Os de derivação ficam impossibilitados de serem construídos e os de barragem necessitariam de diques muito altos, para formar pequenas bacias de acumulação. Quando, porém, o declive transversal do vale é fraco, torna o terreno ideal para construção de viveiros de derivação, pois eles são facilmente abastecidos e esvaziados por gravidade. Nestas condições os de barragem não podem ser construídos, pois necessitariam de diques muito cumpridos, ficando os viveiros geralmente rasos.

Quando o terreno apresenta fraco declive ao longo do curso de água e forte declive transversal do vale, desde que não muito pronunciado, poderão ser construídos viveiros de barragem, ficando impossibilitados os de derivação. Contudo, quando o declive transversal do vale também é fraco, não se pode construir viveiros de barragem e tão somente os de derivação. No entanto, estes ficam, quase sempre, caros, pois podem necessitar de longos canais de abastecimento, em virtude da captação de água ser feita na parte mais alta do curso d’água. Quase sempre os canais caminham sobre atorros. A não ser que se faça bombeamento d’água, o que envolve gastos com bombas e energia elétrica ou combustíveis.

Para melhor se projetar tanques e viveiros, há que se fazer o levantamento plani-altimétrico do terreno, em curvas de níveis de 0,50 em 0,50 m ou de 1,00 em 1,00 m, desenhando a respectiva planta nas escalas de 1:500 ou de 1:1.000. Nela devem constar cercas, edificações, estradas, linhas de transmissão de energia e, principalmente, as fontes fornecedoras de água para tanques e viveiros (rios, riachos, açudes, represas, poços etc.), com cotas dos coroamentos das barragens, soleiras de sangradouros, espelho d’água, fundo dos reservatórios, mananciais etc. Isto para que se possa planejar os sistemas de captação de água e de esvaziamento dos tanques e viveiros.

De posse desse levantamento, projeta-se os viveiros, definindo-se o tipo deles (derivação ou barragem), conforme a topografia do terreno; o número, forma, dimensões, profundidade e cotas de chegada de água e do ponto de esvaziamento dos mesmos. Tanto quanto possível, deve-se evitar bombeamentos de água.

Partes constituintes dos tanques e viveiros e suas construções

Características gerais de um tanque ou viveiro

Forma

Um tanque de piscicultura pode ter formato circular, como os de preparação para desova, que apresentam movimentos circulatórios da água, fazendo com que os peixes se movimentem contra a correnteza, imitando o que ocorre na natureza. Eles hoje são raros e tendem a ficar em desuso. Comumente, os tanques são quadrados (os pequenos e médios) ou retangulares (os maiores).

Um viveiro para a criação de peixes pode ter forma quadrática, normalmente quando sua área é inferior a 2.500 m2, ou retangular, no caso em que sua área é maior do que 2.500 m2. Isto porque viveiro muito largo exige redes maiores para a despesca e, consequentemene, maior número de pessoas para arrastá-la durante esta operação.

Lembra-se que se deve escolher a forma de maneira a reduzir ao mínimo o perímetro do viveiro e, consequentemente, os volumes e custos das escavações. O quadro a seguir mostra que os perímetros dos viveiros aumentam a medida que crescem as diferenças entre largura e comprimento deles:

Para um viveiro de 1 ha (10.000 m2)

Forma Dimensões (m) Perímetro dos Viveiros
(m)
Largura Comprimento
Circular Diâmetro = 112,85 354,45 (circunferência)
Quadrada 100 100 400,00
Retangular 80 125 410,00
Retangular 60 167 454,00
Retangular 40 250 580,00
Retangular 20 500 1.040,00

Adaptado de bard et alii (1974).

O que se afirmou antes só é válido para os viveiros de derivação, pois os de barragem apresentom formas impostas pela topografia do terreno da bacia de captação.

Dimensões

A área de um tanque ou viveiro é a superfície do espelho de água. A do primeiro dificilmente ultrapassa a 100,00 m2, quando usado para alevinagem ou engorda; o de larva tem-na em torno de 3,00 m2.

As áreas dos viveiros variam segundo suas finalidades: 200 a 5.000 m2 para os de alevinagem e os de reprodutores; de 0,04 a 40 ha ou mais para os de engorda. Muito embora o mais comum é estes últimos possuirem áreas entre 0,5 a 4,0 ha, pois quando muito grandes acarretam o seguinte: (a) dificuldade na comercialização, em virtude da produção de elevada tonelagem de pescado de uma só vez acarretando grande oferta de produto altamente perecível; (b) em caso de depleção na taxa de oxigênio ou qualquer outro problema na água dos viveiros, fica impossibilitada sua rápida renovação dado o grande volume; e (c) construção cara dos viveiros.

Lembra-se que quando a forma do tanque ou viveiro permanece constante, quadruplica-se sua superfície quando se duplica seu perímetro. Por exemplo, um tanque quadrado de 100 m2 tem perímetro de 40 m. Duplicando-se este, isto é, elevando-se para 80 m, a área do tanque passa a ser de 400 m2 (20 × 20 m).

Do exposto antes, vê-se que, na prática, não é aconselhável construir-se tanques e viveiros demasiados pequenos ou grandes.

Quase sempre os viveiros de barragem apresentam maiores áreas do que os de derivação.

Profundidade

A profundidade de um tanque ou viveiro de piscicultura refere-se a sua lâmina de água. No primeiro a máxima dificilmente ultrapassa a 1,10 m e a mínima é superior a 0,60. A média fica entre 0,80 a 1,00 m.

Quanto ao viveiro, profundidades acima de 3,00 m são inaceitáveis, pois dificilmente a luz penetra além deste valor nas águas dos viveiros, o que acarreta diminuição ou cessação da produção orgânica. Além disto, quanto mais profundos os viveiros, mais se tornam caros. Deste modo, recomenda-se profundidades máximas variando de 1,20 a 1,80 m, dependendo da superfície, de finalidade do viveiro e da topografia do terreno. Quanto a profundidade minima, sugere-se, para nossa região, valores entre 0,80 a 1,10 m. Viveiros muito rasos facilitam a invasão de vegetais neles, tais como gramíneas e ciperáceas. Normalmente, as profundidades médias dos viveiros variam de 1,00 a 1,40 m. Os de barragem tendem a ser mais profundos do que os de derivação.

Cotas do cano de abastecimento, do nível da água no viveiro e do cano de esvaziamento.

Para o viveiro de barragem estas cotas são determinadas pela topografia do terreno.

Conforme dito antes, o viveiro de derivação deve ser cheio e esvaziado no menor espaço de tempo, e, se possível, por gravidade. Para isto, é necessário: (1o) que a cota do espelho máximo de água no viveiro esteja 0,30 m, no mínimo, abaixo da cota do fundo do canal ou do ponto onde sai o cano de abastecimento e(2o) que a cota do cano de esvaziamento, posicionado no ponto mais profundo do viveiro, esteja acima da cota do nível máximo da água no dreno que pode ser um riacho, rio, canal escavado etc., para que o mesmo se esgote por gravidade. O ideal é que a diferença entre estas duas cotas seja de, no mínimo, 1,00 m, a fim de permitir o uso de caixas de despesca.

Caso a profundidade máxima do viveiro seja de 1,60 m e ele apresente uma altura de 1,00 m entre a saída do cano de esgotamento e o fundo do dreno, tem-se que a diferença de nível entre este último ponto e o fundo do canal será de 2,90 m, considerando-se que a altura do espelho de água do viveiro e o fundo do canal de abastecimento é de 0,30 m, necessária para que os peixes não galguem este cano e saiam do viveiro através do canal.

Viveiro de barragem

Conforme referido antes, é formado pelo erguimento de pequena barragem ou dique no fundo de um vale, interceptando pequeno curso de água. Suas partes constituintes com as respectivas técnicas de construção vão a seguir descritas. A sequência apresentada deve ser obedecida.

Levantamento plani-altimétrico

Feito nos moldes anteriormente referidos, devendo abranger os locais pré-escolhidos para as futuras barragens e bacia hidráulica.

Projeto do(s) viveiro(s)

Deve abranger estudos da barragem (localização, fundação, altura, inclinação dos taludes, larguras da saia e do coroamento e volume do maciço); do sistema de esvaziamento e de renovação de água do sangradouro (quando necessário); do piso (regularização e declividade); da profundidade da água; da área da bacia hidráulica e do volume de acumulação. Devem ser levados em conta, ainda, estradas de acesso, vedação da área, eletrificação e edificações, no caso de grandes instalações.

No estudo da fundação coloca-se piquetes (pequenos pedaços de madeira com uma extremidade em ponta) no caminhamento do que poderá ser o futuro eixo da barragem, os quais são espaçados, normalmente, de 10 em 10 m. Para que o piquete fique bem visível, finca-se junto ao mesmo uma estaca (pedaço de madeira com cerca de 0,40 m de comprimento e com uma extremidade em ponta). Cava-se, no local de cada piquete, um buraco até que se encontre a rocha ou outro material impermeável (terra argilosa ou piçarra). Estabelece-se escalas vertical e horizontal e marca-se em papel milimetrado o caminhamento supracitado e as profundidades encontradas em cada furo. Deste modo, estabelece-se, no papel, duas linhas: a superior, correspondente ao nível atual do terreno, e a inferior, correspondente as profundidades de escavação da fundação da barragem. Assim, calcula-se os volumes de terra a cavar e para enchimento da fundação.

Desmatamento e destocamento da área

Deve abranger os locais da barragem e do sangradouro e a bacia hidráulica, todas as raízes, troncos e galhos serão removidos. As operações de desmatamento e de destocamento podem ser manuais ou mecânicas.

Barragem ou dique

A barragem compõe-se de:

  1. Fundação – a barragem não se sustenta sobre a lama, terra vegetal, areia (que permite a infiltração de água) e outros materiais permeáveis. Daí surge a fundação, formada pela escavação e retirada desses materiais, compreendendo toda extensão da barragem e na largura de sua saia, até que se encontre material impermeável. Quando o terreno tem certo grau de firmeza, a fundação pode se restringir a uma vala central ou no pé da saia, parte de montante. A largura dela pode corresponder a 1/3 da da saia.A fundação deve ser cheia com terra argilosa (piçarra), compactada em camadas de até 0,15 em 0,15 m, se a compactação for manual, e de até0,30 em 0,30 m, se mecânica.
  2. Saia – A barragem tem forma trapezoidal e a saia corresponde a base maior (inferior) do trapézio, cuja largura depende da altura, da largura do coroamento e da inclinação dos taludes. Quanto maior os dois primeiros e mais inclinados os taludes mais large será a saia e, consequentemente, mais caro o viveiro. A saia fica assente sobre a fundação, desta cheia.
  3. Altura – Normalmente a barragem do viveiro é baixa. Quando ele apresenta 1,80 m de lámina máxima de água, aquela tem 2,50 m de altura, ficando uma revenche de 0,70 m (diferença entre o espelho máximo de água e o coroamento). Rarissimamente o dique alcanća 4,00 m de altura.
  4. Inclinação dos taludes – Depende do material usado na construção da barragem e do grau de compactação da mesma. Normalmente o de montante é menos inclinado (2:1 a 3:1), os de jusantes apresentam inclinações variando de 1,5:1 a 2:1.

Largura e coroamento – se se pretende a passagem de veículos deve ser de 5,00 m, no mínimo, caso contrário, poderá ser de 1,00 a 3,00 m

Após a marcação, limpeza do terreno e a escavação e enchimento da fundação, inicia-se o erguimento da barragem propriamente dita. Utiliza-se terra argilos (piçarra) se possível de primeira qualidade, isto é, que apre- sente bom grau de compactação. Isto pode ser verificado num laboratório de solo. O local onde se retira a piçarra é chamado de jazida ou empréimo, sendo aquela escavada, transportada para a barragem em construção, umedecide, espathada e compactada. Antes de se colocar a primeira camada, o solo que a vai receber deve ser aguado, a fim de permitir boa aderência entre os materiais. Deste modo, a medida em que se coloca camadas sucessivas de piçarra compactada, nos moldes descritos para o enchimento da fundação, elas vão se estreitando, no sentido do coroamento do dique, dando, assim, a inclinação dos taludes. As larguras das camadas sucessivas podem ser marcadas com estacas ou acompanhadas por um topógrafo.

Concluído o erguimento da barragem, faz-se o seu taludamento ou regularização dos taludes, de modo que eles fiquem com as inclinações desejadas. Neste momento, to da terra solta que repousa sobre eles é retirada.

Lembra-se que quando a barragem atingir a cota do fundo do viveiro, no ponto de esvaziamento, coloca-se o cano de esgotamento, que pode ser manilhas de concreto ou de barro, cimento-amianto, plástico (PVC) rigido ou de ferro. Os melhores são as manilhas, as quais devem ser bem unidades com argamassa de cimento e areia, e os canos de cimento-amianto. Os tubos plásticos podem sofrer danos com o peso da barragem e os de ferro são caros, além de ficarem sujeitos a oxidação. Seja qual for o material utilizado, o cano precisa repousar sobre base de concreto simples, com 5 a 10 cm de espessura, e ser bem fixado com bases ou anéis de alvenaria ou de concreto, a fim de que não se desloguem e causem infiltrações de água através da barragem. Esta éatravessada, em sua saia, pela tubulação de esgotamento do viveiro, que deverá ter declividade de 1% no sentido de jusante. Para calcular seu diâmetro utiliza-se a fórmula

na qual:

Q = vazão (m3s),
r = raio da tubulação,
g = aceleração da gravidade (9,81 m/s2), e
h = altura (m) da lâmina de água na boca do tubo.

Conhecendo-se a vazão requerida (Q) e a altura da água (h), calcula-se r, cujo dobro é o diâmetro buscado. Q é calculado dividindo-se o volume de água do viveiro em m3 pelo tempo em que se pretende secá-lo, em segundo.

Como sugestão pode-se usar os seguintes diâmetros: 0,10 m para viveiros até 400 m2; 0,15 m para viveiros entre 400 a 1.000 m2; 0,20 m para viveiros entre 1.000 a 2.500 m2; 0,25 m para viveiros entre 2.500 a 5.00 m2; 0,30 para viveiros entre 5.000 e 10.000 m2 e 0,40 m para viveiros com áreas acima de 10.000 m2.

Sistema de esvaziamento e de renovação da água

Os principais sistemas de esvaziamento utilizados são:

  1. Cano vedado com rolha ou dotado de registro – Utilizado nos pequenos viveiors, consistindo em se vedar, na parte de montante, o cano de esgotamento com rolha de madeira ou de borracha. Quando se quer renovar a água do viveiro ou seu total esvaziamento, retira-se a rolha e coloca-se tela na boca do cano, para que os peixes não saiam. Nesta operação, o piscicultor tem que mergulhar, daí a precariedade deste sistema, pois a cada chuva ou enchurrada no riacho pode ficar comprometida a segurança do viveiro, se ele não tiver sangradouro. lsto torna este sistema de esvaziamento mais usado nos pequenos viveiros de derivação. Melhores resultados são obtidos colocando-se um registro na parte de jusante do cano de esgotamento e tela em sua extremidade de montante. Caso se necessite renovar, secar o viveiro ou dar escoamento ao excesso de água que chega no mesmo, abre-se o registro.
  2. Cano/cotovelo – Este sistema consiste em se enroscar na extremidade de montante ou de jusante do cano de esgotamento um cotovelo de mesmo diâmetro e material, e na sua extremidade livre um cano móvel, também do mesmo material e diâmetro, cuja altura é igual a profundidade máxima projetada para a água do viveiro. Quando o cano móvel está na vertical, em relação ao piso do viveiro, este pode permanecer em seu nível máximo de repleção; a medida que se inclina o cano, graças ao cotovelo, o viveiro vai esvaziando até que quando aquele fica na horizontal, este último seca completamente. Na extremidade livre do cano móvel coloca-se tela, a fim de evitar a saída dos peixes. Quando ele fica à jusante da barragem, a tela fica na extremidade oposta do cano de esvaziamento. Este sistema é utilizado nos pequenos e médios viveiros de barragem (volume até 5.000 m3 de água).
  3. Monge – O monge é uma estrutura em forma de U, com abertura voltada para o interior do viveiro, construída na extremidade de montante do cano de esgotamento. Ele pode ser construído em concreto armado, alvenaria de tijolo ou de pedra ou em madeira. Em qualquer caso, deve ficar assente sobre base de concreto simples, com 7 a 10 cm de espessura, se o solo não for bastante sólido.O monge apresenta o dorso, de onde sai o cano de esgotamento, parte voltada para fora do viveiro, e duas asas laterais, cada uma da qual apresenta duas filas de ranhuras com 0,04 m de largura e 0,04 m de profundidade, espaçadas de 0,10 a 0,15 m uma da outra. Nelas põem-se tábuas, com 0,15 m de largura e comprimento tal que se ajuste entre duas ranhuras frontais, e entre as duas filas coloca-se serragem de madeira ou argila para vedação. Sobre a última tábua, que fica 0,15 a 0,20 m abaixo do cimo do monge, coloca-se a grade telada, para renovação da água e saída do excedente da mesma. A altura do monge é igual a do coroamento do dique e o comprimento das asas e largura do dorso dependem do volume de água do viveiro. BARD et al. (1974), recomendam o seguinte:
    Monge para pequenos viveiros Altura 1,50 m
    Largura 0,57 m
    Comprimento das asas 0,44 m
    Espessura 0,12 m
    Monge para viveiros médios Altura 2,00 m
    Largura 0,70 m
    Comprimento das asas 0,54 m
    Espessura 0,15 m

    Quanto a espessura das paredes do monge, depende do material de que é confeccionado. Os de tijolo têm-na com 0,15 m (parede simples) ou 0,30 m (parede dupla), dependendo da altura dele; nos de concreto as paredes têm 0,07 a 0,10 m de espessura; os de pedra 0,15 a 0,30 m de espessura e os de madeira 0,025 m.

    Nos grandes viveiros de barragem o monge por si só, as vezes, não dá escoamento ao excedente de água que nele chega, havendo necessidade de um sangradouro.

    Existe variações nos tipos de monges utilizados, no entanto, o que aqui descrevemos é o modelo mais utilizado.

  4. Comporta com ou sem galeria-Dispositivo pouco usado hoje, em virtude dos altos custos e de estarem sujeitos a oxidação. A comporta pode ser instalada entre duas paredes de alvenaria, geralmente de tijolo, posicionadas na parte mais profunda do viveiro, juntas da barragem e tendo por trás o cano de esgotamento, ou na parede anterior de uma galeria. As paredes contêm ranhuras onde se encaixa uma grade telada destinada a impedir a saída dos peixes.A galeria é uma pequena edificação vertical, construída em alvenaria de tijolo, rejuntada com argamassa de cimento/areia, sobre terreno sólido ou base de concreto simples. De sua parte dorsal sai o cano de esgotamento e na anterior posiciona-se a comporta ou adulfa e a janela com grade telada em ranhuras, as quais permitem a saída da água de renovação ou excedente e a permanência dos peixes no viveiro. A altura da galeria é a mesma do coroamento da barragem, ficando ela coberta com placa de concreto, dotado de janela com tampa removível, para inspeção. As vezes a placa de concreto comunica-se com a crista da barragem através da passarela de madeira ou concreto.

A galeria somente é utilizada nos grandes viveiros de barragem, pois é uma estrutura muito cara.

Piso do viveiro

Deve ser regularizado, sem depressões ou morros, e todo com declive fraco em direção ao cano de esgotamento. A regularização pode ser feita manualmente ou mecanicamente (auxílio de patrol ou trator). É preciso, pois, que o viveiro seque completamente.

Sangradouro

O sangradouro ou vertedouro visa dar vazão ao excedente de água que chega ao viveiro de barragem. Nor malmente ele é construído em uma das ombreiras do dique. Constitui-se numa escavação do terreno até a cota desejada para o máximo espelho de água no viveiro. Suas ombreiras são cortadas em taludes inclinados ou verticais, sendo neste caso protegidas por muros de alvenaria de pedra ou de tijolo contra a erosão. Sua soleira também pode ser protegida com revestimento de concreto ou alvenaria, caso contrário, deve ter pouca inclinação de montante para jusante.

O sangradouro deve ser suficiente largo para que a lâmina máxima da água que nele passe seja menor possível, dificultando ou impedindo, assim, a saída dos peixes. Com este objetivo, pode-se, também, nele colocar telas de arame, náilon ou outro material. Contudo, nestas se concentram ramos, folhas e detritos diversos que podem lhes causar vedação e subida da água na barragem, comprometendo sua segurança. Para amenizar este problema, a tela pode formar um vértice para o interior do viveiro, de modo que os detritos se concentrem em seus cantos, podendo serem removidos daí facilmente.

Como medida de segurança, pode-se dar ao sangradouro a largura do riacho barrado, com alguma folga. Contudo, melhor é dar-lhe uma vazão tal que escoe todo o excedente de água, a qual é calculada com base no volume deste líquido que passa, num dado momento, no local da barragem.

Viveiro de derivação

Conforme dito antes, é formado por escavações do terreno natural ou elevação parcial ou total de diques sobre aquele, sendo dotado de sistemas de abastecimento e de esvaziamento, de maneira que seja abastecido e esgotado no menor espaço de tempo possível.

A sequência e técnicas de construção de um viveiro de derivação, bem como suas partes constituintes, são vistas a seguir.

Levantamento plani-altimétrico da área

Feito nos moldes anteriormente descritos, devendo o mesmo ficar circunscrito numa poligonal no interior da qual fique toda a área destinada ao projeto do(s) viveiro(s) e das edificações, se houverem.

Elaboração do projeto

Nele devem constar as seguintes plantas: levantamento plani-altimétrico da área; baixa (situação) dos viveiros e de outras instalações, contendo contorno da área, estradas de circulação interna, edificações, arborização etc; de detalhes dos viveiros e outras instalações, com cortes; dos sistemas de abastecimento e de drenagem; além de outras que se fizerem necessárias.

Para elaboração do projeto dos viveiros ueve-se levar em conta as indicações de forma, superfície, profundidade etc., sugeridas antes.

Desmatamento e destocamento da área

Deve ser realizado nos moldes descritos para os viveiros de barragem. Na área dos viveiros as raízes das grandes árvores, devem ser arrancadas até a profundidade de pelo menos 1,00 m,a fim de se evitar futuras infiltrações de água através delas.

Marcação dos viveiros

De posse das plantas baixa e dos viveiros, uma turma de topografia, munida de teodolito, balisas, estacas, piquetes e trena, procede a marcação dos viveiros e de outras instalações.

Caso não se disponha de topógrafos com aqueles instrumentos, pode-se fazer a marcação utilizando esquadro, linha náilon, balisas, piquetes, estacas e trena. Com o esquadro e a linha mede-se ângulos retos. Com a trena as distâncias. As balisas são usadas nos alinhamentos, sendo necessárias três para as visadas. Piquetes e estacas utilizam-se para marcar os bordos dos viveiros e outros alinhamentos, como canais, drenos etc.

Escavação do viveiro

Pode ser manual, utilizando-se picaretas, chibancas, pás, enxadas, alavancas, carrinhos de mão etc., ou mecânica, com o uso de trator de esteira, pá-mecânica, caçambas, “motor-scraper” etc.

No que se refere a escavação, lembra-se que os viveiros podem ser totalmente escavados ou parcial ou totalmente elevados no terreno. No caso dos parcialmente elevados, parte da terra escavada pode ser usada na construção dos diques.

Após marcado o viveiro, escava-se uma vala central, cuja largura e comprimento são iguais às do piso dele e as profundidades iguais as determinadas para o viveiro. Toda a terra escavada é retirada.

Pronta a vala, faz-se, então, o taludamento ou regularização dos taludes, operação realizada, quase sempre, manualmente, usando-se picaretas, pás, enxadas e carrinhos de mão, consistindo em se dar a inclinação desejada aos mesmos. Nos internos de 2:1 a 3:1 e nos externos, se houverem, 1,5:1 a 2:1.

Quando se torna necessária a impermeabilização do viveiro com piçarra, escava-se a mais pisos e taludes, numa profundidade correspondente a altura da camada compactada de piçarra que aqueles vão receber.

Impermeabilização do viveiro

Quando o terreno escolhido para a construção do viveiro apresenta certo grau de permeabilidade, há que se fazer a impermeabilização do piso e taludes do mesmo, usando-se, para isto, piçarra compactada, manual ou mecanicamente, como descrito na construção das barragens. Dependendo do solo ser mais ou menos permeável, a camada de piçarra compactada varia de 0,15 a 0,30 m.

Construção dos diques ou barragens

A constituição e a construção dos diques dos viveiros de derivação são idênticas às descritas para os viveiros de barragem. Contudo, a fundação se restringe a retirada da terra vegetal, lama e areia solta, não necessitando de escavações até o material totalmente impermeável. Conforme dito antes, parte da terra de escavação do viveiro pode ser usada no erguimento dos diques, contribuindo para diminuir os custos daquele, pois, quando isto não ocorrer, há que se trazer terra de fora, aumentando os gastos de transporte. Se o material local não for muito bom (contiver muita areia, por exemplo), pode-se revestir os diques com piçarra, como referido no item anterior.

Pode acontecer que os diques separem viveiros contíguos. Neste caso a inclinação de seus taludes deve ser de 2:1 a 3:1, dependendo da qualidade do material usado e do seu grau de compactação. Os taludes externos podem ter inclinação de 1,5 a 2:1.

A largura do coroamento do dique varia de 1,00 a 5,00 m conforme se deseje ou não a passagem de veículos. As vezes, quando se projeta uma bateria de viveiros contíguos, a cada 3 a 5 deles, dependendo de suas larguras, deixa-se o coroamento com largura maior (4,00 a 5,00 m), para passagem de viaturas, ficando os demais com 1,00 a 2,00 m. Isto é necessário para transporte e adubos, alimentos e dos próprios peixes. Também sobre os diques poderão passar canais e/ou drenos.

Piso do viveiro

Deve ser bem regularizado, livre de depressões ou elevações, e todo com declividade entre 0,5 a 1,0%, para médios e grandes viveíros, e entre 1 a 2%, para os pquenos, em direção ao sistema de esvaziamento (cano de esgotamento), onde se reúnem os peixes durante a secagem daqueles. Por isto, é preciso que os viveiros sequem total e lentamente.

Nos locais onde foram arrancadas grandes árvores, o piso deve ser reconstruído com piçarra compactada.

Caixa de coleta

Viveiros de reprodutores e alevinagem podem ter caixa de coleta. Esta se constitui num rebaixamento de 0,30 a 0,40m do piso do viveiro, em sua parte anterior (mais profunda), de tal modo que dela parta o cano de esgotamento daquele, para cuja extremidade todo o piso da caixa deve a presentar declividade de 2%.

A caixa é construída em alvenaria simples de tijolo, revestida com argamassa de cimento e areia. Sua largura é em torno de 2,00 m e seu comprimento pode alcançar ou não toda largura do viveiro.

O sistema de esgotamento (cano, cano/cotovelo, monge etc.), posiciona-se dentro ou no bordo da caixa de coleta. Nesta os peixes (alevinos ou reprodutores) são capturados na água limpa e sem turbidez.

Sistema de abastecimento

Visa levar água da fonte (rio, riacho, açude, lago, nascente, canal, poço etc.) até o viveiro. Compõe-se de três partes:

Tomada de água da fonte para o canal- Varia segundo a fonte fornecedora de água. No caso de nascente ou riacho pode-se usar:

  1. Cano de ferro, plástico (PVC) ou cimento-amianto, vedado com rolha, ligando o curso de água ao canal. As vezes aquele precisa ter seu nível elevado. Usa-se, para isto, pequenos anteparos feitos com estacas de madeira colocadas transversalmente ao riacho, amarradas com arame, cordas ou cabos de náilon, ou pequena barragem de concreto ou alvenaria de pedra. Lembra-se que o cano de ferro é caro e está sujeito a oxidação.
  2. Comporta imersa – Consiste em duas paredes frontais de alvenaria de tijolo ou pedra, revestidas com argamassa de cimento/areia, providas de ranhuras onde se encaixa uma comporta de madeira que controla a saída da água. Por isto, é que as paredes são erguidas na margem do curso de água.

Quando a fonte de água é um rio ou poço, emprega-se, normalmente, o bombeamento, usando-se motorbomba ou eletrobomba, cuja vazão deve ser a requerida pelo(s) viveiro(s).

Na tomada de água de um canal utiliza-se, além dos dispositivos referidos para os riachos, comporta, constituída de prancha de metal e varão, ou registro. Este é bastante caro.

No caso de açude pode-se empregar:

  1. Cano vedado com rolha ou dotado de registro para controle da saída da água. Pode ser de ferro (caro e sujeito a oxidação), cimento-amianto, plástico (PVC) rígido (que não suporta grandes pesos) ou manilhas de barro ou de concreto armado e atravessa a barragem do açude de montante à jusante.
  2. Cano com galeria – Constitui-se no mesmo sistema descrito para esvaziamento do viveiro de barragem.
  3. Sifão – Constituído por canos plásticos (PVC) rígido, cimento-amianto ou ferro em forma de três ramais, um horizontal que atravessa a barragem do açude, a uma profundidade máxima de 2,00 m do coroamento, e dois descendentes, um no talude de montante, até uma profundidade de 6,00 m na água, e um de jusante, que desemboca no canal. O sifão apresenta, ainda a válvula, na extremidade do cano de montante, a escorva, na parte superior do cano horizontal, e o registro, próximo a extremidade do cano de jusante.A escorva é uma abertura, fechada com tampão, destinada a encher o sifão com água; a válvula é usada para mentê-lo cheio de água, quando não estiver operando, e o registro para controle de vazão da água.

    O diâmetro dos canos depende da vazão desejada.

  4. Bombeamento.

Canal de abastecimento – Visa conduzir a água da fonte até o(s) viveiro(s), chegando a mesma a uma altura tal que aquele(s) seque(m) por gravidade, seja qual for o nível da água no dreno natural (riacho, rio etc.).

O canal seguirá sempre uma curva de nível e caso seja necessária queda acentuada do mesmo, ela deve se processar em trecho revestido com alvenaria de tijolo ou pedra ou em concreto, devendo o mesmo constar no projeto dos viveiros.

A marcação do canal deve ser feita por topógrafo e auxiliares. No seu caminhamento são necessárias sondagens, a fim de se verificar a ocorrência de rochas.

O canal pode ser:

  1. De terra – É o mais barato, sendo, contudo, de pequena vida útil e de manutenção cara, pois está sujeito a constantes desmoronamentos, assoreamentos e rompimentos. Além do mais, podem causar turbidez na água que chega aos viveiros, em virtude da erosão dos taludes e piso do canal. Por isto, a declividade de seu piso deve ser de 0 a 0,5% o (0,5 cm em 10 m) e a velocidade máxima da ável de 0,15 m/s.O canal de terra tem formato trapezoidal, a presentando piso, taludes internos e externos e passeio (parte superior). Após marcação no terreno, inicia-se sua construção cavando-se, manual ou mecanicamente, uma vala cuja largura é igual a do piso e cuja profundidade é a mesma do canal. Após isto, faz-se o taludamento, nos moldes descritos para a construção do viveiro. Os taludes internos têm inclinações variando de 2:1 a 3:1, conforme a qualidade do material local, ou se os taludes são revestidos. As vezes o canal precisa atravessar áreas baixas (depressões), o que tem de ser feito sobre aterro. Neste caso, é conveniente usar piçarra compactada, ficando os taludes externos com inclinação de 1,5:1. No local de saída do canal, dependendo do sistema de tomada de água, pode ter pequena caixa de alvenaria de tijolo, revestida com argamassa de cimento/areia, destinada a amortecer a velocidade da água. Suas dimensões podem ser de 1,00×1,00×0,80 m.

    Para dimensionar o canal usa-se a fórmula de MANNING

    Q = 1/n A.R2/3. i1/2

    em que: Q = vazão em m3s; n=coeficiente de rugosidade (0,025 nos canais de terra); A = área molhada (largura) do piso × altura máxima da água) em m2; R = raio hidráulico (R = A/P, em que A = área molhada, em m2, e P = perímetro molhado, em m); e i = declividade do piso em m/m. O perímetro molhado é igual a 2 × altura máxima da água + largura do piso. Cohecendo-se Q (vazão desejada), n e i, estipula-se a largura do piso e a lâmina de água do canal, obtendo-se, assim, A e R.

  2. De alvenaria – que pode ser de tijolo ou de pedra; em ambos os casos revestida com argamassa de cimento/areia. Normalmente, as paredes são simples (0,15 m de epsessura). Em virtude de ser revestido o canal de alvenaria tem piso com declividade de até 1%o (1 cm em 10 m) e água com velocidade de até 1 m/s. Ele pode ter forma trapezoidal (taludes com inclinações de 1:1), contudo, normalmente apresenta forma retangular (paredes verticais).Na construção do canal de alvenaria escava-se uma vala no terreno, após sua marcação, cuja largura é igual a que se deseja para o canal mais duas vezes a espessura da alvenaria do piso. Isto quando as paredes são verticais. No caso em que elas são inclinadas, após a escavação da vala faz-se o taludamento e, em seguida, o revestimento com a alvenaria.

    Para o cálculo deste canal, emprega-se também a fórmula de MANNING, sendo que n varia de 0,017 a 0,02, conforme as paredes apresentem menor ou maior rugosidade. Ele é mais caro do que o de terra, contudo, tem vida útil muito maior e exige menores gastos com manutenção.

  3. De concreto armado – É o canal mais caro, porém o de maior duração e que apresenta menores gastos com manutenção. Sua forma é retangular (paredes verticais), piso com inclinação de até 1%o e velocidade da água máxima de 1 m/s.O canal pode ser formado por peças de concreto pré-moldados ou ser concretado no local, após escavação de uma vala cuja largura é a do piso + 2 vezes a espessura do concreto, que varia de 0,05 a 0,10 m, e cuja profundidade é a do canal + espessura do concreto no piso. Neste último caso, após colocação das formas de madeira, contendo a armação de ferro, na vala enche-se a mesma com o concreto (cimento, brita e areia), traço 1:3:7, vibrando-o intensamente, para melhor distribuição do concreto em seu interior. Há necessidade de se colocar juntas de dilatação, em intervalos regulares. As mais usadas são as de borracha. Retiradas as formas de madeira, o canal está pronto.

    A fórmula de MANNING é também empregada para cálculo deste canal, sendo n = 0,013.

  4. Tubulado ou fechado – Formado por tubulações de plástico (PVC) rígido, cimento-amianto ou por manilhas de barro ou de concreto. Sua declividade dificilmente ultrapassa a 1%o e eles são normalmente enterrados, ao contrário dos demais que correm sobre o terreno.

O cálculo do canal tubulado é feito usando-se a fórmula de Hafén-Willians, que é a seguinte:

em que: I = declividade do canal em m/m; Q = vazão em m3/s; D = diâmetro da tubulação em m e K = constante, variando com a rugosidade do material do tubo (no concreto K = 0,00129).

Qualquer que seja o canal ele pode apresentar:

  1. queda de nível – quando se deseja passar de uma curva de nível superior para uma inferior. O trecho em queda deve ser revestido em alvenaria, para que não haja erosão.
  2. caixas de decantação e de distribuição da água – São caixas de alvenaria de tijolo, com profundidades e dimensões variáveis destinadas a decantação de materiais sólidos que vêm na água do canal e/ou permitir a saída da água para os tanques e viveiros. Elas apresentam paredes simples e seus lajões ficam abaixo do piso do canal. Delas partem, portanto, as tubulações para abastecimento de tanques e viveiros. Na saída destas, podem ser colocadas telas para impedir passagens de peixes. Normalmente isto é feito numa pequena reentrância da caixa.
  3. sifão invertido – Quando o canal atravessa estrada não pode caminhar na superfície do terreno e sim deve ser enterrado, usando-se, para isto, duas caixas de alvenaria de tijolo e tubulações, ou seja, o sifão invertido, que funciona como sistema de vasos comunicates.
  4. filtro – Pequena construção em alvenaria simples de tijolo, revestida com argamassa de cimento/areia, dotada de dois ou três compartimentos, contendo seixos rolados ou brita números 1 ou 2, nos quais passa a água para abastecimento de tanques e viveiros, ficando retidos peixes alienígenos, nas diversas fases de desenvolvimento. As vezes o filtroé formado por um simples alargamento do canal, tipo caixa, contendo em seu interior compartimentos com 0,30 a 0,50 m de largura cheios com seixos rolados ou brita 1 ou 2.

Tomada de água do canal para o viveiro – Formada por tubulação de plástico (PVC) rígido, cimentoamianto ou manilha de barro. Esta última pouco usada. O tubo parte diretamente de uma reentrância do canal ou, mais comumente, de uma caixa de distribuição, devendo regularizar a entrada de água no viveiro e impedir a circulação dos peixes antre este e o canal. Por isto, sua extremidade livre deve ficar 0,30 m acima do nível máximo da água no viveiro.

O cano é colocado a nível, ficando perpendicular ao canal, sendo sua vazão regulada com rolha ou comporta de madeira (esta correndo em duas ranhuras) ou com registro (geralmente caro). As vezes na saída dele na caixa ou da reentrância do canal existe duas filas de ranhuras, uma para a comporta e outra para a grade de madeira telada, destinada a reter peixes alienígenos. Com este objetivo pode-se colocar, também, na extremidade livre do cano de abastecimento tela milimetrada de náilon ou arame ou, ainda, uma caixa de proteção (armação de madeira e fundo de tela milimetrada), que se encaixa no cano. Tanto a tela quanto a caixa devem ser limpas pelos menos umas duas vezes por dia. Nesta operação fecha-se a entrada da água no viveiro.

Sistema de esvaziamento ou drenagem e de renovação de água

Utiliza-se os mesmos descritos para o viveiro de barragem, com exceção da galeria. Os mais usados são cano/cotovelo e o monge. Este sistema fica no interior ou na borda da caixa de coleta, quando o viveiro a possui, e na extremidade de montante do cano de esgotamento, o qual se posiciona na parte mais profunda do viveiro. A extremidade de jusante desse cano termina no dreno, que pode ser natural (baixada, riacho, rio, lagoa, açude etc.) ou artificial (escavado no terreno ou tubulado). É bom que ela termine 1,00 m acima do nível máximo da água no dreno a fim de permitir o uso de uma caixa de despesca. Esta se constitui numa armação de madeira ou de alvenaria simples de tijolo, conforme seja móvel ou fixa, contendo tela de naílon ou arame no fundo e/ou nos lados, por onde sai a água, ficando os peixes em seu interior, de onde são facilmente retirados com puçà.

O dreno artificial pode ser aberto ou fechado (tubulado). No primeiro caso ele pode ser simplesmente escavado no terreno natural, com taludes 2:1 a 2,5:1, ou revestidos em alvenaria de tijolo ou pedra ou, ainda, com lajotas de concreto. Há necessidade de juntas de dilatação, quase sempre. A declividade do piso deve ter, no máximo, 1%. Nos de terra menor. A inclinação dos taludes do dreno revestido deve ser de 1:1. Todos apresentam, pois, forma trapezoidal.

O dreno fechado é formado por tubos de plástico PVC, cimento-amianto ou manilhas de barro ou de concreto armado. Seus diâmetros dependem da vazão da água a escoar e, por conseguinte, do volume de água do(s) viveiro(s). A declividade dos tubos ou manilhas deve ser, no máximo, 1%. Este dreno pode apresentar caixa de decantação ou de passagem e sifão invertido, nos moldes descritos para os canais.

Escolha das espécies para os cultivos

As espécies de peixes para os cultivos intensivos e semi-intensivos, devem apresentar as seguintes características:

  1. Sejam adaptadas ao clima da região – para o Nordeste temos, como opção, tambaqui, Colossoma macropomum pirapitinga, C. brachypomum; carpa comum, Cyprinus carpio; macho da tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus; híbrido de tilápias (Oreochromis hornorum × O. niloticus) e curimatã pacú, Prochilodus marcggrawii. Esta última para policultivos, somente. Dependendo de maiores estudos, poderemos contar com as carpas chinesas: capim, Ctenopharyngodon idella; prateada, Hypophthalmichtys molitrix; e cabeça grande, Aristichthys nobilis;
  2. Apresentem crescimento rápido – É necessário que atinja peso comercial antes de 1 ano de cultivo. Isto acontece com todas as espécies citadas no item a;
  3. Reproduzam-se naturalmente em cativeiro, de preferência, ou sejam passíveis de se obter a propagação artificial (hipofisação). – No primeiro caso, estão as tilápias e a carpa comum. As demais só se propagam em cativeiro através da hipofisação;
  4. Aceitem alimentos artificiais com bom índice de conversão alimentar. Com exceção da curimatã pacu, as demais espécies citadas no item a atendem a esta necessidade;
  5. Suportem elevadas densidades de estocagem. – Sob este aspecto as tilápias são imbatíveis, vindo em seguida tambaqui, pirapitinga e carpa comum. A curimatã pacu tem seu crescimento bastante afetado pela elevação na densidade de estocagem;
  6. Sejam resistentes ao manuseio e as enfermidades. – Sob este aspecto, as tilápias são também imbatíveis, vindo em seguida tambaqui, pirapitinga, curimatã pacu e carpa comum; e
  7. Sejam de boa aceitação comercial – Isto acontece com todas as espécies citadas no item a. Não temos informações ainda sobre o valor econômico das carpas chinesas no Nordeste brasileiro.

Mono e policultivo de peixes

A piscicultura no Nordeste brasileiro vem utilizando mono e, principalmente, policultivos. No primeiro caso são criados o híbrido de tilápias, o tambaqui, a pirapitinga a carpa comum (variedades escamosa e espelho) e machos da tilápia do Nilo.

Para as tilápias usam-se, além do alimento natural, subprodutos agrícolas e da agroindústria (xerém de milho e sorgo; cuim de arroz; tortas de algodão, babaçu, mamona, amendoim etc.; farelos de trigo, soja etc.) como alimentos artificiais e a consorciação com suínos, bovinos, galináceos e marrecos. Alguns piscicultores têm utilizado ração balanceada, tipo engorda para galináceos, com teores protéicos oscilando de 19 a 22%. As densidades de estocagem variam de 10 a 20 mil peixes/ha, com peso médio inicial entre 20 a 40 g. As taxas de sobrevivência variam de 90 a 100% e as produtividades são boas (tabela 1).

As tilápias se constituem em excelentes peixes para cultivos nesta região, mercê de suas rusticidades, maturação sexual precoce (4 a 6 meses), desovarem em ambientes muito restritos (aquários, por exemplo), alimentarem-se nos primeiros elos da cadeia trófica (consomem macrófitas aquáticas, algas, zooplâncton etc.), aceitarem uma variada gama de alimentos artificiais (principalmente subprodutos agroindustriais) e terem ótima aceitação comercial. Algumas espécies têm crescimento rápido, como a do Nilo. No entanto, as tilápias apresentam problemas de superpopulação em viveiros, devido as suas precocidade, prolificidade e rusticidade. Daí ser necessário criar somente machos, que crescem cerca de duas vezes mais do que as fêmeas de mesma idade e criadas nas mesmas condições. Elas são de origem africana.

Tambaqui e pirapitinga são nativos da bacia amazônica com regime alimentar onívoro (consomem zooplâncton, frutos, sementes, insetos, moluscos, ramos tenros de macrófitas aquáticas etc.) e não se reproduzem em cativeiro, exigindo, para isto, a propagação artificial. A primeira maturação gonadal é atingida após três anos de idade. Apresentam crescimento rápido, podendo atingir 1,5 kg em um ano de criação e aceitam uma grande variedade de alimentos artificiais (grãos, tortas, farelos, rações balanceadas etc.), podendo serem alimentados com frutos (juá, melão, melancia, maxixe etc.).

TABELA 1

PRODUTIVIDADES OBTIDAS EM MONOCULTIVOS DE MACHOS DE TILÁPIA DO NILO, OREOCHROMIS NILOTICUS L., E DE HÍBRIDOS DE TILÁPIA (O. HORNORUM TREW. × O. NILOTICUS L.), NO NORDESTE BRASILEIRO.

ESPÉCIE PEIXE/HA ALIMENTO FORNECIDO ADUBO USADO PRODUTIVIDADE (KG/HA/ANO)
Tilápia do Nilo 10.000 Ração de Galinha (3%) 7.238
Tilápia do Nilo 7.000 Torta de Babaçu (5%) 3.856
Tilápia do Nilo 10.000 Farelo de Arroz (3%) 5.878
Híbrido 10.000 Torta de Mamona (3%) 5.290
Híbrido 10.000 Torta de Babaçu (3%) 4.002
Híbrido 10.000 Torta de Algodão (3%) 3.771
Híbrido 21.000 Torta de Algodão + Torta de Babaçu (3%)* 9.983
Híbrido 31.000 Idem, Idem (3%)** 11.816
Híbrido 8.000 Esterco de Galinha (1kg/4m2/mês) 2.760
Híbrido 10.000 Farelo de Arroz (3%) 6.496
Híbrido 10.434 Farelo de Arroz (3%) Esterco de bovino (1Kg/2m2/mês) 7.964
Híbrido 11.428 Esterco de bovino*** 11.166

Fonte: DNOCS

OBS.:
* e
** 50% Torta de Algodão + 50% Torta de Babaçu
*** Oriundo de um bezerreiro com 120 animais em estabulação permanente.

As percentagens colocadas entre parênteses referem-se as taxas diárias de alimentação, em relação ao peso vivo.

Nos monocultivos de tambaqui adotam-se densidades de estocagem que variam de 5 a 10 mil peixes/ha, partindo do peso médio inicial variando, geralmente, de 20 a 40 g. Como alimentos, usam-se grãos (milho e sorgo), farelos, tortas e rações balanceadas, tais como as comercialmente vendidas para galináceos. Contudo, como nos demais cultivos, é básico que os viveiros permaneçam bem férteis, mediante o uso de adubos orgânicos. Daí estas espécies virem sendo criadas em corsorciação com suínos e marrecos. A tabela 2 mostra alguns resultados de monocultivos do tambaqui e da pirapitinga em nossa região.

A carpa comum é de origem asiática, daí foi levada para as diversas regiões do mundo, de tal modo que hoje se constitui no único peixe domesticado e o mais cosmopolita dos cultivados. Vivem em temperaturas que variam de 0 a 40°C. É rústico; dos mais prolíficos; atinge a primeira maturação gonadal entre 1 a 2 anos (em nossas condições climáticas); se reproduzem em cativeiro, desde que o ambiente tenha vegetação submersa ou sobrenadante para fixação dos ovos; tem regime alimentar onívoro (consome plâncton, organismos bentônicos, folhas e ramos tenros de macrófitas aquáticas, sementes, insetos etc.) e aceitam variada gama de alimentos artificiais (os mesmos citados para o tambaqui e pirapitinga).

Nos monocultivos de carpa comum têm sido empregada a mesma metodologia descrita para o tambaqui e pirapitinga, sendo utilizada, ainda, a ração comercial CARPYL para alimentar este peixe. A tabela 2 dá alguns resultados dos monocultivos da carpa comum, salientando que são criadas apenas as variedades escamosas e espelho, oriundas da Hungria e de Israel.

TABELA 2
PRODUTIVIDADES OBTIDAS EM NOMOCULTIVOS DE TAMBAQUI, COLOSSOMA MACROPOMUM CUVIER, DA PIRAPITINGA, COLOSSOMA BRACHYPOMUM CUVIER, E DA CARPA ESPELHO, CYPRINUS CARPIO L. VR. SPECULARIS, NO NORDESTE BRASILEIRO.
ESPÉCIE PEIXES/HA ALIMENTO FORNECIDO PRODUTIVIDADE
KG/HA/ANO
Tambaqui 5.000 Milho (3%) 4.470
Tambaqui 5.000 Torta de Babaçu (3%) 4.276
Tambaqui 5.000 Ração p/Galináceos (3%) 6.636
Tambaqui 10.000 Ração p/Galináceos (3%) 9.240
Pirapitinga 5.000 Ração p/Galináceos (3%) 4.200
Pirapitinga 10.000 Ração p/Galináceos (3%) 8.260
Carpa espelho 5.000 Ração p/Galináceos (3%) 4.407
Carpa espelho 7.500 Ração p/Galináceos (3%) 4.910
Carpa espelho 10.000 Ração p/Galináceos (3%) 4.440
Carpa espelho 5.000 Raçao Carpyl (3%) 4.891

Fonte: DNOCS

OBS: As percentagens referem-se as taxas diárias de arraçoamento, em relação ao peso vivo.

O policultivo é uma das técnicas mais antiga e salutar da piscicultura, pois na água se desenvolvem variados ti-pos de alimentos naturais (fito e zooplâncton, bentos, insetos, ologoquetas, moluscos, algas filamentosas, macrófitas etc.) e, se se praticar o monocultivo, apenas um ou dois desses alimentos serão aproveitados, dependendo do regime alimentar do peixe criado. No entanto, se se cria duas ou mais espécies, com exigências tróficas diversas, quase todo o alimento natural será consumido e a produção piscícola sensivelmente elevada.

Em nossa região têm sido usadas nos policultivos, além das espécies indicadas para monocultivos, as carpas capim, prateada e cabeça grande e a curimatã pacu.

As associações de espécies mais adotadas são as seguintes, com suas respectivas densidades de estocagem:

  • Tambaqui (2.500 a 5.000/ha) + híbrido de tilápias ou machos da tilápia do Nilo (5.000/ha) + carpa espelho (2.500/ha);
  • Pirapitinga (2.500/ha) + híbrido de tilápias ou machos da tilápia do Nilo (5.000/ha) + carpa espelho (2.500/ha);
  • Híbrido de tilápias ou machos da tilápia do Nilo (10.000/ha) + carpa espelho (2.500/ha);
  • Híbrido de tilápias ou machos da tilápia do Nilo (5.000/ha) + tambaqui ou pirapitinga (5.000/ha);
  • Tambaqui ou pirapitinga (5.000/ha) + carpa espelho (2.500 a 5.000/ha);
  • Carpa comum (2.000 a 2.500/ha) + tambaqui (2.000 a 2.500/ha) + carpa prateada (2.000 a 2.500/ha) + carpa cabeça grande ou carpa capim (500/ha) + curimatá pacu (200/ha).
  • Carpa prateada (4.000 a 5.000/ha) + carpa cabeça grande (500/ha) + carpa comum (1.000/ha) + tambaqui (1.000/ha) + carpa capim (500/ha); e
  • Carpa capim (2.000/ha) + carpa prateada (3.000 a 4.000/ha) + carpa cabeça grande (1.000/ha) + tambaqui (2.000/ha).

Lembramos que a carpa prateada é fitoplânctófaga, a cabeça grande consome zooplâncton e a capim é vegetariana. Todas necessitam da propagação artificial, não se reproduzem em cativeiro, e apresentam crescimento rápido.

Nos policultivos se tem utilizado consorciações com suínos e marrecos, fertilizações dos viveiros com esterco de bovinos e galináceos (1 kg/4m2/mês) e arraçoamento dos peixes com vegetais, subprodutos agroindustriais, grãos (milho e sorgo) e rações balanceadas (principalmente o tipo engorda para frangos do corte). Os peixes são estocados com 20 a 40 g de peso médio, na maioria dos casos, e suas produtividades são vistas na tabela 3.

Fornecimentos de alimentos artificiais

Conforme referido no item 1.4, diversos subprodutos agroindustriais, grãos e rações balanceadas são fornecidos aos peixes em cultivo semi-intensivos e intensivos. Eles são ofertados na base de 3 a 5% da biomassa daqueles no viveiro. Alevinos e peixes muito jovens, em crescimento ativo, recebem 4 a 5% e os maiores em engorda 3%. As vezes inicia-se com uma taxa maior de arraçoamento, sendo a mesma diminuida a medida em que os peixes crescem.

TABELA 3
RESULTADOS DE CULTIVOS CONSORCIADOS PEIXES/SUÍNOS REALIZADOS NO NORDESTE BRASILEIRO
ESPÉCIE(S) DENSIDADE DE ESTOCAGEM (PEIXES/HA) SUÍNOS/HA* TEMPO DE CULTIVO (DIAS) PESO MÉDIO FINAL (G) DOS PEIXES PRODUTIVIDADE (KG/HA/ANO)
Híbrido de Tilápia* * 10.000 60 193 304 5.577
Tilápia do Nilo 8.000 70 189 205 2.878
Híbrido de Tilápias 10.000 120 118 447 13.827
Tambaqui + 2.500 360
Híbrido de Tilápias 5.000 90 89 360 14.530
Carpa Espelho 2.500 337

Fonte: DNOCS

OBS:
* Suínos/ha viveiro de pisciultura
* * Oreochromis Hornorum Trew. x O. Niloticus L

Para se calcular a taxa de alimentação para um dado mês, retira-se, com rede de arrasto, alguns peixes e deles se obtém o peso médio, o qual multiplicado pelo número de indivíduos no viveiro fornece a biomassa. Desta se tira a quantidade diária do alimento, de acordo com a taxa adotada.

A ração diária deve ser dividida em duas ou mais refeições, podendo o alimento ser lançado diretamente na água do viveiro ou colocada em comedouros, preferentemente pela manhã bem cedo e a tardinha. Caso a água do viveiro se apresente muito verde e com baixo teor de oxigênio dissolvido, o que pode ser verificado na prática pela vinda à superfície e pela não captação do alimento pelos mesmos, deve-se suspender a alimentação e proceder uma renovação da água do viveiro. O mesmo procedimento deve ser adotado quando houver excesso de matéria orgânica naquele em consequência das adubações.

Despesca dos tanques e viveiros

Pode ser feita parcelada ou totalmente. No primeiro ce várias pescarias, utilizando-se redes de arrasto (as mais usadas) ou de espera, tarrafas ou anzóis e quando restarem poucos peixes no viveiro este é esvaziado e todos os indivíduos capturados. Na despesca total o viveiro é esvaziado e todos os peixes capturados para a comercialização.

No esvaziamento do viveiro deve-se ter cuidado com o sistema de drenagem para que por ele os peixes não escapem.

No uso da rede de arrasto o número de operários para arrastá-la no viveiro depende da largura deste, daí não ser recomendável que eles sejam muito largos.

Como os peixes são destinados a imediata comercialização não tem problema que eles sejam capturados na lama. No entanto, logo que isto aconteça eles devem ser lavados em água limpa e colocados no recipiente de transporte.

Conservação das instalações piscícolas

Há necessidade de se manter as diversas partes dos tanques e viveiros em boas condições de operacionalização, para isto deve-se ter cuidado com os taludes, o piso e com os sistemas de abastecimento e de drenagem.

Sempre que o viveiro for esvaziado, deve-se examinar os taludes dos diques e caso eles apresentem desmoronamentos serão reconstituídos com piçarra compactada. Quanto ao piso do viveiro, convém evitar que animais de grande porte nele penetre ou que o homem nele muito ande. Em ambos os casos ficarão buracos que terão de ser posteriormente recuperados. Conforme afirmou-se antes, o piso do viveiro deve ser livre de depressões ou morros para que ele seque completamente e os peixes sejam capturados na parte mais baixa do viveiro. Caso hajam depressões e elevações no piso, há necessidade de que o mesmo seja retificado com auxílio de enxadas e picaretas.

Conforme referido antes, quando o viveiro é muito raso pode haver invasão de gramíneas, ciperáceas e de outros vegetais ciliares em seu piso. Caso isto aconteça as plantas devem ser removidas logo que o viveiro seja esvaziado. Nesta oportunidade, inspeciona-se os sistemas de abastecimento e drenagem, principalmente se não há furos nas telas, devendo as mesmas serem trocadas se isto acontecer.

No que diz respeito aos tanques, é preciso verificar, quando de seus esvaziamentos, a existência de possíveis rachaduras na alvenaria, as quais devem ser imediatamente obstruídas, bem como as condições dos sistemas de abastecimento e de esvaziamento.

Consorciação de Peixes Com Outros Animais Domésticos

Considerações gerais

Vários têm sido os métodos de se aumentar a produtividade primária de um ambiente aquático, possibilitando meios de alimentação para os peixes em cultivo. O uso de excrementos de animais vem sendo adotado em todo o mundo, notadamente os de bovinos, suínos, galináceos e marrecos. As vantagens desta fertilização são, além do fornecimento de minerais para a produtividade primária, promover a colmatagem do piso e taludes do viveiro, originar o grande número de bactérias que servem de alimento diretamente para o zooplâncton, diminuir o pH da água quando ela é muito alcalina, facilitar a absorção do fósforo pelos seres autotróficos e fornecer CO2 para a fotossíntese. Além disto, os estercos de suínos e de galináceos são consumidos diretamente por alguns peixes tais como as tilápias.

Bovinopiscicultura

Algumas criações de peixes, notadamente tilápias, têm sido realizadas em nossa região em consórcio com a bovinocultura. Para isto os estábulos são construídos em planos superiores aos viveiros, sendo os dejetos dos bovinos carreados para o interior daqueles, numa proporção nunca superior a 5t/ha/mês, distribuídos em parcelas diárias. A tabela 4 mostra os resultados de dois destes cultivos.

Suinopiscicultura

Uma das consorciações mais adotadas em nossa região é a de peixes com suínos, mediante a construção de pocilgas sobre o viveiro (sistema de palatifas) ou em suas margens. Neste caso, os dejetos dos porcos são lavados diariamente para o interior do viveiro, juntamente com restos de comida caída dos cochos. No sistema de palafitas estes produtos caem diretamente na água do viveiro.

Na suinopiscicultura tem sido criados 60 a 120 porcos por hectare de viveiro de piscicultura, tendo os animais peso médio em torno de 20 kg e recém desmamados. O manejo que lhes são dados é o usual adotado na suinocultura da região, no que se refere a castração, uso de vacinas e vermífugos e alimentação.

As densidades de estocagem dos peixes variam de 8 a 12,5 mil indivíduos/ha, com peso médio de 20 a 40g, sendo os mesmos utilizados em mono e policultivos. As espécies mais criadas são as tilápias, tambaqui e carpa comum. A tabela 3 mostra algumas produtividades obtidas na suinopiscicultura da região, salientando-se que a duração dos cultivos varia de 4 a 6 meses.

TABELA 4
RESULTADOS DA CRIAÇÃO DE HÍBRIDO DE TILÁPIAS (OREOCHROMIS HORNORUM TREW x O. NILOTICUS L.) NA FAZENDA COLUMINJUBA (MPARANGUAPE, CEARÁ) E NO PERÍMETRO IRRIGADO DE MORADA NOVA (MORADA NOVA, CEARÁ).
ESPECIFICAÇÃO UMIDADE FAZENDA COLUMINJUBA * PERÍMETRO IRRIGADO MORADA NOVA**
Área do viveiro m2 5.500 2.300
Densidade de Estocagem Peixe/ha 11.428 10.434
Peso médio de estocagem Grama 48 15
Período de criação Dias 130 180
Peso médio final Grama 400 383
Ganho de peso Grama/Dia 2,6 2,0
índice de conversão alimentar 3:1
Produtividade kg/ha/ano 11.166 7.964
Sobrevivência % 87 99,5

Fonte: DNOCS

OBS.:
* Os peixes não receberam ração. Contudo, foi colocado no viveiro esterco oriundo da lavagem de um curral com 120 bezerros na idade de 1 a 6 meses.
Os peixes receberam farelo de arroz, com 14% de proteína bruta, fornecido na base de 3% do peso vivo, diariamente. O viveiro foi fertilizado com 154 kg de esterco de bovinos, semanalmente.

Consorciação com galináceos e marrecos

A consorciação peixes com galináceos (frangos de corte e galinhas poedeiras) é uma das melhores, dada a excelente qualidade de seus estercos, principalmente para tilápias, pois lhes servem como alimento direto. As gaiolas das poedeiras ou os galinheiros podem ficar posicionados sobre os viveiros, para cujas águas cai diretamente o esterco. As condições ambientais ficam mais amenas para os galináceos, em virtude de água logo abaixo. Normalmente são criadas 200 a 250 galinhas ou frangos por hectare de viveiro de piscicultura.

Realiza-se, também, a consorciação galináceos, suínos e peixes. Segundo WOYNAROVICH (1985) “A pocilga é construía sobre o viveiro e cerca de 1,6 m de altura acima desta, são colocadòs os galinheiros. Desta forma, todos os desperdícios da produção de ovos e porcos são utilizados pelos peixes”.

A consorciação peixe e pato vem sendo bastante adotada nesta região, pelas vantagens que apresenta, pois a ave retira do viveiro importantes e valiosos alimentos (vermes, moluscos, insetos, sementes, ervas aquáticas etc.) e fornece o esterco para uma continuada fertilização do viveiro, mantendo-o com boa produtividade de alimentos naturais para os peixes. Lembra-se que cada marreco origina, em média, 2 kg de esterco por mês, o suficiente para produzir 0,4 kg de peixe (BÓDIS E ROSA, 1987).

Em criações isoladas os marrecos necessitam de rações com 18 a 20% de proteínas, mas quando criados em viveiros de piscicultura esta exigência cai para 14 a 15%, pois o restante eles retiram da água. Além do mais seus músculos adquirem, com a natação, mais consistência, menos gordura e melhor sabor (BÓDIS E ROSA, op. cit.). Salienta-se que o movimento das aves no viveiro provocam ondulações na água do mesmo e, consequentemente, melhor oxigenação.

A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), está disseminando nesta Região uma linhagem húngara do marreco de Pequim, o qual alcança 2,4 a 2,6 kg em 50 a 55 dias de criação consorciada com peixes. Estes atingem 0,8 a 1,0 kg em 10 a 12 meses de cultivo. Segundo BÓDIS E ROSA (op. cit.), as produtividades são de 6,8 t/ha/ano de marreco abatido e 5,1 t/ha/ano de peixes, o que perfaz um total de 11,9 t de carne/ha/ano.

Na técnica de cultivo os marrecos são levados para os viveiros com 14 a 15 dias de vida, quando são bastante resistentes. Eles podem ser mantidos em plataformas construídas sobre as águas daqueles, sistemas de palafitas, nas quais são colocados comedouros e ninhos de postura, devendo as mesmas possuirem rampas de madeira ou de tela, a fim de que as aves transitem delas para a água do viveiro e vice-versa. As plataformas podem ser cobertas com telhas comum ou folhas de palmeiras.

Outro sistema de cultivo é o de se construir galpões nas margens do viveiro, onde ficarão comeduros e ninhos. Para 10.000 m2 de viveiros são necessários 200 m2 de área coberta, considerando-se a criação de 500 marrecos. Em idêntica situação de cultivo necessitar-se-á de 150 m2 de plataformas.

Há necessidade de se construir, em volta do viveiro, um cercado de tela de arame ou náilon, com cerca de 0,40 a 0,50m de altura, para que os patos não passem de um viveiro para outro. É bom que o cercado seja móvel, a fim de que possa ser utilizado em diversos viveiros.

Na consorciação utiliza-se 400 a 500 marrecos por hectare de viveiro de piscicultura, sendo os mesmos alimentados com ração para engorda de frangos, com índice de conversão alimentar médio de 3,13:1. São necessários 2 cm de comedouro para cada pato. Este pode ter sua ração preparada pelo próprio piscicultor, sendo necessário que a mesma contenha 14 a 15% de proteína e ser ministrada em mistura com gramíneas ou outras plantas de alto valor nutritivo, cortadas em pedaços.

Rizipiscicultura

Definição e características gerais

A rizipiscicultura consiste na criação consorciada ou alternada de peixe e arroz, se constituindo numa das formas mais racional de utilizar um meio aquático já existente, aproveitando-o para outros fins. É viável somente em cultivo de arroz irrigado.

Em virtude da pequena lâmina de água nos arrozais e da fertilidade da vasa onde está plantado o arroz, notadamente quando se usam planos de adubação, há, normalmente, formação de abundante massa de fito e zooplâncton, que não é aproveitada por essa cultura podendo, no entanto, ser utilizada pelos peixes. Estes, entretanto, terão que se ajustar às condições adversas da água dos arrozais, no que se refere à pequena lâmina, temperaturas elevadas e, em algumas ocasiões, baixas taxas de oxigênio dissolvido. Também pode acontecer casos de elevada turbidez da água.

Preparação das parcelas para a rizipiscicultura

Na rizipiscicultura há necessidade da adaptação dos locais de plantio do arroz para a criação de peixe, principalmente no que diz respeito aos sistemas de abastecimento e de esvaziamento de água, consubstanciadas na elevação dos diques das parcelas, uso de telas e construção de refúgios. O cultivo de variedades de portes médios e altos e de ciclos médios e longos torna-se necessário.

Denomina-se de viveiro-maracha as parcelas ou marinhas onde se pratica a rizicultura adaptadas para rizipiscicultura, compreendendo: (a) levantamento dos diques a uma altura de até 0,50 m, a fim de possibilitar uma lâmina de água máxima de 0,40 m; (b) dar maior solidez aos diques para que não ocorram maiores infiltrações de água nem desmoronamentos; (c) construção de refúgios para os peixes, que consiste numa área mais profunda da maracha, em torno de 0,80 m, e abrangendo cerca de 10% de sua superffcie, para onde poderão se dirigir os peixes nas horas mais quentes do dia, quando a lâmina de água estiver pequena, ou mesmo quando do esgotamento da água para a colheita do arroz; e (d) colocação de comportas e telas para evitar a passagem de peixes de um viveiro-maracha para outros ou deles para o exterior do sistema. Na extremidade do cano de abastecimento coloca-se tela e na saída água do viveiro-maracha pode-se construir um pequeno monge ou posicionar-se uma grade telada em ranhuras.

O refúgio pode ser construído na extremidade anterior, mais profunda, do viveiro-maracha, em volta do mesmo ou em seu ponto central. O primeiro posicionamento parece ser o ideal. Neste caso o monge fica em seu interior.

Espécies de peixes indicadas para a rizipiscicultura

Em nossa região foram criadas a carpa comum, o híbrido de tilápias e machos da tilápia do Nilo, todas com bom sucesso;as curimatãs pacu e comum, Prochilodus cearaensis, com resultados apenas regulares. Não se dispõe de dados dobre o tambaqui e a pirapitinga. Rizipiscicultores do Baixo São Francisco têm criado, ainda, o mandi amarelo, Pimelodus clarias, e o piau verdadeiro, Leporinus elongatus.

Excelentes resultados foram obtidos no DNOCS com o policultivo da carpa comum e o híbrido de tilápias. Nele pode ser incluída ainda a curimatã pacu.

Técnicas de plantio do arroz, estocagem dos peixes e manejo dos cultivos.

O arroz pode ser plantado diretamente no viveiro-maracha ou ser encanteirado para posterior transplante. No primeiro caso obedece-se os espaçamentos entre fileiras e entre covas recomendados para a variedade cultivada. O solo deverá, no momento do plantio, se encontrar devidamente preparado (aradado, se necessário, gradeado e planeado), a fim de se constituir numa boa cama para as sementes, estas devem ser selecionadas. A adubação pode ser feita no momento do plantio ou antes do mesmo. Na maioria dos casos, além do adubo fosfatado e potássico, aplica-se metade do nitrogenado, sendo o restante deste aplicado 30 a 40 dias após a semeadura. Estas adubações facilitarão proliferação de organismos aquáticos que servirão de alimentos para os peixes. Após o plantio o solo é umedecido e assim deve ser mantido até que o arroz germine. A medida que a plantinha cresce colocase água no viveiro-maracha, de forma que decorridos 20 dias do nascimento do arroz a lâmina já está em torno de 0,10 m, podendo-se soltar os peixes no refúgio da parcela.

Quando o arroz é plantado em sementeira com 15 dias as mudinhas podem ser transplantadas para o viveiromaracha, devidamente preparado (aradado, gradeado, planeado, adubado e bem úmido), obedecendo-se os espaçamentos requeridos pela variedade. Decorridos 15 dias do transplante as plantinhas estão pegadas e firmes no solo, elevando-se, então, a lâmina de água da parcela e soltando-se os peixes no refúgio. Antes da estocagem devem ser observadas as condições das telas nos sistemas de abastecimento e de esvaziamento.

A densidade de estocagem mais utilizada é de 2.500 peixes/ha (carpa comum, híbrido de tilápias ou machos da tilápia do Nilo). Quando em policultivo emprega-se 1.250 carpas comum e 1.250 híbridos ou machos da tilápia/ha. Recomenda-se, também, 1.000 carpas, 1.000 híbridos ou machos da tilápia do Nilo e 500 curimatãs pacu/ha. O peso médio inicial dos peixes deve variar de 20 a 50g.

Caso seja necessário o esvaziamento da parcela para a segunda adubação nitrogenada ou tratamento com defensivos agrícolas (combate das pragas do arroz), aquele deve ser feito lentamente, para que os peixes se dirijam ao refúgio. Quando isto acontece, faz-se o tratamento desejado. Se for realizada aplicação de pesticidas deve ser feito com muito cuidado e somente sobre a plataforma do arroz, não atingindo os refúgios onde se encontram os peixes. Decorridos 48 horas, caso tenha sido aplicado adubo, ou 72 horas, se tiver sido o pesticida, eleva-se, lentamente, à água da parcela, até atingir o nível desejado para o tamanho do arroz.

Colheita do arroz e dos peixes

A colheita do arroz é feita três meses e meio a cinco meses e meio após o plantio, dependendo da variedade cultivada. Neste momento pode acontecer duas coisas com os peixes: encontram-se ou não em tamanho comercial. No primeiro caso, esvazia-se, lentamente, o viveiro-maracha para que eles se dirijam ao refúgio, onde são capturados com rede de arrasto ou mediante esvaziamento do refúgio. Só, então, colhe-se o arroz, cortando-o 0, 10 a 0, 15 m acima do solo. No caso dos peixes não se encontrarem em tamanho e peso comerciais, esvazia-se a parcela, como dito acima, permanecendo os peixes no refúgio até que o arroz seja colhido. Logo que isto aconteça, eleva-se a água da parcela ficando aí os animais até que atinjam peso do mercado. Neste caso é possível o aproveitamento da soca do arroz (segunda colheita), quando dá-se então a despesca.

Cultivo alternado peixe a arroz

É uma técnica de cultivo muito adotada e consiste na utilização das parcelas do arroz irrigado, logo após a colheita deste, para a criação de peixes. Neste caso obtém-se alternadamente, culturas de arroz e peixe. Logo após a colheita da gramínea o solo é gradeado, para incorporação dos restolhos da cultura, e inundado para a piscicultura. Neste caso a parcela não necessita do refúgio tão somente o fortalecimento de seus diques e as adaptações dos sistemas de abastecimento e de esvaziamento.

No cultivo alternado o resto dos adubos aplicados na lavoura, juntamente com a matéria orgânica deixada pelo arroz, servirão de fertilizante para a água, aumentando a produção de peixe. Este, por sua vez, deixará seus excrementos no solo, que fica adubado para a próxima cultura da gramínea.

Vantagens e desvantagens da rizipliscicultura

As principais vantagens são as seguintes:

  1. Obtenção de um alimento básico (arroz) e de um alimento de um alto valor proteíco (peixe) numa mesma área, sem muito acréscimo nas despesas;
  2. Os peìxes aproveitam os alimentos naturais que se desenvolvem na água do arroz e que não seriam utilizados por este;
  3. Os peixes se alimentando de insetos, molusco etc. contribuem para diminuir ou eliminar as pragas do arroz, bem como quebrar o ciclo biológico de alguns parasitas do homem que vivem na água do arroz, co mo o agente etiológico da esquistossomose, que tem nos moluscos seu hospedeiro intermediário;
  4. Os excrementos dos peixes adubam o solo onde cresce o arroz;
  5. Algumas espécies de peixe usadas na rizipiscicultura consomem pequenas plantinhas invasoras do arrozal, não provocando, contudo, nenhum dano a este, quando bem pegado (crescido);
  6. Alguns peixes, como a carpa comum, têm hábito de fuçar o solo, melhorando suas condições para o crescimento do arroz;
  7. No talo do arroz desenvolve-se o perifiton, que serve de alímento aos peixes.

As desvantagens são as seguintes:

  1. Necessita-se criar peixes rústicos, em virtude das condições do cultivo (pequena lâmina de água, temperaturas altas turbidez e baixos teores de oxigênio dissolvido na água etc.;
  2. Necessidade de se criar peixes de crescimento rápido;
  3. Necessidade de se cultivar variedades de arroz de portes médio ou alto e de ciclos médio ou longo;
  4. Necessidade de se adaptar as parcelas para a rizipiscicultura, o que provoca diminuição na área plantada com o arroz, em virtude dos refúgios; e
  5. Perigo do rompimento dos diques das parcelas, se não forem bem construídos, o que põe em risco a vida dos peixes.

Produção e produtividade da rizipiscicultura

Em virtude das vantagens acima referidas, a produção do arroz consorciado com peixes tem alcançado 6,8 t/ha, para a variedade SUVALE l, sem se usar nenhum fertilizante, a não ser o originado pelos excrementos dos peixes. Nesta produção está incluída a primeira colheita (6,1 t/ha) e a soca (0,7 t/ha). Em quatro cultivos realizados no DNOCS, com aquela variedade, a média de produção, incluindo a soca, foi de 6 t/ha. A gramínea foi plantada em sementeira e transplantada para o viveiro-maracha.

Quanto ao peixe (policultivo da carpa espelho com o híbrido de tilápias) as produtividades variaram de 640 a 966 kg/6 meses, equivalentes a 1.280 e 1.932 kg/ha/ano. Nos 6 meses de cultivo as carpas alcançaram peso médio de 790,7 g e os híbridos 412,0 g.

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Fonte: http://www.fao.org/docrep/field/003/ab486p/AB486P08.htm