Gerenciamento de Produção

Os principais pólos produtivos nacionais

O Programa Brasileiro de Exportação de Flores e Plantas Ornamentais – FloraBrasilis identifica os Pólos Nacionais de concentração da produção brasileira de Flores e Plantas Ornamentais.
Esses pólos foram distribuídos em três categorias segundo os níveis de produção, o estágio tecnológico, o grau de organização dos produtores, inserção no mercado e o potencial exportador. Esses pólos possuem características bastante heterogêneas (IBRAFLOR, 2005).

Pólos produtivos com inserção definida e estratégias efetivas de crescimento no mercado internacional
Nos pólos produtivos com maior inserção no mercado internacional, constata-se uma efetiva participação de entidades públicas e privadas na estruturação de programas locais e regionais de exportação, articulados com Programas Setoriais Integrados de Promoção de Exportações.
Desse arranjo, decorrem ações concretas de treinamento e capacitação, pesquisas de mercado-alvo, pesquisas voltadas para tecnologias de produção e pós-colheita, participação em feiras e eventos internacionais, que vêm definindo padrões estratégicos de inserção no mercado internacional. Destacam-se políticas de promoção de exportações de flores e folhagens tropicais de corte nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará e de plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem em Santa Catarina. Registra-se a ampliação da participação do Estado de São Paulo no mercado de mudas de plantas ornamentais, bulbos e, mais recentemente, de flores de corte, principalmente rosas, com inserção crescente no mercado norte-americano. Nesse último caso, a entrada definitiva no mercado de buquês prontos para o varejo irá marcar uma alteração significativa nas exportações paulistas para a América do Norte (JUNQUEIRA; PEETZ, 2002 apud IBRAFLOR, 2005).

Estado de São Paulo
Os pólos de flores e plantas ornamentais do Estado de São Paulo, dadas as suas características e importância no contexto brasileiro, foram divididos em sete regiões de produção.

Região de Atibaia
As pequenas e médias propriedades são as características principais da estrutura fundiária da região de Atibaia. A região de Atibaia produz 25% da produção nacional de flores e plantas ornamentais. Essa produção concentra-se em flores de corte e de vasos, com destaque para rosas, crisântemos e orquídeas.12 Essa atividade é dominada por pequenas e médias propriedades concentradas nos municípios de Atibaia, Bragança Paulista, Mairinque e Piracaia.
O escoamento de produtos da floricultura dessa região é realizado para o mercado interno pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa-Campinas). A empresa Flora Hiranaka têm desempenhado papel relevante como exportadora desses produtos da região, sobretudo de orquídeas, para o Japão e a Itália. A Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais de Atibaia (PRO-FLOR), formada principalmente por imigrantes japoneses, realiza anualmente, no mês de setembro, a Festa das Flores e Morangos de

Atibaia.
Região da Grande São Paulo
As comunidades de japoneses, integradas principalmente por pequenos agricultores, dos municípios do “cinturão verde” de São Paulo, entre outras atividades, vêm se dedicando ao cultivo de flores e plantas, utilizando no processo produtivo tecnologias rudimentares e básicas de estufas e de irrigação. Nessa região, a produção de plantas para paisagismo e forrações e flores de corte, com destaque para rosas e crisântemos, é escoada por meio da Ceagesp.14 Ferraz de Vasconcelos, Embú, Ibiúna, Itapecerica da Serra, Cotia, Vargem Paulista e São Roque são os principais municípios produtores da região.

Região do Dutra
A colônia japonesa destaca-se na produção de plantas em vaso para interiores, vendidas nos principais mercados do estado (Ceasa – Campinas), Ceagesp, Veiling – Holambra

Floranet . No município de Arujá, além de uma cooperativa de produtores, está em funcionamento uma nova central de comercialização. A Associação dos Produtores de Flores da Região da Dutra (Aflord) realiza anualmente uma feira de flores e plantas.15 Arujá, Mogi das Cruzes e Salesópolis são os principais municípios produtores dessa região.

Vale da Ribeira
Essa região destaca-se pela produção de plantas para o uso em projetos de paisagismo.
Entretanto, o clima quente e úmido da região tem propiciado o desenvolvimento do cultivo de flores tropicais, com destaque para os antúrios e helicônias. Os produtos são predominantemente comercializados na Ceagesp e Ceasa (Campinas).16 Pariquera-açú e Iguape são os municípios mais representativos da região.

Região de Paranapanema
Nessa região, está localizada a colônia holandesa conhecida como Holambra II, em referência à principal colônia holandesa existente na cidade de Holambra e dedicada à produção de flores. Vários produtores dedicam-se ao cultivo de flores de corte e vaso. A Cooperativa de Holambra II comercializa através de leilões grande parte das flores produzidas na região.
Contudo, essa modalidade de vendas ainda é pouco desenvolvida. Parte da produção, liderada pelo grupo Steltenpool, é vendida aos atacadistas que abastecem os mercados da região oeste do Estado de São Paulo, norte do Paraná e Mato Grosso do Sul. Pequena parcela dessa produção é escoada por meio do Veiling e Floranet, em Holambra. No município de Paranapanema predomina a produção de flores de corte.

Região de Campinas
A região tem importância nacional na produção de Aechmea sp. e plantas para paisagismo, que são comercializadas no Mercado Permanente de Flores e Plantas Ornamentais, administrado pela Cesa (Campinas), em parceria com a Associação dos Produtores e Comerciantes do Mercado Permanente de Flores de Campinas (Aproccamp). Esse Mercado é considerado o melhor centro de comercialização de flores e plantas do País, o primeiro Mercado Permanente de Flores em área coberta do Brasil e o maior da América Latina.
Recebe mensalmente, compradores das cinco regiões do País e dos mais variados ramos atacadistas, supermercados, floriculturas, viveiristas, paisagistas, decoradores, garden centers, hotéis, restaurantes, entre outros. O mercado tem mais de cinco mil empresas cadastradas e está dividido em cinco setores: flores de corte, plantas em vasos, paisagismo, forrações e acessórios.
Variedade é outra característica do mercado, que tem um mix completo de produtos de flores e plantas ornamentais, desde violetas e rosas a mudas de árvores frutíferas e materiais para decoração e acabamento de arranjos, cestas e paisagismo.
A Ceasa (Campinas) comercializa produtos da floricultura vindos de várias regiões do Estado de São Paulo, principalmente de Atibaia. As outras são Piracaia, Campinas, Holambra, Jacareí, Cotia, Arujá, Registro, Ibiúna, Salesópolis, São Roque, Limeira, São Paulo, São José dos Campos e também fornecedores de outros estados, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Nessa região, além de Campinas, destacam-se os municípios de Indaiatuba, Monte Mor, Hortolândia e Limeira como produtores de mudas, plantas ornamentais e plantas em vasos.

Região de Holambra
A cidade de Holambra é o principal centro de desenvolvimento da floricultura no País e é conhecida como a capital nacional das flores. Dispõe de três centros de comercialização (Veiling Holambra, Floranet e Assflora) e realiza importantes eventos do setor, como a Feira de Tecnologia de Insumo (Ortitec), para os produtores, o Encontro Nacional de Floristas (Enflor), para profissionais do varejo, e a Exposição de Flores e Plantas da América Latina (Expoflora), para o consumidor em geral.
Na região de Holambra, existem mais de trezentos produtores, atacadistas e distribuidores de flores do País e os principais fabricantes e fornecedores de insumos, tecnologia e mudas de propagação. Encontram-se, também, as principais empresas de mudas, bulbos e sementes, com forte especialização em espécies como crisântemos, begônias, gladíolos, lírios, rosas e plantas ornamentais. Ainda na região, desenvolveram-se laboratórios para propagação in vitro das principais espécies localmente cultivadas. Várias empresas de produção de material genético do mundo têm alguma parceria ou representação comercial nesse local.

Holambra, Santo Antonio da Posse, Mogi Mirim e Arthur Nogueira são os principais municípios produtores da região e apresentam uma grande diversidade de espécies e variedades de flores e plantas ornamentais.

Santa Catarina
A topografia e o clima subtropical e temperado permitem a esse estado uma produção de flores variada e de qualidade, desde as tropicais até as coníferas e várias espécies de clima temperado. O estado tem cerca de trezentos produtores.
O Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Bahia e Minas Gerais são os mercados tradicionais para os produtos da floricultura catarinense. Atualmente, uma nova dinâmica se desenvolve no que se refere à comercialização dos produtos da floricultura em Santa Catarina, com impactos sobre a produção e o número de produtores. O processo de mudança que vem ocorrendo com a implantação, em 1998, do Mercaflor – Joinville concentrou a oferta de um pequeno número de produtores que antes comercializava, basicamente, na propriedade, conciliando com uma demanda dispersa e pouco segmentada.
Segundo o Ibraflor (2002), os maiores problemas do setor no Estado concentram-se na falta de profissionalização, na carência de entidades de apoio para auxiliar no atendimento das atuais demandas e a adoção de tecnologias rudimentares.
Para superar essas limitações, além da Hortifeira Mercaflor, realizada anualmente em Joinville, evento que permite o acesso de todos profissionais da cadeia produtiva às novidades  tecnológicas e ao lançamento de novos produtos, os produtores estaduais têm estado presentes nos principais eventos nacionais do setor, como Hortitec (Holambra) e Fiaflora (São Paulo).
Os principais municípios do estado, produtores de diferentes espécies de flores de corte de clima temperado são: Chapecó, Caçador, Videira, Frei Rogério, Laurentino, Rio do Oeste, Corupá, Joinville, Araquari, Camboriú, Garuva, Antônio Carlos, Biguaçú, Florianópolis e Palhoça.

Pernambuco
Combinando características geográficas de clima tropical, terras de baixios com várzeas, lagos (litoral) e planaltos, com um ambiente institucional favorável, onde o Sebrae – PE apóia fortemente os produtores, Pernambuco transformou-se no primeiro produtor nacional de flores tropicais e o quinto de flores de clima temperado. O estado apresenta ainda um grande potencial para o incremento na produção e a exportação de flores tropicais.
Atualmente, cerca de 200 produtores exploram 125 hectares: 70 hectares de flores tropicais e de flores de clima temperado. Os produtores estão organizados em quatro associações e uma cooperativa, movimentando recursos da ordem de R$ 36 milhões ao ano, gerando 800 empregos diretos e muitos indiretos.
No agreste do estado, onde o clima de altitude é favorável, concentra-se a produção das espécies de clima temperado. O município de Itambé, na Zona da Mata, recentemente, iniciou a produção de flores em vaso sob condições controladas.
A produção de flores tropicais deu a Pernambuco a liderança na produção nacional (Heliconia sp., Zingiber sp., Alpinia sp., Anthurium sp., etc.) e está concentrada na região litoral-mata, distribuída num raio de até 150 km da capital. Um novo centro de produção de flores tropicais surgiu tendo como referência a cidade de Petrolina, a cerca de 600 km de Recife e situada no sertão semi-árido, onde se encontra o maior e mais moderno pólo de fruticultura irrigada do Brasil. As sofisticadas tecnologias de irrigação, a infra-estrutura logística de exportação e o forte apoio institucional local são os principais pontos fortes para o desenvolvimento deste novo centro de produção (XAVIER; FAVERO, 2005).
A comercialização das flores, em sua grande maioria, ocorre, principalmente, no Centro de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa/OS) e tem uma estrutura operacional localizada na cidade do Recife.
O Reciflor – Feira de Flores e Plantas da Ceasa – foi criada em maio de 2000, com o objetivo principal de transferir os produtores e comerciantes de flores instalados na Praça Sérgio Loretto para as instalações da Central. Os principais clientes são pessoas que possuem floriculturas, funerárias, bufês e aqueles que adquirem flores para uso doméstico. A média de freqüência de compradores por feira gira em torno de 250 a 300 pessoas o que torna o local importante para esse tipo de negócio (MEDEIROS, 2005).
Esse mercado centraliza o comércio de flores da Região Metropolitana do Recife e está localizado em uma posição estratégica. O Reciflor pode ser considerado como um espaço que apresenta as  azonalidades de demandas dos clientes, no qual é registrada a expansão ou a retração de consumo a cada mês com efeitos sobre os produtos, os preços e os volumes comercializados.

Em 2002, a Feira de Flores e Plantas da Ceasa/OS comercializou 752 toneladas de flores temperadas (média de 63 t/mês). No ano de 2003, comercializou-se 879 toneladas, uma média de 73 t/mês. Em 2004, o volume foi de 776 toneladas (obtendo uma média de 65 t/mês), com uma variação negativa de 11,7% em relação ao ano anterior (MEDEIROS, 2005).
Os municípios produtores de flores de clima temperado são Recife, Gravatá, Chã Grande, Bonito, Camocim de São Félix, Itambé e Garanhuns. As flores tropicais são encontradas nos municípios de Recife, Camaragibe, Paulista, Igarassu, Cabo, Olinda, Ipojuca, Ribeirão, Primavera, Água Preta, Petrolina e Jaboatão dos Guararapes.

Alagoas
Localizado na mesma área geográfica e possuindo características climáticas idênticas às de Pernambuco, ou seja, favorável ao plantio de flores tropicais, o Estado de Alagoas, desde 2001, consolidou-se como um exportador do produto, tendo a Inglaterra como primeiro e principal parceiro comercial. Apesar das dificuldades de produção e de comercialização, a floricultura alagoana obteve resultados relevantes com a criação em 1997 da Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais e Tropicais de Alagoas (Afloral). A associação agrega dois grupos que têm estratégias comerciais distintas: a Flora Atlântica e a Cooperativa dos Produtores e Exportadores de Plantas, Flores e Folhagens Tropicais de Alagoas (Comflora).

Na cidade de Maceió, considerado mercado local, a venda é feita diretamente ao varejo, constituído, basicamente, por floriculturas. O escoamento para o mercado interno e externo é realizado no próprio aeroporto de Maceió. O Estado de São Paulo é o principal parceiro comercial de seus produtos por meio da Veiling Holambra e de atacadistas e decoradores, que são os principais clientes.
No estado, os principais municípios produtores de diferentes espécies, entre elas flores tropicais, são: Maceió, Mar Vermelho, Messias, Murici, Novo Lino, Passo de Camaragibe, Porto Calvo, Rio Largo, Santa Luzia do Norte, Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos, Coruripe, Quebrangulo, Flexeiras, Atalaia, Pilar, Penedo e Chá Preta.

Ceará
O Estado do Ceará, por possuir áreas serranas, destaca-se no Nordeste como um dos principais produtores de flores temperadas, além das tropicais. O estado conta com um forte programa de governo no apoio à floricultura. É o maior exportador brasileiro de rosas e flores tropicais e vice-líder na exportação de flores frescas cortadas do Brasil (FNPonline, 2005). Nos anos 1920, quando no estado essa atividade foi iniciada, a rosa era o principal produto, e as flores tropicais cultivadas nas proximidades de Fortaleza figuravam como produção secundária. Os plantios de flores e plantas vêm se destacando em áreas fora da capital, como na Serras de Ibiapaba e Baturité, em Guaramiranga e Pacoti.
A produção é bastante diversificada e destina-se a atender o varejo. Em 2000, cerca de 78% do produto floral que o estado consumia vinham de fora. Em 2006, essa importação está em apenas 35%. O cultivo em estufa para flores de corte e em vaso foi iniciado pela empresa Naturalis Tropicus, em Maranguape. Posteriormente, essa tecnologia de cultivo passou também a ser adotada por vários produtores com projetos voltados à exportação, instalados nas Serras de Baturité e Ibiapaba, a exemplo das empresas Quinta das Flores, Cearosa e Reijers.
No estado, já existe um número significativo de organizações de produtores, a exemplo da Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Estado do Ceará (Aflorar), a Associação dos Produtores de Flores do Maciço de Baturité (Conflor), a Associação de Floricultores, Olericultores e Fruticultores da Serra de Ibiapaba (Asfof) e a Associação de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais da Região do Cariri (Caririflora), que conseguem conduzir e melhorar os processos de produção e vendas no mercado interno e externo.
No mercado externo, os principais países consumidores dos produtos cearenses são Holanda, Portugal, Alemanha e Estados Unidos e, no mercado interno, os compradores estão em todo o território brasileiro.
A produção de flores no Estado está concentrada no Agropolo Metropolitano – municípios de Fortaleza, Euzébio, Maranguape, Paracuru e Aquiraz; na Serra de Baturité – Baturité, Guaramiranga, Pacoti e Palmácia; no Agropolo Cariri – Jardim e Juazeiro do Norte; no Agropolo Ibiapaba – Tianguá, São Benedito e Guaraciaba do Norte.

 

http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575