Manejo

Orthézia

A cochonilha ortézia (Orthezia praelonga) é uma das pragas que mais danos pode provocar aos citros no Brasil. Adquire resistência facilmente aos inseticidas, é muito agressiva e, quando se perde o seu controle, a única alternativa é erradicar o talhão atacado. A principal tática de manejo é utilizar os serviços dos pragueiros ou a vigilância constante do citricultor para enxergar a planta foco inicial com fumagina, girar a folha ou o ramo atacado para certificar-se de que é a ortézia e demarcar o local.

A ortézia depende do acasalamento dos machos para se reproduzir. Estes vivem escondidos nos troncos e nas brechas ainda na forma de larvas. Depois do 4º estágio larval, surgem as formas aladas que vivem em média apenas 6 dias. Outro dado importante para o manejo correto é presença de 70 a 100 ovos no saco alongado de cera branca em forma de canoa. As larvas nascem dos ovos ainda dentro desses sacos, onde ficam protegidas dos inseticidas e predadores.

Controle biológico: são vários os predadores da ortézia que, se estivessem presentes bem no início da infestação, seriam suficientes para controlar essa cochonilha sem a necessidade de qualquer inseticida. A joaninha (Azya lupteipes) é o predador chave, mas há também as joaninhas do grupo dos Scymnus e as do gênero Hyperaspis. Há ainda outros predadores de menor expressão, que ocorrem tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro e em Sergipe. Não há parasitos até agora identificados que dificultem o controle biológico, mas os patógenos (doenças que matam praga) foram considerados os mais importantes inimigos naturais da ortézia, sendo identificados como chaves o fungo braco (Verticilum lecanii) e o fungo vermelho (Colletotrichum gloeosporioides). Este último já pode ser produzido para pulverização das plantas no lugar de inseticidas. Informações a respeito podem ser obtidas na Embrapa- CNPMA, em Jaguariúna, SP, com o pesquisador Roberto Cesnick

Inspeção e demarcação dos focos: localizando-se uma planta-foco ou mais, demarca-se as atacadas e mais 10 plantas de raio em torno destas.

Controle químico seletivo: como a tática-chave é a localização precoce dos focos, fica fácil o controle químico seletivo do tipo ecológico, isto é, a aplicação localizada nos focos sinalizados em função da inspeção regular e observação do pragueiro. Os produtos devem ser os mais eficientes, sejam piretróides, fosforados ou carbamatos, mas com registro e com o uso de equipamento de proteção individual (EPI). Para auxiliar o rompimento do saco de ovos para atingir as larvas recém-nascidas, recomenda-se adicionar 5 % de óleo mineral. A pulverização deve ser repetida 10 dias após, para “pegar” as larvas que nasceram depois da primeira aplicação. A pulverização deve ser feita de fora para dentro do foco demarcado, para evitar o lançamento de larvas para fora dessa área pelo vento do pulverizador. Nas copas atacadas, recomenda-se redirecionar o jato de um lado para outro, internamente, de forma a atingir as “costas” das folhas nas quais estão as pragas. Direcionar o jato também para as plantas daninhas sob a copa e nos espaços entre as plantas. E direcionar o jato, sem falta, aos troncos e pernadas para atingir os machos em repouso, porque eles são importantes na fecundação das fêmeas.

Paralelamente, recomendamos também o uso do “aldicarb” granulado no solo, na base de 130g por planta adulta, pois seu efeito complementará o do produto pulverizado, atingindo as ninfas que estão sugando em locais protegidos, longe do alcance da pulverização.

Manejo ambiental: a limpeza de ervas daninhas hospedeiras no foco é uma prática auxiliar que pode contribuir para a redução significativa do problema. São hospedeiras, entre outras, a marcela, o picão, o mentrasto e o caruru; e, nas sedes das propriedades, os crotons e os hibiscus. O uso de quebra-vento é outro método ambiental de manejo que retém as formas disseminantes Cuidados na colheita também podem evitar o alastramento.

Fonte: http://www.agrobyte.com.br/index.php?pag=laranja&citrus=ortezia