Sanitário

O Vírus da Artrite Encefalite Caprina é transmitido por Inseminação Artificial

Por Kelma Costa de Souza , Alice Andrioli e Raymundo Rizaldo Pinheiro

Artrite Encefalite Caprina (CAE) é uma doença viral de evolução lenta, podendo manifestar sintomas variados, desde a artrite, pneumonias, alterações na glândula mamária, e mais raramente problemas neurológicos.

A transmissão ocorre geralmente pela ingestão de colostro e leite contaminado, mas também pode ocorrer pelo contato entre os animais com saliva, secreções respiratórias, urogenitais e da mãe para o feto. A transmissão através do sêmen, ainda não tinha sido completamente elucidada, e para que seja comprovada são necessárias as seguintes etapas: 1) detecção do vírus no sêmen de animais infectados; 2) inseminação de fêmeas não infectadas com sêmen contaminado e subsequente comprovação da infecção das fêmeas através de testes de diagnóstico.

Em uma pesquisa desenvolvida na Embrapa Caprinos e Ovinos e na Universidade Federal de Minas Gerais, ficou comprovada a presença do Vírus da Artrite Encefalite Caprina (CAEV) no sêmen de caprinos naturalmente e experimentalmente infectados, demonstrando que, possivelmente, a monta natural e a inseminação artificial tenham representado um risco na transmissão do CAEV.

A comprovação da transmissão do vírus pelo sêmen via Inseminação Artificial ocorreu em um estudo realizado entre Outubro de 2008 e Outubro de 2009, na Embrapa Caprinos e Ovinos, Sobral-CE, pela aluna do programa de Mestrado em Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú/Embrapa, Kelma Costa, sob orientação dos pesquisadores doutores Alice Andrioli e Rizaldo Pinheiro.

Nesse estudo, foram utilizadas 30 cabras sem raça definida soronegativas para CAE, inseminadas com sêmen de um reprodutor caprino também soronegativo, adicionado o vírus com diferentes cargas virais por dose de sêmen. A quantidade de vírus utilizada para contaminação foi baseada em dados de infecções experimentais positivas por outras vias (via intravenosa e nasal). Dez das cabras receberam o sêmen com uma carga viral alta, dez receberam com carga viral baixa e 10 foram inseminadas com sêmen livre do vírus para controle negativo.

Durante esse período, as fêmeas foram acompanhadas por exame clínico geral e testes de diagnóstico Imunodifusão em Gel de Agarose (IDGA) e Western Blot (WB). Trinta dias após as inseminações, 14 das cabras inseminadas com o sêmen contaminado tornaram-se soropositivas para o vírus da CAE. Doze meses após as inseminações todas as que receberam o sêmen com o vírus estavam soropositivas, enquanto que as do grupo controle continuaram livre do vírus.

Assim, com os resultados deste estudo que é inédito, fica comprovada a transmissão do vírus pelo sêmen, demonstrando que a via venérea também é fonte de infecção. No entanto, como o sêmen foi contaminado experimentalmente, estudos utilizando sêmen de reprodutores naturalmente infectados, ainda devem ser realizados, pois não há conhecimentos sobre a carga viral encontrada no sêmen de animais infectados e se esta varia dependendo de fatores internos e externos ao animal.

Zootecnista, mestranda em Zootecnia na Universidade

Estadual Vale do Acaraú/Embrapa Caprinos e Ovinos, Médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos e Médico veterinário e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos

fonte: Assessoria de Imprensa

http://meatworld.com.br/noticias/post/o-virus-da-artrite-encefalite-caprina-e-transmitido-por-inseminacao-artificial