O verdadeiro carro chefe das exportações brasileiras

Peabirus / Manejo da Lavoura Cafeeira
22/09/2010

Celso Luis Rodrigues Vegro

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou em 17/09/2010, os resultados da balança comercial brasileira com dados consolidados até agosto de 2010. Os resultados sobre as exportações (valor e participação relativa no total geral) trazem informações importantes para o agronegócio café.
Até agosto de 2010, as transações envolvendo café verde somaram US$2,84 bilhões representando 2,25% do total da pauta de exportações brasileiras. O que mais surpreende foi constatar que o café se situou acima da indústria automobilística que faturou apenas US$2,80 bilhões e participação relativa de 2,25% no total das exportações (Tabela 1).
Estima-se que a indústria automobilística brasileira produzirá 3 milhões de veículos em 2010, um recorde histórico para o segmento. Reunindo equipes das mais competentes na gestão das unidades fabris e no planejamento das estratégias competitivas, caracteriza-se por empregar as ultramodernas ferramentas de produção que articulam desde a robótica/mecatrônica, a customização dos modelos e, ainda, perfeitamente integrada aos circuitos globais de fornecimento dos componentes, é o segmento mais invejado dentro da matriz produtiva brasileira.
Do outro lado temos o velho, bom e saudável café com seus 160 anos de história comercial no Brasil. Os auto-denominados detentores da modernidade (gestores da indústria automobilística), olham esse já muito idoso senhor com desdém e não titubeiam em rotulá-lo como tradicional, retrógrado, pertencente a um momento superado da história economica brasileira. Só que esse antanho avô não só faz melhor pelo saldo comercial do País como ainda deve empregar algumas dezenas de pessoas a mais que segmento automobilístico.
Quando somado a essas receitas cambiais aquelas advindas dos embarques de café solúvel, o resultado cambial entre janeiro e agosto de 2010 alcançou os US$3,106 bilhões com exportação de 19,6 milhões de sacas de café (CECAFE, 2010). Portanto, o desempenho do animado velhinho, sem amparo dos fármacos de variadas cores e contabilizando apenas uma parte das vendas externas ocorridas sob a recente e formidável escalada de preços, já é fantástica. Não é exagero pensar que nos próximos meses o produto mais vovozinho da pauta brasileira, ultrapasse o farelo de soja, a celulose e a carne de frango, tremendas commodities amparadas por outras transnacionais sem igual no mundo corporativo global.
Café é o verdadeiro carro chefe de nossas exportações. Dessa vez sob um contexto de melhor qualidade, confiabilidade e certificação que fazem desse agronegócio um ícone do Brasil para o mundo. Esqueçam a chamada “maldição das commodities”, pois não existe país que se credencie a líder global desprezando uma absoluta e consolidada segurança alimentar. Por fim pergunto: dólar da venda de veículos vale mais que o mesmo dólar das exportações de café? Cafeicultores, vocês são o esteio do Brasil!
– LIMA, Mário S. Matéria-prima deve liderar exportações. Folha de São Paulo, 18/09/2010. Mercado-B5.
– Conselho dos Exportadores de Café (CECAFE). Estatísticas da exportação. Disponível em www.cecafe.com.br
* Celso Luis Rodrigues Vegro é Eng. Agr., MS e Pesquisador Científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA).
Fonte: http://www.cncafe.com.br/artigos_ler.asp?id=10294&t=5&counter=1