Reprodutivo

O Manejo dos carneiros antes do acasalamento

Pode-se aumentar os atuais índices de fertilidade dos rebanhos através de uma atenção especial aos carneiros.

Muitas vezes são usados carneiros com problemas de fertilidade;
É mais eficiente melhorar a potencialidade reprodutiva dos carneiros do que a fertilidade das ovelhas.
A inabilidade de alguns carneiros para produzir cordeiros passa, às vezes, despercebida em razão da alta percentagem de machos que, normalmente, são utilizados. Não faz sentido cuidar e alimentar carneiros inférteis ou correr o risco de disseminar uma doença infecciosa no rebanho com o uso de animais infectados.

O MANEJO DOS CARNEIROS ANTES DO ACASALAMENTO

Pode-se aumentar os atuais índices de fertilidade dos rebanhos através de uma atenção especial aos carneiros.

Muitas vezes são usados carneiros com problemas de fertilidade;
É mais eficiente melhorar a potencialidade reprodutiva dos carneiros do que a fertilidade das ovelhas.
A inabilidade de alguns carneiros para produzir cordeiros passa, às vezes, despercebida em razão da alta percentagem de machos que, normalmente, são utilizados. Não faz sentido cuidar e alimentar carneiros inférteis ou correr o risco de disseminar uma doença infecciosa no rebanho com o uso de animais infectados.
Os carneiros devem receber máxima prioridade por parte do produtor. Especial atenção deve ser dada antes do período de cobertura, pois qualquer problema de ordem sanitária pode produzir esterilidade temporária ou mesmo definitiva.
Para que possa cumprir a sua função de reprodutor.

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Produzir sêmen em quantidade e qualidade suficientes para fecundar um grande número de fêmeas num curto período de tempo;
Ter boa libido ou desejo sexual para procurar as ovelhas em cio;
Ter habilidade para montar e cobrir satisfatoriamente as ovelhas em cio (monta com ejaculação);
Estar em bom estado físico que permita resistir ao trabalho durante todo o período de monta.

Práticas de manejo dos carneiros a serem tomadas:

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EXAME DE FERTILIDADE

O exame andrológico é importante antes do acasalamento. Neste momento a assistência veterinária é indispensável. Afecções dos órgãos genitais constituem causas freqüentes de infertilidade. Cerca de 20 a 30% dos carneiros apresentam algum tipo de alteração nos seus órgãos genitais que podem comprometer a sua fertilidade. A epididimite, geralmente por causa infecciosa, é a principal doença que acomete os carneiros, os quais através da monta, com a deposição de sêmen contaminado na vagina da ovelha, transmitem a enfermidade, ficando as ovelhas cobertas como portadoras passivas da doença, contaminando outros carneiros que as cobrem posteriormente.
Para a avaliação andrológica dos carneiros, recomenda-se os critérios a seguir, pois buscam a máxima eficácia nos exames, com os menores custos aos produtores.

Critério 1: Avaliação clínica dos carneiros antes da seleção zootécnica;
Critério 2: Exame andrológico completo em animais para comercialização;
Critério 3: Avaliação progressiva em carneiros que serão usados em monta natural, ou seja, maiores exigências nos animais com alterações clínicas e no sêmen;
Critério 4: Exame andrológico completo em animais empregados como doadores de sêmen para inseminação artificial, incluindo concentração espermática, visando recomendação de diluições no sêmen.

CONTROLE SANITÁRIO

Todos os carneiros devem ser vermifugados, repetindo-se a dosificação três semanas após. Nunca banhar os carneiros com produtos arsenicais, dentro das 8 semanas antes de seu uso, pois pode produzir degeneração testicular. Carneiros tratados contra bicheira, feridas infectadas, pietin e abcessos, devem ser avaliados, considerando que estas afecções podem ocasionar degeneração testicular, com alteração da produção de sêmen por 3 ou mais meses.

ALIMENTAÇÃO

O estado físico dos carneiros no momento do acasalamento está intimamente relacionado à sua performance reprodutiva. É recomendável que tenham uma boa alimentação, estando em uma boa pastegem, água de qualidade e sombra. Normalmente, seu uso na reprodução acontece na estação mais quente do ano e o calor ambiental é, talvez, uma das principais causas de degeneração testicular.

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PERCENTAGEM DE CARNEIROS A USAR

Não existe uma recomendação específica que possa ser aplicada a todas as propriedades. Geralmente 2 a 3% é suficiente. O emprego de maiores percentuais de carneiros aumenta o custo de produção do cordeiro. As percentagens recomendadas relacionam-se com animais de boa qualidade e performance reprodutiva avaliadas.

NÚMERO DE OVELHAS ACASALADAS POR POTREIRO

Naturalmente depende da disponibilidade de área e do número de ovelhas no rebanho. Os potreiros pequenos são preferíveis pelo fato de evitar a dispersão dos animais. A disponibilidade de pasto é, provavelmente, o que mais influencia o tamanho do rebanho por potreiro. Quando esta for satisfatória podem ser encarneirados, de preferência, rebanhos em lotações altas.

TEMPO DE ENCARNEIRAMENTO

Encarneiramentos prolongados acarretam parições prolongadas. Estas não são desejáveis, tanto do ponto de vista de manejo quanto do econômico. As parições concentradas têm a vantagem de produzir uma cordeirada mais uniforme, reduzir o tempo gasto no controle, geralmente intensivo, e facilitar o manejo das ovelhas e das pastagens.    Na prática, de 6 a 8 semanas é o período ideal. No outono, em regiões de clima temperado com o Sul do Brasil, em que a maior parte das ovelhas apresentam cio durante os primeiros 21 dias de encarneiramento, são suficientes 6 semanas.

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TOSQUIA

O excesso de lã tende a reduzir a atividade sexual dos carneiros, principalmente dos demasiadamente gordos. Uma boa prática é tosquiá-los 2 a 3 meses antes do uso. Atenção especial deve ser dada à remoção da lã dos testículos, evitando cortes no momento da tosa.

POTREIROS DE MANUTENÇÃO

Não devem ficar em potreiros de difícil acesso ou ignorados até o momento de acasalamento ou tosquia.
Devem ser mantidos perto da sede central ou num potreiro usado com outras atividades. Isto apresenta, dentre outras, a vantagem de detectar, rapidamente, a ausência de algum animal e, no caso de morte, prevenir perdas de outros reprodutores.

INCORPORAÇÃO DE NOVOS REPRODUTORES

A compra periódica de novos animais constitui um fator indispensável para melhorar a produção. Para bons resultados, os reprodutores devem ser substituídos ao redor de 4 anos de uso, embora possam ser usados por período mais longo. É comum observar-se que muitos criadores adquirem vários carneiros de uma só vez e, por um longo período, deixam de incorporar novos animais ao rebanho.
É recomendável uma substituição anual, que dependerá de um balanço entre o custo dos carneiros e a obtenção de médias razoáveis de melhoria que produzirão no rebanho.
Recomenda-se que 25% dos carneiros sejam substituídos anualmente por borregos. Tal procedimento permitirá um certo equilíbrio na idade dos reprodutores, mantendo-se um determinado número de animais adultos e experientes. Esta prática ajuda a manter um alto nível de fertilidade, acelera o progresso genético ou a melhoria do rebanho e mantém o custo da substituição dos carneiros dentro do razoável.

Adaptado de: www.cppsul.embrapa.br

Márcio Maciel
Pablo Tavares Costa
Acadêmicos do Curso de Zootecnia da UNIPAMPA/Campus de Dom Pedrito

Gilson de Mendonça
Professor da UNIPAMPA/Campus de Dom Pedrito
Coordenador do UNIOVINOS

Fonte:

http://www.uniovinos.unipampa.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=103:o-manejo-dos-carneiros-antes-do-acasalamento&catid=14:artigos&Itemid=32