Pecuária

O crescimento do setor de produção de queijos de leite de cabra no Nordeste do Brasil

O setor leiteiro busca atingir melhorias por meio da adoção das boas práticas, sejam agropecuárias (BPA) ou de fabricação (BPF), as quais se constituem em procedimentos e ações que devem ser implantadas na propriedade rural e industrial, levando-se em conta a sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Como a produção de leite de cabra e a sua transformação em derivados já se tornaram numa das principais fontes de renda de agricultores familiares do semiárido nordestino, grande parte deles procuram programas e tecnologias ligados a órgãos de pesquisa e desenvolvimento.

Atualmente, pesquisas mostram a importância do leite de cabra na alimentação infantil devido a suas propriedades nutricionais, tornando-se uma excelente opção para a dieta. Apresentam ainda a vantagem do reduzido teor de α-s1-caseína, favorecendo a formação de coágulos finos, com consequente melhoria na absorção, tolerância e digestão do produto, sem contar que possui elevado teor de ácidos graxos de cadeia curta e média, além de pequenos glóbulos de gordura, facilitando a sua digestibilidade.

Alguns pesquisadores vêm se dedicando a estudos para avaliar o consumo desse tipo de leite com objetivo de analisar sua tolerância e aceitação. Tem-se observado que a aceitabilidade quanto ao sabor e aroma tem sido boa, no entanto, sabe-se que para algumas pessoas esse tipo de leite ainda possui a característica de “sabor caprino”, resultante de alguns compostos voláteis que estão naturalmente presentes no leite.

No entanto, queijos de leite de cabra têm despertado o interesse de muitos consumidores, animando os produtores que acreditam na fidelidade desse público que busca por novidades. Daí estar aumentando a demanda pela diversificação de produtos à base de leite de cabra.

A Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral – CE) vem desenvolvendo tecnologias com queijos de leite de cabra, entre eles os tipos Coalho, Minas Frescal, Pelardon, Andino, cremoso, probiótico, maturado, alguns dos quais com outras variedades. O queijo tipo Coalho tem um grande reconhecimento na região Nordeste e hoje está se expandindo pelo país, chegando em muitos locais a ter identidade própria. Alguns anos atrás, era conhecido como o queijo produzido pelos nordestinos, no entanto, hoje, além de ser produzido também em outras regiões, é bastante consumido em pizzarias, lanchonetes, restaurantes e acompanhado com vinhos, principalmente aqueles que possuem algum sabor exótico adicionado.

O queijo tipo Coalho adicionado de produtos da biodiversidade brasileira vem sendo desenvolvido na Embrapa Caprinos e Ovinos com boa procura pelos produtores. As variedades desse tipo queijo são valorizadas com a adição de produtos disponíveis no Bioma Caatinga, entre eles, o Pequi (Caryocar brasiliense) e o Cumaru (Amburana cearensis).

A adição desses produtos, com propriedades antioxidantes e vitaminas, oferece aos consumidores a oportunidade de consumir queijos com sabores exóticos e característicos. Com isso, o queijo possui valor agregado e proporciona a oportunidade de melhoria de renda aos agricultores familiares, categoria na qual se enquadra grande parte dos produtores. Segundo o censo agropecuário de 2006, os pequenos produtores foram responsáveis por 58% da produção do leite, dos quais, 67% somente de leite de cabra.

Com o avanço e a disponibilidade das tecnologias, o setor de produção de queijos de leite de cabra vem crescendo de forma satisfatória, com consequente aumento de todos os elos da cadeia da caprinocultura leiteira. No entanto, sabe-se que ainda são necessários investimentos em normas técnicas e, sobretudo, na formação de cooperativas e na capacitação dos produtores para a el aboração de produtos com alta qualidade que, além de agregarem valor, sejam capazes de tornar público os benefícios do leite de cabra e seus derivados. Com isso, futuramente os produtos terão a chance de ser certificados, assim como estão sendo os derivados do leite de vaca, mas se sabe que, para isso, é necessário o apoio de órgãos de pesquisa, extensão e todos os que estejam dispostos a impulsionar o setor.

 

 

Selene Daiha Benevides

Pesquisadora da área de Tecnologia de Alimentos da Embrapa Caprinos e Ovinos.

 

Fonte: http://ovinosecaprinos.iepec.com/noticia/index