Raças

O crescimento da Inseminação Artificial na caprinovinocultura

Com o crescimento da caprinovinocultura os criadores e empresas mais atentos têm descoberto que o uso de tecnologias adequadas pode gerar resultados positivos e lucros no manejo de caprinos e ovinos.

Na busca do melhoramento genético e de uma melhor eficiência produtiva, os pesquisadores tem desenvolvido trabalhos que já estão sendo utilizados no campo com certa frequência. Apesar bastante difundidas entre os criadores de bovinos, as técnicas são  recentes, e ainda muito pouco utilizadas na caprinovinocultura. Fertilização in Vitro (FIV), Transferência de Embriões, Clonagem e, principalmente, a Inseminação Artificial, já vêm atraindo a atenção e conquistando adeptos entre os criadores.

Em termos percentuais, o Brasil não tem um bom histórico de utilização de novas tecnologias. No rebanho bovino brasileiro, que conta com mais de 180 milhões de cabeças, em apenas 6 % dele são utilizados os benefícios da Inseminação Artificial. Mesmo tendo sido maciçamente divulgada na pecuária bovina nos últimos 10 anos.

O rebanho de caprinos e ovinos é bem menor, por volta de 9 milhões de caprinos e 14,5 milhões de ovinos. Destes últimos, 8 milhões estão na região nordeste do país. Se compararmos ao rebanho bovino, estes números ainda são pequenos, mas se acompanharmos o desenvolvimento deste mercado é fácil observar a linha crescente da caprinovinocultura.

O potencial do mercado brasileiro…

E é este crescimento que vem atraindo a atenção das empresas que desenvolvem tecnologias. A empresa canadense Alta Genetics foi uma das primeiras a enxergar potencial no mercado brasileiro de Inseminação Artificial para caprinos e ovinos.

A central de coleta de sêmen, localizada em Uberaba/MG, conta hoje com mais de 30 animais, sendo alguns bastante conhecidos, como o Talismã, reprodutor da raça Santa Inês que é hoje o campeão de vendas da central.

O campeão de preço na venda de sêmen é o animal El Beduíno, também da raça Santa Inês, cuja dose custa R$ 500. El Beduíno já tem dois filhos também em coleta, o Mumbuca Top e o Caiçara.

O valor da dose de sêmen de ovinos varia entre R$ 35 e R$ 80, sendo que a maior procura é pelo sêmen de animais da raça Santa Inês. Já a dose de sêmen de caprinos varia entre R$ 12 e R$ 45, sendo a raça Boer a mais procurada.

O processo de inseminação…

O processo de inseminação em caprinos é mais simples, já que este é um animal mais resistente. Nos ovinos o processo é bem mais complicado. “O sêmen congelado deve ser introduzido diretamente no útero. A complicação nos ovinos se dá porque a cervix não é alinhada, o que dificulta a introdução do sêmen”, explica André Bruzzi Corrêa, gerente da Alta Genetics Brasil.

Por esse motivo é que a maior parte das inseminações em ovinos se dá por laparoscopia, ou seja, uma pequena intervenção cirúrgica. Quando bem executada, o índice de prenhes é de 70%.

O problema neste tipo de intervenção é que se torna indispensável a presença de um bom veterinário, sem falar em instrumentos e todo o preparo que envolve a execução de uma cirurgia, por menor que seja.

Pesquisadores têm trabalhado para melhorar o sistema de aplicação não cirúrgica, desenvolvendo equipamentos cada vez menores e mais eficientes. “A inseminação não cirúrgica hoje apresenta um índice de prenhes em torno de 45%, mas isso está sendo melhorado”, afirma Bruzzi.

A principal vantagem deste método é que pode ser executado por um peão experiente, dispensando assim a mão-de-obra de um médico veterinário. Para facilitar este processo e melhorar o índice de prenhes, a empresa está lançando um mini expansor e aplicador cervical, de 13cm, que é composto por uma bainha de inox, um expansor com ponta arredondada (pra não lesar a cervix da ovelha) e o aplicador.

“O tamanho reduzido e a ponta arredondada do expansor facilita a passagem dos anéis cervicais, diminuindo assim o risco de lesões. Após a passagem do expansor, a bainha de inox permanece, para que nela seja colocada a paleta com o sêmen. O processo é prático e eficiente”, explica o gerente da empresa.

Para que a técnica de Inseminação Artificial seja utilizada em larga escala,  é preciso, primeiro, capacitar a mão-de-obra. Em três anos de programa a empresa já treinou quase 120 pessoas.

Um bom negócio para as centrais…

Muitas outras empresas já acreditam no crescimento deste mercado e começam a investir também na capacitação de mão-de-obra. É o caso da ABS Pec Plan, que já está dando cursos e finalizando seu programa para a criação de uma central de coleta de sêmen para caprinos e ovinos. O produto deve ser lançado no mercado já no começo de 2006.

Os criadores também já começam a utilizar esta tecnologia em uma escala maior. Os estados que saíram na frente foram São Paulo e Minas Gerais. A técnica ainda é pouco utiliza nos estados do Nordeste brasileiro. “Os criadores de lá têm bons animais, e estão deixando a genética apenas por conta da natureza, mas é bom lembrar que nem todos os criadores têm animais diferenciados como El Beduíno ou Talismã. Portanto, se quiserem se manter na dianteira da qualidade,  devem começar a praticar a rota de genética”, finaliza Bruzzi.

Fonte: www.feinco.com.br

http://www.nogueirafilho.com.br/arquivos_noticias/iacrescimento.htm