Pecuária

O azedo preço dos derivados do leite

20/09/2016

O breve recuo no preço do leite in natura (fluido) pago aos produtores paranaenses em julho, que registrou uma cotação de R$ 1,40/litro, não se sustentou no mês seguinte (agosto registrou uma cotação de R$ 1,55/litro), tampouco contribuiu para que os derivados lácteos reproduzissem a queda da matéria-prima. Pelo acompanhamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a previsão do setor é de que somente no último bimestre deste ano tais produtos retornem a um patamar de cotação menos pressionado pelo rol de problemas que impactaram sobremaneira no custo e o consequente rompimento dos limites de preços finais ofertados no leite e derivados de lácteos ao longo de 2016.

De acordo com o médico veterinário e técnico da área de bovino de corte e leite do Deral, Fábio Mezzadri, a queda do preço não se consolidou porque os fatores que determinaram essa alta de 44% na comparação com julho de 2015, quando o litro do leite estava cotado a R$ 0,97, ainda não foram resolvidos completamente. Ele considera que o custo de produção ficou muito elevado com o dólar interferindo no reajuste de vários insumos que são importados. Além disso, as pastagens queimadas com a geada, que veio em maio bem antes do previsto, fizeram com que a produção em muitas propriedades reduzisse drasticamente, já que nem houve tempo para a troca para as pastagens de inverno (aveia e azevém) mais resistente ao rigor de uma estação que teve mínimas históricas.

Normalidade
E mesmo com a melhora nas temperaturas, elas ainda não foram constantes e nem garantiram uma recuperação uniforme. “A expectativa é que com o início da primavera isso aconteça para que em dois meses a produção restabeleça a normalidade”, aponta Mezzadri. Somente a alimentação da vaca, que inclui pastagens e ração à base de soja e milho, ambos extremamente valorizados, representa 40% dos custo total da produção de leite. Outro item que contribuiu para essa disparada nos preços dos produtos lácteos foi o reajuste do combustível e da energia elétrica, que é muito consumida nos processos de transformação da bebida.

Para o especialista, diante de um semestre com média de preços 20% superior à média dos 12 meses de 2015, saindo de uma cotação R$ 0,93%/litro para R$ 1,12/litro (de janeiro a julho), os lácteos nem sinalizaram qualquer movimento de baixa por conta da redução da matéria-prima em julho. “Se não segurou nem o preço do leite recebido pelo produtor, fica difícil qualquer reflexo nos derivados, que envolvem uma cadeia de custos ainda mais complexa, com maquinário, embalagem, etc”, pondera. Além disso, Mezzadri lembra que os estoques para a produção dos derivados foram construídos com o preços da matéria-prima nas alturas, impedindo que a redução seja imediata. Ele admite que além desses fatores, o retorno dos preços não se dá na mesma velocidade que a elevação, dada a necessidade de se recuperar algumas margens de lucro.

Preços
Na comparação de julho de 2015 contra julho de 2016, o preço médio do leite longa vida saltou de R$ 2,28 para R$ 4,12 no mercado varejista, uma variação de 80%. O leite pasteurizado assumiu a vice-liderança nessa arremetida dos lácteos, indo de R$ 2,03 para R$ 3,35 nesse intervalo de 12 meses. Em termos percentuais, a alta foi de 65%. Já o leite em pó, a embalagem de 400 gramas, que custava em média R$ 9,44, em 2015, em julho foi comercializada na faixa de R$ 10,85, 15% mais cara.

Os queijos também refletiram a supervalorização da matéria-prima e os insumos. O quilo do queijo prato passou de uma média de R$ 25,47 para R$ 35,19, 38% de reajuste. “Historicamente, mesmo com o décimo terceiro pressionando preços, leite e derivados tendem a cair porque os custos tendem a baixar por conta das pastagens em plena oferta e a produção a todo o vapor. Esperamos que isso se repita neste ano tão complicado”, orienta.

Fonte: Folha de Londrina
Autor: Magaléa Mazziotti